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O Contorcionismo Econômico do Governo Federal

O atual governo federal assumiu em janeiro de 2019, trazendo o ministro da economia Paulo Guedes a tiracolo, desde o período da campanha.

Paulo Guedes é um banqueiro, sócio do BTG, e foi indicado pela banca internacional para assumir não apenas o ministério da fazenda, mas também e principalmente, o comando da macroeconomia do país.

Desde o período da campanha eleitoral, era ele que dava as cartas do jogo econômico futuro, e falava pelo então candidato à presidência. O candidato era um deputado federal sub medíocre, pertencente ao chamado baixo clero da câmara federal. Destituído, como ainda hoje o é, de conhecimentos rudimentares que não lhe permite sequer dar uma simples entrevista, os temas diversos do cotidiano, inerentes às funções de chefe de estado, ainda hoje não são inteligíveis ao raciocínio dele.

Pelo visto e, diante do que ocorreu durante a campanha eleitoral, era perceptível que o candidato Jair Bolsonaro já carregava com ele um vício de origem, que é o da submissão incondicional aos ditames da figura abstrata dos mercados e as suas mãos invisíveis. Diante disso, quem tinha um mínimo de visão, ao votar nele, o fez  por ingenuidade,  por oportunismo ou por ódio.

A imposição do receituário dos grupos financeiros transnacionais, tinham e têm como porta vozes, organismos financeiros como o FMI e o BIRD, (Banco Mundial) e como preposto o ministro da fazenda Paulo Guedes.

Apesar de não ser uma maioria representativa, boa parte do eleitorado estava inebriado, vivendo a euforia sedutora da figura lendária de um xerife mítico, como aqueles que aparecem nos filmes faroestes. Montado em seu cavalo tordilho, ele iria enfrentar um duelo contra a corrupção com dois revólveres fumegantes na cinta e a chibata em punho, usada para exorcizar todo mal “causado pelos governos do PT.” Quem haveria de ser contra o combate a corrupção?

O próprio candidato Jair Bolsonaro, bravateava aos quatro ventos em alto e bom som o que iria fazer, e só conjugava um único e repetido verbo: acabar! vou acabar com isso, vou acabar com aquilo e depois eu acabo com aquilo outro etc.

O então futuro ministro da economia Paulo Guedes, um dos Chicagos Boys, que houvera se especializado no laboratório neoliberal ortodoxo idealizado por Milton Friedman e Francis Fukuyama. Levaram a experiência  para o Chile, e  o transformaram em um  laboratório implantado à fórceps pela Cia, com a cumplicidade da cruel e sangrenta ditadura comandada pelo general Pinochet.

Para tanto desembarcaram no  Chile, os alunos da vetusta Escola de Chicago, um grupo de Chicagos Boys, entre os quais figurava Paulo Guedes, que fundou o BTG e virou um dos seus sócios. (será que o G é de Guedes?). Ele seria encarregado de “modernizar” a seguridade social, leia-se o modelo previdenciário.

Seguindo o receituário prescrito pelo Consenso de Washington, ele implantou a fatídica reforma da previdência chilena, arrebatando das mãos do estado, a prerrogativa constitucional da prestação da seguridade social aos seus cidadãos.

Para substituir o papel do estado, foi criado um sistema de capitalização privado, operado pelo BTG, que deixou à margem da prestação, a metade dos trabalhadores chilenos.

A aposentadoria tornou-se inalcançável à grande maioria, que pelo achatamento salarial, foi lançada num nível extremo de pobreza, que arrastou a massa trabalhadora aposentada chilena, para a fome e à miséria.

No Brasil, Paulo Guedes conduziu Bolsonaro pela senda de uma macropolítica ortodoxa e ultraneoliberal já démodé no próprio mundo capitalista.

Essa proposta sempre anunciou o paraíso na terra, através de intelectuais orgânicos do establishment, propondo o desmonte completo do estado, de modo a não deixar pedra sobre pedra.

Aqui no Brasil, ele implantou através da reforma da previdência, o mesmo sistema previdenciário do Chile, uma bomba relógio que com certeza irá explodir num futuro bem próximo.

Essa decisão do então candidato, por si só, já era de assombrar e deixar a nação com a pulga atrás da orelha.

Ora, a iniciativa privada nunca foi de empregar o seu rico dinheirinho em infraestrutura. Muito menos em assistência social, porque no dizer do meu inesquecível mestre Frederico Simões Barbosa,

” o capitalismo não existe para fazer filantropia e sim para multiplicar o capital e gerar mais e mais lucro.”

Para enfrentar a crise foi necessário a presença de um economista inglês, John Maynard Keynes, que sugeriu ao presidente Roosevelt a aplicação de uma política heterodoxa com o retorno efetivo da presença do estado à economia, naquela que seria a única salvação para o caos econômico que se instalara.

Através de um programa econômico denominado New Deal, (Novo Acordo) Keynes sugeriu a aplicação maciça de recursos públicos em infraestrutura, com o intuito de ressuscitar o mercado interno abatido de morte pela crise.

A ortodoxia econômica, com intuito de camuflar a necessidade cíclica do capitalismo em crise, que sempre foi recorrer aos cofres do estado, torceu o nariz para John Maynard Keynes com ares de reprovação, e alguns mais ousados, chegaram até a taxa-lo de comunista, o que convenhamos é um sacrilégio.

Ao contrário do que muita gente boa pensa, o New Deal foi um plano para salvar o capitalismo e não o mundo do trabalho que era secundário para Keynes. Mesmo assim houve um benefício indireto para a massa trabalhadora. Ou seja, Keynes atirou no que viu e acertou no que não viu.

Com a sua decisão capitalista e heterodoxa, ele acabou ressuscitando o mercado interno, fazendo com que a salvação do capitalismo redundasse em melhorias para o mundo do trabalho, o que aconteceria por tabela.

Segundo o filósofo Herbert de Sousa, o nosso inesquecível Betinho:

“A tecnologia moderna é capaz de realizar a produção sem emprego. O diabo é que a economia moderna não consegue inventar o consumo sem salário.”

Que nenhum economista ortodoxo saia por aí propalando que Keynes era um homem de esquerda, porque estará mentindo e enganando.

Keynes que faleceu em 1946, precisaria estar vivo para ouvir um clérigo brasileiro, de nome Dom Helder Câmara, insistentemente taxado de comunista, dizer assim:

“Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.”

Em 28 de outubro de 2018, data em que o candidato Jair Bolsonaro, seria eleito como presidente da república, houve de forma tardia a oficialização das suas propostas de governo, através da imprensa.

Por falta de espaço iremos nos ater apenas à parte que trata da política macroeconômica, que abarca vários segmentos da economia, todos eles impactantes no tecido social. Para tanto, reproduziremos em seguida, um trecho extraído da dita proposta e publicada na Agência Brasil no dia da eleição ou seja, em 28/10/2018.

Observando o conteúdo do programa, é possível enxergar, para alguns tardiamente, que o projeto desenhado para a economia, apenas reprisava o mantra que Paulo Guedes vinha repetindo desde a pré campanha.

Era muito fácil prever o que viria a ser o rumo do governo Bolsonaro como um todo, lembrando sempre que:

“a história e a economia estão ligadas por uma correia de transmissão, que é acionada pela força motriz da história. Ou seja, a economia sempre se move a reboque da história”
Leo Huberman

{ECONOMIA:
Uma das principais propostas é a privatização ou extinção de estatais. Segundo Bolsonaro, a ideia é reduzir os pagamentos de juros, que custaram R$ 400,8 bilhões em 2017, com a venda de ativos públicos. Em relação a reforma da Previdência, defende a implantação no país de um modelo privado de capitalização do setor. Como proposta para o sistema tributário do país, o programa fala em unificar impostos e simplificar o sistema de arrecadação de tributos. Uma das promessas é reduzir a forma gradativa dos impostos, por meio da eliminação e simplificação de tributos, “paralelamente ao espaço criado por controles de gastos e programas de desburocratização e privatização.” O assessor econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, que deve assumir como ministro da economia, disse, em conversa com investidores, que a intenção é criar uma alíquota única de 20% no imposto de Renda, que passaria a incidir sobre quem ganha acima de 5 salários mínimos.}

Algumas considerações a respeito das propostas são pertinentes e merecem destaque. Vejamos:

01 – Privatizações: segundo Bolsonaro, a ideia de privatizar a torto e a direito, ou até de extinguir estatais, tinha como objetivo “reduzir os pagamentos de juros que teriam custado ao país R$ 400,8 bilhões em 2017. Essa compensação seria feita com a venda de ativos públicos.”

Ora, ora, ora, imaginem o líder de uma família que se endividou em demasia e não dispõe de poupança suficiente para liquidar a dívida.

A solução que ele imagina a princípio, é de pagar os juros e deixar a parte principal para depois.

Animado pela ideia, ele a põe em prática. A partir de então ele vai observando que nunca conseguirá pagar integralmente a parcela mensal de juros. O resíduo vai sendo incorporado ao principal e vai crescendo mês a mês.

Diante dessa realidade aflitiva, em todos os meses subsequentes ele passa a vender um objeto da sua residência a cada mês para completar o pagamento.

Depois de alguns meses ele percebe que não tem mais nada para vender e a dívida está gigantesca, restando-lhe duas opções: A primeira opção é anunciar solenemente ao credor, usando o velho adágio popular:

“devo, não nego. Pago quando puder!”
A segunda é entregar a casa para o credor e ir com a família morar debaixo do viaduto ou da ponte.

Voltemos ao caso do Brasil e vejamos o que ocorreu com a dívida pública brasileira nos governos Themer/ Bolsonaro a partir de 1017:

Percebam na pizza anterior, que os juros consumiram em 2017, 39,70% do orçamento. Observe que a parte amarela da pizza anterior, visualmente é a maior fatia.
A execução orçamentária de 2018 foi a seguinte:

Observem que o serviço da dívida, ao invés de diminuir como prometido, aumentou para 40,66%.

Com crescimento anual constante, a execução orçamentaria chegou a 2021 consumindo mais da metade do orçamento, ou seja, 50,78%.

Finalmente no ano em curso de 2022, mesmo com o orçamento ainda em em execução, observa-se na pizza a seguir, a generosa provisão orçamentária de “apenas” 53,92% para o sagrado dinheirinho destinados aos Bancos. G?

Esses números não são nossos, nem por nós foram inventados. Foram obtidos da auditoria cidadã da dívida e os números estão à disposição de todos, nos arquivos do Banco Central. São dados irrefutáveis e comprovam que, ao invés de diminuir com a venda de ativos, conforme alardearam, só fez aumentar,

Passando de 39,70% em 2017, para 53,92% em 2022, ou seja, cresceu 14,22%.

A farra da privataria desse desgoverno continua, e está em curso a liquidação da Petrobras, da Eletrobrás e do Saneamento básico, as últimas joias da coroa. Até a água nossa de cada dia eles querem nos negar!

Agora, diante de uma derrota eleitoral iminente e fragilizado por escândalos que explodem a cada dia em todos os setores, o presidente da república está desesperado.
Num contorcionismo eleitoral desesperado ele está maquinando uma forma de atalhar o fantasma da inflação com remendos e puxadinhos. Esse é o prenuncio de um castigo que resultará na sua morte política. É um doente terminal.

No seu desespero, ele tenta a todo custo fazer uma arrumação no orçamento, sem ferir os sacrossantos recursos orçamentários destinados aos juros estratosféricos, e ao apetite insaciável da banca internacional.

Ele não tem mais poderes para mexer na política de preços praticados pela Petrobras e elegeu vários inimigos no varejo como boi de piranhas. Agora se volta para os governadores, sem poupar sequer os aliados, culpabilizando – os pela alíquota do ICMS.
Demoniza o ICMS como se a alíquota não fosse a mesma desde os tempos de antanho, quando o preço dos combustíveis era definido pelo governo federal e nunca interferiram na inflação e eram menos draconianos.

Pela profusão de notícias que circulam nos veículos de informação a coisa virou uma Torre de Babel em pleno 2022 e pipocam ideias miraculosas de todos os lados: Que vão desde o oportunismo do decreto de calamidade pública, até aos subsídios diversos para: gás, óleo diesel, energia elétrica, auxilio brasil, auxilio caminhoneiros, auxilio entregadores, auxilio motoristas de aplicativo, auxilio pastores, etc até o apelo patético aos supermercadistas para segurarem os preços até a eleição.

“Mas, como se sabe, a alta dos combustíveis é decorrente da politica de Preço de Paridade de Importação-PPI, adotada pela Petrobrás desde o golpe parlamentar de Michel Themer, mantida pelo atual desgoverno.O presidente da Câmara Artur Lira, (PP-AL) aliado de Bolsonaro, tem feito duros discursos contra a estatal e defende a sua privatização. Já Paulo Guedes, o posto Ipiranga, demostra total incapacidade de conter a inflação, que já passou de 12% em 12 meses.”

Decreto contra calamidade é uma grande piada, porque a calamidade tem um único nome: Jair Bolsonaro!

Não adianta bravatear contra tudo e contra todos pois a escalada de preços está colada nos combustíveis que o seu desgoverno não tem capacidade de conter.
O resto? como diz o filósofo Biu do Violão de Campina Grande, “o resto é Paia!”

 

 

 

Consulta:
https://pt.org.br/com-golpe-sistema-financeiro-sequestrou-o-orcamento-do-pais;
Medo de Bolsonaro de perder eleição não justifica decretar calamidade (redebrasilatual.com.br)

Fotografias:
https://pt.org.br/com-golpe-sistema-financeiro-sequestrou-o-orcamento-do-pais;
O papel de Paulo Guedes na implosão de direitos e | Direitos Humanos (brasildefato.com.br);
O que é a Escola de Chicago de pensamento econômico? – André Bona (andrebona.com.br);
Chile: surge a miséria da Previdência privatizada | Sinpro Campinas;
Críticas discretas de Keynes ao New Deal da FDR – Econlib;
Dom HBolsonaro reitera motes de campanha ao tomar posse – Política – Estadão (estadao.com.br)elder Câmara em entrevista histórica (domotal.com)0

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