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60 anos sem João Pedro Teixeira

No dia 02 de abril próximo passado,  foi celebrada a morte por execução  através de uma emboscada  covarde, do trabalhador rural  João Pedro Teixeira, um dos  fundadores  e líder  das Ligas Camponesas na Paraíba.

Pelo conteúdo do processo, o crime teria sido  uma encomenda dos latifundiários Aguinaldo Veloso Borges, Pedro Ramos Coutinho e Antônio José Tavares, executado covardemente  pelas costas,  com disparos de fuzil, uma arma privativa das forças militares que foram  disparados pelo cabo Antônio Alexandre da Silva, o soldado Francisco Pedro da Silva (Chiquinho), e o vaqueiro Arnaud Nunes Bezerra.

Os mandantes do crime político, foram   todos eles condenados e anistiados em 1965 pelo golpe militar recém instalado em 1964, depois de uma manobra inusitada,  que fez com que  5 deputados estaduais renunciassem para abrir vaga e conceder imunidade a um dos mandantes até a anistia, ou seja, um passaporte para a imunidade.

A celebração festiva e concorrida, aconteceu na sede do Memorial que foi fundado em seu nome e que funciona na casa em que morava com a sua companheira Elisabeth Teixeira, no sitio  Antas do Sono hoje município de Sobrado, local que está sendo ameaçado pela construção de uma Barragem que inundará a área para tentar apagar a história.

O Memorial  tem por objetivo  dar continuidade à luta  de João Pedro, na organização dos trabalhadores rurais da várzea do Rio Paraíba nas suas justas  reinvindicações pelo  direito a um pedaço de terra para trabalhar. Nesse sentido, nós resolvemos colocar a nossa arte a serviço da causa e dar a nossa modéstia contribuição com a elaboração  do cordel  que se segue.

Boa leitura e muita reflexão, principalmente por parte dos explorados!

 

60 anos sem João Pedro Teixeira

Combater a exploração
É do povo a bandeira
Essa luta está marcada
Na história brasileira
Contra a opressão e a fome
Resistência está no nome
De João Pedro Teixeira

Tombado há sessenta anos
Por ser grande referência
Do povo trabalhador
Despertando a consciência
Mesmo sendo perseguido
Se manteve aguerrido
Com coragem e resistência

Nascido em Pilõezinhos
No dia 4 de março
Século XX, ano 18
Mas teve logo um embaraço
Aos seis anos, perde o pai
Esse triste fato vai
Lhe deixar em descompasso

Após perder o marido
A mãe de João se mudou
Indo morar em Sapé
Com os avós, João ficou
Aos 18 anos chegar
Decidiu que ia morar
Com a mãe e ela aceitou

Em Sapé foi trabalhar
Pra ajudar no sustento
Na lavoura do roçado
Garantia o alimento
Depois, pra fazer a feira
Trabalhou numa pedreira
Perto de Café do Vento

Próximo ao seu trabalho
Uma bodega havia
Que vendia aos peões
“Fiado” as mercadorias
O olho de João Pedro brilha
E se enamora pela filha
Do dono da mercearia

Ao saber do tal namoro
O pai da moça inibiu
“Filha minha com operário
Onde é que já se viu!”
Como o pai não entendeu
Elizabete escolheu
E com João Pedro fugiu

Abrigado pelo tio
João teve indignações
Em ver seu tio tratar
Com violência os peões
Ficava inconformado
Ao ver povo injustiçado
Perante as opressões

Mudou-se para Recife
Jaboatão, o distrito
Conseguiu um novo emprego
Mas lá seguia aflito
Os patrões a explorar
E quem fosse reclamar
Desembocava um conflito

Nesse período, João
Já brigava por direitos
Vendo que os trabalhadores
Estavam insatisfeitos
Do jeito que eram tratados
Extorquidos, torturados
Violência e desrespeito

Falando com os companheiros
Buscando um itinerário
Uma forma de lutar
Por condições e salário
E foi fundado por Teixeira
Com os Colegas da pedreira
O Sindicato Dos Operários

A notícia ganhou fama
E também perseguição
Porque direito pra pobre
é um insulto pro patrão
João, pra evitar armadilha
Com Elizabete e família
Saíram de Jaboatão

De volta para Sapé
No Sítio Sono das Anta
Quando vê as condições
Do povo, João se espanta
Pra quem vive da agricultura
Só farinha e rapadura
Não lucra nem do que planta

De novo, indignado
Juntou-se aos companheiros
Entre eles: Nêgo Fuba
Também Pedro Fazendeiro
Se uniram sem temer
Pra lutar e combater
Tirania de usineiro

Enquanto os coronéis
Se esbaldavam em riquezas
Cobrando Foro do povo
Na mais extrema pobreza
Antes ninguém combatia
Mas agora existia
A forte Liga camponesa

Com a fundação da liga
E o povo organizado
Todo dia aparecia
Dezenas de filiados
Agricultor, estudante
Operário, comerciante
Em sapé e em todo Estado

Grandes comícios nas feiras
Denunciando os patrões
Contra o Cambão e o Foro
Contra abusos, punições
Quem só sabia explorar
Não iria aceitar
Tantas manifestações

Dentre os diversos nomes
Que passavam a crescer
O de João sempre estava
E muitos podiam ver
Lutar pelo bem Comum
Fez de João Pedro um
Cabra Marcado pra morrer

Aumentou a tirania
Na intenção de parar
O povo que só queria
Ter um lugar pra plantar
Foi assim que os fazendeiros
Contrataram pistoleiros
Da polícia militar

Abril de 62
Chamam João Pedro Teixeira
Para ir à João Pessoa
Numa reunião cabreira
E mesmo tendo coragem
Aquela longa viagem
Seria a derradeira

A mando dos coronéis
Policiais disfarçados
Armaram a emboscada
Com mosquetão carregado
Voltando ao final do dia
Num ato de covardia
João Pedro foi alvejado

João tombou indo pra casa
Levando em suas mãos
Material escolar
Dos filhos, pela intensão
De que seu povo pudesse
Ter direitos e tivesse
Acesso à educação

Quem atirou continua
Com os seus, na impunidade
Buscando calar a quem
Luta pela igualdade
Mas essa corja nem sente
Que João Pedro é semente
Semente de liberdade

João tombou por enfrentar
Os patrões nessa disputa
Mas deixou outras pessoas
Combatendo na labuta
Como diz a companheira
Elizabete Teixeira
“CONTINUAREMOS NA LUTA!”

*Historiador, cantor, poeta e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

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