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Os Enganos pregados pelos homens em nome de Deus

Em nosso último artigo, falamos um pouco a respeito do Livro de Espíritos e escolhemos falar de Deus. Explicamos que é Deus segundo os ensinamentos dos Benfeitores Espirituais. Só para relembrar, Kardec pergunta aos Mentores Espirituais QUE É DEUS? Ele não pergunta, “quem é Deus? ”, nem “o que é Deus? ”. Nós, Espiritas, estudamos, além do que é Deus, como também seus atributos. Estudamos, ainda, sobre os profetas, que vieram antes de Jesus. A Humanidade aprendeu muito com eles. Onde esses sábios aprenderam tanta coisa? De onde eles vieram? É característica comum já nascerem com suas faculdades transcendentes e alguns conhecimentos inatos, que com pouco trabalho desenvolvem.

Mas é inevitável o questionamento: pertencem realmente à Humanidade como nós homens comuns? É verdade que nascem vivem e morrem. Contudo, quando conhecemos alguém com uma mente brilhante, ou habilidades fora do comum, logo nos perguntamos, o porquê. Como explicar que em uma família, que chamaríamos de “normal”, pelo grau de inteligência de seus membros, um se destaca brilhantemente?

Se fôssemos fazer uma análise do ponto de vista materialista, poderíamos dizer que seu cérebro teve uma formação diferente, de melhor qualidade, ou que deve ter recebido alguma instrução diferenciada ou se aplicado mais aos estudos. Mas sendo Deus, inteligência suprema, infinitamente bom e justo, ele daria a um de seus filhos alguma qualidade diferenciada dos demais?

Só temos uma saída para essas explicações, me perdoem os materialistas, mas isso só é possível ser explicado através do conceito da pré-existência da alma e pluralidade das vidas. Se Deus criasse algum dos seus filhos e desse a ele uma capacidade diferenciada dos outros, ele estaria sendo parcial, assim, deixaria de ser justo. Suas Leis são imutáveis. Isso significa, que não mudam nem com o tempo nem no espaço, tampouco podem ser interpretadas diversamente em benefício de um dos seus filhos prediletos.

Assim, ainda que seja difícil compreender, a explicação, não só dada pelos Espíritos de Luz, mas também sendo a mais lógica, é que esse Espírito que já traz, ao nascer, todos os seus predicados. Um Espirito muito antigo, e que em suas inúmeras encarnações foi adquirindo conhecimento e hoje, graças a esse conhecimento, pode ser um enviado de Deus para ajudar o progresso da humanidade. De acordo com suas aptidões, pode vir para contribuir com a ciência, com a matemática, física ou qualquer outra área. Na música, são inúmeros os casos de crianças que mal alcançam os teclados de um piano, tocam sinfonias inteiras. Como poderia ser justificar-se tal conhecimento, se não aceitarmos a reencarnação?

O progresso que o homem adquire, é uma prerrogativa pessoal, é conquista dele, unicamente. Não é um superdotado, como um super-homem que veio de outro planeta e cai na terra. Isso, só existe no cinema. Da mesma forma que o conhecimento não é dado, e sim adquirido, ainda que ao longo de infindáveis existências, também, não se pode culpar Deus e Jesus, pelo que o homem faz com o conhecimento que adquire. A descoberta do átomo, não teve por causa principal, a criação da bomba atômica. Foi o livre arbítrio dado ao homem, que o fez usar de seus conhecimentos para o bem e para o mal. Nesse segundo caso, a Lei de Causa e Efeito, não o deixará impune, assim como qualquer um que usar de seus conhecimentos contra um de seus irmãos em Cristo.

Mas vamos voltar ao nosso ponto de hoje; Deus e seus ensinamentos: Vamos partir do princípio já afirmado por nós, que Deus é Inteligência Suprema, Causa Primaria de Todas Coisas, e que nem teve começo nem fim. O homem ainda não tem a capacidade intelectual, nem palavras em seu vocábulo para compreender Deus. Contudo uma frase que pode dar dimensão da divindade é: “Deus não existe, Deus é.” Pois conceber a “existência” de Deus seria reduzi-lo a “algo”, o que não seria correto.

https://www.portalser.org/pratica-espirita-como-funciona-doutrina/

Todavia as mensagens da divindade para os homens são uma realidade tão antiga quanto a própria concepção do divino. Para falar do que Deus comunicou ao homem, não poderíamos, de maneira alguma, ignorar, por exemplo, a mensagem dita através de Moisés, e, posteriormente o que foi pregado e aperfeiçoado por Jesus.

Não podemos negar, a quantidade de alterações feitas nos textos bíblicos, e aqui não estou eximindo, nem culpando, diretamente, nenhuma religião em específico. Tantas foram as traduções feitas, que seria impossível que não fosse feita alguma alteração em favor, ainda que de forma não intencional, do que o homem gostaria de tornar sua vontade. É claro que em um texto como este, não poderemos abordar todos os erros, alterações e pontos de vista que pudessem turvar os olhos do tradutor da vez. Contudo não podemos negar que o homem usou termos para se beneficiar, como sendo de Deus ou dos Profetas. Um dos exemplos mais claros para nós mulheres, é o poder masculino e machista, perpetuado pelo discurso religioso, como no caso da Igreja Católica, que ainda resiste em permitir que as mulheres assumam os mesmos cargos que os homens.

Quando Jesus, passou pela Terra, as mulheres eram a maior parte de seus seguidores. Os Evangelhos de Maria Madalena, por exemplo, chamados “Apócrifos”, foram retirados da Bíblia. Qual a justificativa? Quando sabemos que foi a Maria Madalena, que, Jesus escolheu para dizer que havia voltado, e foi a ela que foi pedido para dizer a seus discípulos que Ele vivia. Muitos estudos nesta área, apontam que Maria Madalena pregou o Cristianismo tanto quanto Paulo, contudo, foi deixada de lado por ser Mulher. Deus criou todas as criaturas com iguais direitos e valores. Quando Jesus, salva Madalena de ser apedrejada, fazendo apenas com que aqueles homens fizessem um exame de consciência, e, fazendo-os, aos poucos irem embora diante do simples dizer: “Aquele que se acha sem pecado, que atire a primeira pedra”. Quem daqueles homens, eram diferentes dela em atitudes?

Onde está, nos ensinamentos do Cristo, que o homem é superior à Mulher e, por isso, ela tem que ser submissa a ele? Ainda, que tal ensinamento conste nas linhas bíblicas, essas já eram discutíveis no tempo do próprio Cristo, que se rebelava contra as letras empioradas das antigas escrituras. Desta forma, em pleno século XXI, defender tal posicionamento baseado nas escrituras demonstra como essas foram interpretadas pelo poder vigente, ao longo de toda a história, em seu benefício, e, sempre, usando o nome de Deus para propagar palavras viciadas de seus pontos de vista limitados e de suas intenções impuras.
O homem nasceu livre para fazer suas escolhas, para o bem ou para o mal. Não é vontade do “Senhor” que isso ou aquilo seja feito. Jesus pregou o amor, o perdão, a caridade e a compreensão. Apenas.

Com o pouco que conhecemos dos ensinamentos passados pelo próprio Deus a Moisés e, depois, reafirmadas por Jesus, fico em conflito quando, por exemplo, vejo no Livro Levítico Capitulo 18, tanto na bíblia cristã como na própria Torá, o qual fala, das “Proibições Sexuais”, é utilizado um nível de detalhamento que me faz questionar se Deus se ateria a esse nível de detalhamento referente ao comportamento humano. Podemos observar que esses detalhamentos foram acrescidos no Livro Sagrado pelos homens. Uma vez que se tratava de um povo sem Estado, sendo, portanto, impossível a existência de normas diferentes para assuntos seculares e religiosos, a Torá fazia as vezes de livro Sagrado bem como de legislação terrena. Aqui, exemplifico alguns: o versículo 22: “Não te deitarás com um homem como se deita com uma mulher. É uma abominação”; também, no Capítulo seguinte, referente às prescrições morais e culturais, no versículo 19, cita: […] “Não jungirás dois animais de espécie diferente, no teu rebanho; não semearás no teu campo duas espécies diferentes de sementes e não usarás veste de duas espécies de tecidos”. Ainda no mesmo Capítulo, no versículo 23 a 25; “Quando tiverdes entrado na Terra e tiverdes plantado alguma arvore frutífera, considerarei os seus frutos como se fossem o seu prepúcio. Durante três anos serão para vós como coisa incircuncisa e não se comerá deles. No quarto ano, todos os frutos serão sagrados a uma festa de louvores a Iahweh. No quinto ano, podereis comer os seus frutos e recolher para vos mesmos o seu produto”. Por fim, no versículo 27 e 28: afirma-se: “Não cortareis a extremidade de vossa cabeleira em redondo e não danificarás a extremidade da tua barba. Não fareis incisões em teu corpo por algum morto e não fareis nenhuma tatuagem”.

Se faz necessário, ao se ler os textos tidos como sagrados, ou os livros históricos, que façamos a contextualização da época escrita e do povo para quem foi escrito. Não podemos, nos dias atuais, seguirmos, por exemplo, o que está escrito versículo 25, a respeito do plantio. Imaginemos o mundo com a população atual e com a extensão em todo mundo da agricultura, se poderíamos seguir essas orientações. Cinco anos de frutos desperdiçados faria da agricultura um ofício impossível.

 

Outro item a ser observado, é o dos tecidos para a vestimenta. Imaginemos, mais uma vez, nos dias atuais, só podermos vestir, por exemplo, linho puro. Com o poder aquisitivo da maioria da população mundial, veríamos muita gente andando nua, por não poderem comprar suas roupas. E, da mesma forma que ocorreria com agricultura, a produção de tecidos voltaria aos modos do início da revolução industrial. As chamadas “roupas tecnológicas” seriam uma passagem só de ida para danação eterna.

Com relação ao “homem dormir com outro homem como se mulher fosse”, existe uma crueldade sem fim ao se insistir em observar, nos dias atuais, tal regra enquanto se ignora todas as outras constantes no mesmo livro. Não vemos pessoas sendo assassinadas, brutalmente agredidas ou expulsas de suas casas por usarem uma calça jeans com elastano, ou por terem cortado os cabelos, muito menos por terem colhido os frutos de uma árvore jovem.

Como já disse anteriormente, as verdadeiras leis de Deus são imutáveis, atemporais e se aplicam a todos os seres, em todos os lugares. Como explicar, então, tais absurdos? Como explicar serem divinas leis tão mal observadas e que em muitas culturas sequer existem? É um tabu, creio que em todas as culturas, o assassinato, como consta no quinto mandamento; contudo, creio não constar no Tripitaka budista nada referente aos cortes de cabelos dos seguidores de Buda.

Vamos passar para outro extremo, para a compreensão do que foi dito por Deus. Vamos nos referir à escravidão. Sendo mais claro, um irmão toma como escravo, outro irmão tratando-o como um animal ou reles objeto. Sabe-se que esta prática fazia parte de todas as civilizações desde os primórdios da história humana, e foi, segundo Laurentino Gomes, durante o século VII, com a expansão do Islã que esta prática atingiu seu auge. Iniciava-se neste período o choque de culturas e religiões. Como resultado, tivemos a escravização de milhões e milhões de pessoas ao longo dos séculos seguintes, tendo tal prática perdurado, formalmente, até o século XX, e existindo ilegalmente até os dias de hoje.

Apesar da escravidão aparentar ser inerente ao ser humano em diferentes culturas, locais e perdurar através dos milênios, esta viola um princípio fundamental, este sim, um fundamento da norma divina: amai a teu próximo como a ti mesmo. Portanto, não tem nenhuma razão de ordem divina que possa justificar a escravidão, em qualquer tempo e lugar. As Leis Divinas, para o homem, são utilizadas de acordo com seus interesses. Os Livros Sagrados continuam sendo apenas um pequeno aporte de conhecimentos que o homem utiliza ao seu bel prazer. Desde que lhe faça maior que Deus, e lhe traga o aumento de poder econômico e financeiro.

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