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Todos os Caminhos levam a Deus

Pode parecer um pouco antiquado falar de transmissão de conhecimento em um tempo que mais se desenvolvem as tecnologias e rapidamente nos interliga a tudo que acontece no e no instante que acontece. Já falamos um pouco desse tema no artigo anterior, mas hoje, aliás durante toda essa semana, tem me vindo à mente a parábola dos talentos

O leitor pode se perguntar: o que uma coisa tem a ver com outra. Tecnologia e os ensinamentos de Jesus? Aparentemente nada. Mas já vivemos tempos que os que detinham o conhecimento eram considerados os eleitos, e, por exemplo, as informações da Bíblia eram reservados apenas aos eleitos das igrejas. Sempre que escrevo ou falo de religião, tenho um certo cuidado, porque não vejo diferença dentre elas: Todos os caminhos nos levam a Deus, então, é só uma questão de escolha de como chegar e quando chegar. E isso, sim envolve o conhecimento dos ensinamentos do Mestre.

Ao longo da História os grandes homens passaram seus ensinamentos pela prática de vida. Ou seja, viviam. E, se observados, já transmitiam conhecimento. Mahatma Gandhi lutou durante toda sua vida contra as próprias imperfeições e auxiliou inúmeros a fazer o mesmo e explicava: “Uma luta infinita para atingir a perfeição, eis o nosso dever humano. Esse dever de Deus”

Albert Einstein, o e grande matemático e físico que criou a mais complexa e avançada concepção científica da nossa época: a teoria da relatividade, que reformou a Física clássica, não se fechou em seu conhecimento e poder diante da ciência. Foi como Gandhi, um extraordinário ser humano. Sobre ele, o físico Leopld Infeld disse: “ Einstein é o mais amável, o mais compreensível e o mais serviçal dos homens. Jamais recusou o seu auxilio quando sentiu que podia ser necessário e efetivo. Uma grande caraterística dos que sabem, mas reconhecem que o conhecimento quanto mais partilhado e discutido, mais completo pode se tornar.

Einstein, aproveitou seu reconhecido talento e conhecimento, escrevendo milhares de cartas de recomendação. Dedicou longas horas a doentes só porque familiares lhe disseram ser ele o único que podia salvá-los. Defendeu os oprimidos e necessitados, distribuiu os 50 milhões de dólares, do seu Prêmio Nobel, aos pobres, e chegou a sustentar 150 famílias em Berlim. Era tão simples e modesto que achava desnecessário e complicado ter duas calças. Só se ocupava com a criação cientifica e com o bem da humanidade. Declarava: “Não há razão para que não lutemos juntos para a finalidade comum de todas as vidas: Servir ao próximo e à Humanidade. Não há ideal maior que esse”. Dizia que, as características de um indivíduo não decorrem da sua individualidade, mas de ser “membro de uma grande sociedade que, desde o berço até ao túmulo, lhe dirige a existência material e espiritual” (a mesma coisa dizia Sócrates). Lembrando a caro leitor(a), que nem Gandhi, nem Sócrates, nem o próprio Einstein eram cristãos.

Voltando a distribuição dos talentos, a Bíblia conta – Na Parábola dos talentos: Mateus: 25: 14-, Só relembrando, conta do Senhor que iria fazer uma viagem, e antes de sair chamou seus servos e a eles entregou seus bens. Me permitam fazer esta narrativa de forma mais atualizada. A um, ele entregou cinco dos seus bens, ao outro, dois, a outro um. Ele fez a divisão considerando a capacidade que já identificara em cada um para administrar. O servidor a quem foi dado cinco de seus bens, logo ele iniciou o processo de administração o que lhe rendeu o suficiente para adquirir novos bens em igual quantidade; da mesma forma, procedeu o que ganhou dois, mas o servidor que ganhou um bem só para administrar, como medo, falta de fé ou quem sabe por preguiça, deixou o bem do mesmo jeito sem nada fazer. Assim procede Jesus com os talentos que nos empresta. Espera que os multipliquemos.

Emmanuel, nos facilitando entender o Evangelho de Mateus nos fala dessa passagem dizendo:
“O tempo, no fundo, é talento celeste que o supremo Senhor derramou, a mancheias , em todas as direções e em favor de todas as criaturas. Se dispõe de uma hora, não lhe percas o sublime valor substancia. Com ela é possível a obtenção de novos ensinamentos, o cultivo da fraternidade, a benção do consolo ao irmão que padece nos braços constringentes da enfermidade, a conversão sadia que ajuda ao próximo necessitado, a escrituração da uma carta amiga edificante, a plantação de algumas árvores preciosas que, mais tarde, oferecer-te-ão asilo seguro”.

Humberto de Campos, através da psicografia de Chico Xavier, também nos traz um exemplo na obra Pontos e Contos com o título “A surpresa do Crente”. A história nos dá conta da chegada de um devoto fervoroso ao mundo espiritual. O devoto muito emocionado ao chegar no plano divino e se encontrar frente a frente com o Mestre jesus. Chorava de alegria, e claro o espirito repleto de alegria e luz.

O referido irmão, ainda na carne, recolhera-se em si próprio, aguardando o dia que chegaria no céu e viveria a imortalidade e beleza. Fugira aos homens, renunciara aos mais singelos prazeres, distanciando-se das contradições da existência terrestre, afastara-se de todos os companheiros de humanidade que se mantinham possuídos pela ilusão do mal.

Não saia de seu lar por medo de se envolver nas perturbações sociais do seu tempo, vivendo em adoração continua ao Senhor que resplandecia glorificado, ali diante dos seus olhos.

Ao chegar no outro lado, encontra-se com Jesus.
“Oh! Semelhante manifestação de carinho embriagava-o de ventura. Sentia-se mais poderoso e feliz que todos os príncipes do mundo, reunidos!
– O divino Mestre sorriu e perguntou-lhe:
-Dize-me, discípulo querido, onde puseste os ensinamentos que te dei?
O Crente levou a mão ao tórax cheio de alegria e respondeu:
– No coração.
– Onde guardaste – tornou o Amigo Sublime – minhas continuadas bênçãos de paz e misericórdia?
– No coração tornou a responder
– E as luzes que acendi, em torno de teus passos?
– Tenho-as no coração – repetiu o devoto, possuído de intenso júbilo.
O Mestre silenciou por instantes e indagou novamente:
– E os dons que te ministrei?
– Permanecem comigo – informou o aprendiz -, no recôndito da alma.
– Silenciou o Cristo e, depois do longo intervalo, inquiriu, ainda:
– Ouve! Onde arquivaste a fé, as dádivas, as oportunidades de santificação, as esperanças e os bens infinitos que te foram entregues em meu nome?
Reafirmou o discípulo, reverente e humilde: – Depositei-os no coração, Senhor!
A essa altura, interrompeu-se o dialogo comovente. Jesus calou-se num véu de melancolia sublime, que lhe transparência do rosto.
O devoto já entristecido, indagou:
– Benfeitor Divino, poderei doravante abrigar-me na paz inalterável de tua graça? Já que fiz o depósito sagrado de tuas bênçãos em meu coração, gozarei o descanso eterno em teu jardim de infinito amor?

O Mestre abanou tristemente a cabeça e redarguiu:
– Ainda não! … o trabalho é a única ferramenta que pode construir o palácio do repouso legítimo. Por enquanto, serias aqui um poço admirável e valioso pelo conteúdo, mas incomunicável e inútil… Volta, pois, à Terra! Convive com os bons e os maus, justos e injustos, ignorantes e sábios, ricos e pobres, distribuindo os bens que represaste! Regressa, meu amigo, regressa ao mundo de onde vieste e passa todos os tesouros que guardaste no santuário do coração para oficina de tuas mãos!…”

Esta bela narrativa, nos faz compreender quando Jesus fala: “Eu e meu Pai, trabalhamos continuamente. Pois não vale o conhecimento acumulado, os livros decorados sobre os ensinamentos do Pai Celestial, se não convivermos praticando e sendo testados constantemente por Seus ensinamentos. Não nascemos para vivermos a sozinhos, considerando que o nosso aprendizado é constante, e cada um, de acordo com o talento recebido, contribui e complementa o talento do outro.

Espero que este texto, possa contribuir um pouco para o aprendizado de cada um de nós!

 

 

 

Obras Consultadas:
Xavier, Francisco Candido pelo Espirito Irmão X (Humberto de Campos). Pontos e Contos -Federação Espirita Brasileira – 9. Ed. 1994;
Idem, o Evangelho por Emmanuel – Comentários ao Evanelho de Mateus – FEB – 2017;
Rizzini, Carlos Toledo – Evolução para o Terceiro Milenio – Ed. Edicel – São Paulo 1985;

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