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Dengue, Febre,Chikungunya e Zika Virús

Os mosquitos da família Flaviridae são de grande interesse para a saúde pública, pois se constituem em espécies vetoras de arbovírus, podendo causar danos à economia, ao ambiente e a saúde humana, devido aos hábitos das fêmeas de se alimentarem de sangue. Dentre as espécies conhecidas desta família, destacam-se o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, que são espécies oriundas de continentes como África e Ásia, com grande capacidade de dispersão e adaptação. Estas espécies podem ser encontradas em áreas urbanas, suburbanas e rurais, além de regiões tropicais e subtropicais do planeta (SCHAFFNER et al., 2013; TOLLE, 2009). O Aedes aegypti é o principal vetor de importantes doenças causadas por mosquitos, tais como dengue, febre chikungunya e zika. Esse mosquito apresenta marcações brancas no corpo e nas patas e é mais escuro quando comparado com um pernilongo. No Brasil, o mosquito chegou a ser erradicado nas primeiras décadas do século passado, porém sua grande capacidade de adaptação permitiu que ele sobrevivesse em outras localidades do continente e voltasse a se disseminar (BRASIL,2015a).

DENGUE
Os primeiros casos da doença no mundo ocorreram no final do século XVIII, no Sudoeste da Ásia, em Java, e nos Estados Unidos, na Filadélfia (DAHER; BARRETO; CARVALHO, 2013). O termo dengue se origina da Espanha e quer dizer “melindre”, “manha”. O nome faz alusão ao estado de moleza e prostração em que fica a pessoa infectada. Trata-se de uma doença infecciosa febril aguda causada por um arbovírus do gênero Flavivirus, atualmente, com quatro sorotipos identificados: DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4. Estes são os agentes causadores da dengue clássica e da dengue hemorrágica. Todos os sorotipos do vírus da dengue estão presentes no continente americano, entretanto apenas os sorotipos DEN-1, 2 e 3 são encontrados no Brasil (SINGHI; KISSOON; BANSAL, 2009). O mosquito propriamente dito ainda não é transmissor da dengue desde sua gênese. Torna-se transmissor ao se alimentar do sangue de uma pessoa infectada. A infecção pode se dar repetidas vezes numa mesma pessoa, sempre por meio de diferentes picadas (FERREIRA; COSTA, 2002).

A dengue clássica é uma doença febril que apresenta sintomas como mal-estar, dores musculares, dor nos membros, olhos e nas costas, além de cefaleia, náusea, vômitos e manifestações cutâneas. Tem duração de cinco a sete dias e pode ocorrer em todas as idades. A dengue hemorrágica, por sua vez, é um quadro clínico sério e geralmente acontece após reinfecções por um sorotipo diferente da primeira infecção, o que pode levar a processos hemorrágicos, que são caracterizados pela ocorrência de um aumento da permeabilidade vascular, levando ao extravasamento do plasma para os tecidos. Com isso, o sangue torna-se mais espesso, reduzindo a pressão arterial e sobrecarregando alguns órgãos. O paciente pode entrar em choque e vir a óbito (LUPI; CARNEIRO; COELHO, 2009; DIAS et al., 2010).

Estudos epidemiológicos mostram que a dengue tem se disseminado com surtos cíclicos ocorrendo a cada três a cinco anos na região das Américas. No Brasil particularmente, a transmissão vem ocorrendo de forma continuada desde 1986, intercalando-se com a ocorrência de epidemias. O maior surto no Brasil ocorreu em 2013, com aproximadamente dois milhões de casos notificados. Até julho deste ano foram registrados 1.319.957 casos prováveis de dengue no país incluindo todos os sorotipos (BRASIL, 2015).

A emergência da dengue enquanto uma pandemia, epidemia de grandes proporções, podendo espalhar-se por um ou mais continentes, põe em evidência a necessidade de desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz, que seja capaz de prevenir a infecção pelos quatro sorotipos do vírus. Os esforços no sentido do desenvolvimento de vacinas contra dengue iniciaram-se há mais de sessenta anos. Na última década, com a incorporação da biologia molecular ao desenvolvimento de vacinas, grandes avanços foram realizados. No momento, existem pelo menos sete produtos candidatos à vacina contra dengue em fase avançada de experimentação (RAW; LUNA, 2015).

O diagnóstico é feito clinicamente conforme apresentação dos sinais e sintomas ou por exames sorológicos, que detecta anticorpos específicos contra a dengue. O tratamento consiste no controle dos sintomas, pelo paracetamol ou dipirona, não sendo indicado o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), a exemplo de Voltaren®, dicoflenaco de sódio, Scaflan® (BRASIL, 2005).

FEBRE CHIKUNGUNYA
Adoença chikungunya é causada pelo vírus CHIKV, da família Togaviridae e do gênero Alphavirus (BRIOLANT et al., 2004). O nome chikungunya deriva de uma palavra do idioma Makonde, falado no sudeste da Tanzânia, e significa “curvar-se ou tornar-se contorcido” descrevendo a postura adotada pelas pessoas infectadas pelo vírus devido as fortes dores articulares. Tem como principais sintomas febre alta, dores musculares, nas articulações e de cabeça. Não costuma resultar em morte, mas a dor articular pode durar meses ou anos (CIEVS, 2014; CAMELLO, 2014; ).

Embora a transmissão por meio da picada do mosquito Aedes aegypti e Aedes albopictus seja responsável por praticamente todos os casos, há outras formas possíveis de contaminação com o vírus, como a transmissão vertical, cuja infecção ocorre da mãe para o filho durante o parto. Até onde se sabe, o vírus não causa má-formação no feto, pois, aparentemente, a transmissão não ocorre dentro do útero, assim como não há evidências de transmissão pelo aleitamento materno (CAMELLO, 2014).

O vírus da febre chikungunya foi isolado pela primeira vez nos países da África nas décadas de 50 e 60, e posteriormente identificada no sul e sudeste da Ásia e ilhas do oceano Índico e Pacífico. No Brasil, os primeiros casos de transmissão do vírus chikungunya foram identificados em setembro de 2014. Até então, todos os casos conhecidos foram adquiridos por brasileiros que haviam viajado para áreas endêmicas. Até julho do ano de 2015, foram notificados 9.022 casos suspeitos, dentre os quais 3.546 foram confirmados por critério laboratorial e clínico-epidemiológico (CIEVS-SP, 2014; BRASIL, 2015). O diagnóstico é feito clinicamente conforme apresentação dos sinais e sintomas ou por exames sorológicos, que detecta anticorpos específicos contra o vírus da febre chikungunya. O tratamento de escolha é o paracetamol, podendo ser utilizada a dipirona para o controle da dor e febre, assim como na dengue. Não é indicado o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e de outros anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) (BRASIL, 2015). Em indivíduos que não respondem ao tratamento com dipirona ou paracetamol, podem ser utilizados os analgésicos opióides como cloridrato de tramadol e codeína. É recomendado ainda que se faça compressas frias como uma alternativa analgésica das articulações de 4 em 4 horas por 20 minutos (BRASIL, 2015b).

FEBRE ZIKA
A febre ZIKA é uma doença causada pelo vírus Zika (ZIKV), um arbovírus do gênero flavivírus. O vírus zika foi isolado pela primeira vez em 1947 em um macaco sentinela na floresta de Zika em Uganda, e por isso a origem do nome. A primeira epidemia descrita ocorreu em 2007 na Micronésia, resultando em 99 casos confirmados no período de dois meses. Este surto evidencia a capacidade da febre por zika tornar-se uma doença emergente.

A possibilidade de ser confundida com o diagnóstico da dengue pode atrapalhar a identificação de uma epidemia. Até maio de 2015, o Ministério da Saúde divulgou a confirmação, por critério laboratorial de 16 casos de Zika no país, sendo 8 casos na Bahia e 8 no Rio Grande do Norte. Evidências recentes sugerem que pode haver outras vias de transmissão que não exijam mosquitos vetores, como por exemplo, a via por contato sexual (CIEVS-SP, 2015; LANCIOTTI et al., 2008; FOYet al.,2011; HAYES, 2009).
O diagnóstico da Zika é basicamente clínico e por meio de sorologia, através da identificação de anticorpos. Sintomas como febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, artralgia (dores nas articulações) e exantema maculo-papular (erupção cutânea com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas, podem nortear um diagnóstico diferencial, embora se saiba que esses sinais e sintomas são similares ou até mesmo compartilhados em outras doenças como a dengue e a febre chikungunya. (CIEVS-SP, 2015).

As medidas de prevenção e controle são comuns às três doenças e visam eliminar o mosquito. Para isso, é necessário evitar focos de água parada, como por exemplo, recolher o lixo e manter os sacos bem fechados, guardar garrafas sempre de cabeça para baixo, encher de areia até a borda os pratos dos vasos de plantas e lavá-los frequentemente; manter bem tampados toneis, barris e caixas d’água, entre outros (ANVISA, 2008). Dessa forma, é fundamental a conscientização de toda população de que combate ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika requer empenho de toda a sociedade.

 

FONTE: Boletim Informativo do PET-Farmácia-UFPB Universidade Federal da Paraíba.

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