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Início Diana Valadares & Brygida Freire O capital, segregador social do mundo patriarcal

O capital, segregador social do mundo patriarcal

Desde que o capital tornou-se o recurso provedor da sobrevivência dos homens, o dinheiro tornou-se um segregador social do mundo patriarcal, dividindo as pessoas em classes e gêneros (os privilegiados, sendo a grande maioria homens e os menos favorecidos, sendo a grande maioria mulheres).

Ao longo da nossa história, as pessoas que conseguiram somar seus capitais, passaram a acumular bens e a soma desses bens tornou-se garantia de segurança e estabilidade. Quando pensamos em alguém que possui abundância financeira, automaticamente pensamos em alguém com segurança e em se tratando do contexto socioeconômico patriarcal em que vivemos, essa pessoa (em sua grande maioria, homens) possui “cartas de créditos”, vantagens e confiança.

Assim, esse “conjunto de benefícios” promove a abertura de muitas portas, que estão muito relacionadas a ascensão, poder e privilégios.
Porém, diante do caos que estamos enfrentando atualmente: perda de tantas vidas e transformações socioeconômicas, os sentimentos de insegurança e medo do desconhecido tornaram-se uma constante e pode ser gatilho para o seguinte questionamento:

Desde que o mundo é mundo, o que você conhece como VIDA seria algo estável ou imutável?

Naturalmente, a nossa existência quanto ser humano é marcada por mudanças, instabilidade, fases, ciclos. Simplesmente VIVER é sinônimo de transitar por situações que se modificam a cada fase, naturalmente a vida em nosso planeta é marcada por ciclos: nascer, crescer e morrer e a existência do ser humano evolutivamente é marcada pela capacidade de resiliência.

Isso quer dizer que o nosso planeta é cíclico e extremamente abundante, basta olhar para uma floresta, nela a vida é diversa e brota nas mais variadas formas e condições, ou seja, todos nós, seres humanos, principalmente nós mulheres, somos cíclicas e abundantes, não só nascemos como temos direito à abundância e com essa energia trafegamos por nossas fases e ciclos naturais da vida. Quer outro exemplo natural? Historicamente, nós mulheres temos a capacidade de gerar e criar, nós produzimos o alimento dos nossos filhos em nosso corpo e o sangue inerente a nossa condição menstrual é um composto tão rico, mais tão rico, que servia de fertilizante para o solo, proporcionando o crescimento das plantas e uma colheita abundante para as primeiras comunidades tradicionais que existiam no mundo e assim iniciaram-se as primeiras civilizações.

Porém, atualmente sabemos que para a grande maioria das pessoas que vivem em nosso planeta, a abundância não se manifesta na fase adulta e isso é resultante de todos os condicionamentos e bloqueios impostos por nossa sociedade capitalista e patriarcal, crenças culturais que são assimiladas ao longo de nossa formação e que nos limitam, diminuem, inferiorizam, dando lugar a autossabotagens e nos transferindo para um lugar infantil, de criança ferida e impossibilitada que não sabe lidar com o dinheiro, prosperidade e responsabilidade com a geração da nossa própria renda e manutenção da nossa própria vida. Com o tempo, tornou-se cada dia mais comum ouvir: “nada vem fácil” ou “a gente só consegue algo na vida quando a gente trabalha pesado” nesse contexto, as pessoas passaram a viver para trabalhar e consumir. Daí outro questionamento: O que te faz plena e feliz?

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