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A inteligência artificial e seus efeitos

Longe, mas muito longe de nós, querermos colocar sob dúvidas o avanço da ciência e do desenvolvimento tecnológico dela decorrente. muito pelo contrário! Entendemos que se tivéssemos ignorado o avanço cientifico-tecnológico que a humanidade experimentou ao longo dos milênios, ainda hoje não teríamos conseguido sair da caverna.

Se a ciência tivesse parado no tempo e no espaço, o movimento pendular descoberto por Galileu Galilei e a Lei da gravitação universal de autoria de Isaac Newton não teriam sido descobertas. Tampouco a Teoria da Relatividade descoberta por Albert Einstein, que revolucionou os conceitos da física moderna como ciência.

O tema que queremos abordar hoje é o crescimento inteligência artificial, filha do desenvolvimento técnico científico do último lustro, que muitos chamam exageradamente de terceira revolução industrial.

O crescimento galopante que aconteceu nas ciências da computação, teve como prioridade absoluta a celeridade na transmissão de dados, principalmente nas transações financeiras. A ribalta da economia foi sendo gradualmente  ocupada pelo capital financeiro especulativo que se consolidou hegemonicamente no cenário econômico, tendo a informática como suporte. Enquanto isso o “Deus” mercado passou definitivamente a dar as cartas do jogo econômico.

A compensação de um xeque que as vezes durava 15 dias passou a ser instantânea, retirando de muitas pessoas, habitués em cheque sem provisão, a possibilidade de atalhar cheques depois de dez ou quinze dias.

As demais atividades cientificas e/ou econômicas se serviram do ensejo que a tecnologia propiciou e, pegando o bigú, também se desenvolveram consideravelmente.
As interações atualmente feitas a grandes distancias, adquiriram um caráter instantâneo e são realizadas a com o simples clicar de uma tecla de computador.

A chamada globalização, que a bem da verdade teve início na idade média com as grandes navegações, se modernizaram e ganharam também grande celeridade com o avanço da tecnologia da informação.

É inegável o desenvolvimento técnico cientifico que o mundo vem experimentando como instrumento de transformação, como inegável também é a perspectiva de mudança que ele pode operar na mente das pessoas.

Todo esse meritório desenvolvimento não pode passar ao largo, ignorando as pessoas e sem levar em conta que qualquer modelo de desenvolvimento adotado pelo ser humano tem que ter por objetivo a inclusão das pessoas. Não há como conceber desenvolvimento que não gere benefícios inclusivos ao ser humano.

Portanto, o processo de desenvolvimento cientifico, não pode se nortear apenas pela ótica de uma classe, em detrimento da outra, impondo à esmagadora maioria da humanidade a pedagogia do opressor. Essa concentração brutal de renda, poderá produzir lesões econômicas e intelectuais no tecido social da esmagadora maioria da população, comprometendo o futuro da infância e da juventude.

Essa ideia de que a máquina substituirá a mão de obra humana é de difícil entendimento, já que afinal de contas foi a inteligência humana que criou a máquina para servir ao homem e não para subordina – lo.

“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.” Marcos cap 2, verso 26-28.

O que vem ocorrendo como uma realidade irreversível, é que a inteligência artificial poderá fazer com o mundo do trabalho, o mesmo que a automação fez com o mundo fabril. Esse fantasma que está se configurando como real e ameaçador, poderá levar a esmagadora maioria da classe  trabalhadora ao desemprego, à fome e à miséria.

A divisão do trabalho preconizada por Frederick Taylor, aliada à invenção da esteira de montagem proposta por Henry Ford, “modernizaram” a mais valia absoluta até então praticada, substituindo – a pela mais valia relativa, preconizada por Marx e Engels na teoria da práxis. A automação fez parte do primeiro tempo do jogo jogado pelo mundo do trabalho e a inteligência artificial irá fazer parte do segundo tempo do mesmo jogo, aprofundando e agravando o impacto socioeconômico . Ambas têm apresentado lucros e dividendos gigantescos ao capital e uma restrição cada vez maior ao mundo do trabalho, tendo a exclusão como dogma.

Mas antes da análise crítica ao modelo, é preciso apreciar a questão econômica no contexto histórico, lembrando que a economia é a polia que move a história.

Nada ocorreu ao longo dos milênios em toda história da humanidade, onde a economia não estivesse presente como motivação maior. Todas as guerras atuais e passadas tiveram um viés econômico. Portanto não poderemos analisar nenhuma ação mutacional, sem uma análise da conjuntura econômica, avaliando as vantagens e desvantagens. Para tanto é inevitável recorrermos às informações estatísticas representadas preferencialmente de forma gráfica, para uma melhor visualização e um  melhor entendimento.

A pirâmide da figura que se segue, nos mostra a distribuição da riqueza no mundo e nos permite ter uma visão panorâmica do contraste entre a acumulação de riqueza por uma minoria e o consequente crescimento da pobreza e o aprofundamento da miséria da esmagadora maioria. No topo da pirâmide mostrada na figura, se concentra quase metade da riqueza mundial 45,2%, em mãos de apenas 0,7% da população.

Nos dois módulos superiores do topo da pirâmide, estão acumulados apenas 8,1% da população mundial que detém por sua vez 84,6 % da riqueza do mundo. Essa é a primeira grande contradição, se considerarmos que toda população mundial é da ordem de 7,8 bilhões de habitantes, apenas 1,482 bilhões de pessoas possui quase toda riqueza da terra.

Agora observemos a base da pirâmide e o módulo imediatamente superior a ela para enxergarmos melhor o outro extremo.

Aí estão acumulados 92% da população do planeta terra com a posse de apenas 15,5% de toda riqueza.

Essa por sua vez é segunda contradição sócio econômica.

Agora basta olhar para a pirâmide e constatar que o mercado está nas mãos de 8,1% da população que abocanha a posse de 84,6% da riqueza.

Antes de mais nada precisamos decifrar o enigma dessa pirâmide socioeconômica, para evitar que sejamos devorados por ela.

Os números ali estão contidos, não foram colocados por nós e sim pelo jornal espanhol El País, baseado em fontes do cerne do sistema capitalista. Portanto é um tema de domínio público mundial que podem até tentar relativizar, mas negar – lhes nunca poderão.

A principio precisamos entender que todo aparelho de estado capitalista liberal está preparado para direcionar sempre todas as suas atenções para os 8,1% do topo da pirâmide que é a joia social  da coroa. A esse nicho sempre reservarão a melhor educação, a melhor prestação de saúde, a melhor infraestrutura em termos de habitação, de saneamento, de transporte, de lazer. Enfim são eles, ao mesmo tempo consumidores e gestores, além de pilotos da locomotiva do sistema de exploração.

O status quo tende a oficializar o  qui pro quo e irá exigir uma pregação muito convincente para aceitação desse estado de coisas pela grande massa pobre e miserável. Acima de tudo, se o convencimento não for suficientemente eficaz para acalmar os ânimos dos moradores do andar de baixo. A chibata da coerção poderá ser reintronizada, ou quem sabe até o uso do fuzil, para “restabelecer a ordem”, vista pela ótica da opressão onde reclamar da fome é desordem.

Nesse ponto reside a resistência dos gestores do aparelho de estado burguês, em não atender sequer as necessidades básicas dos 92% restantes, negando – lhes inclusive a ração de subsistência.

Nesse nicho estão os pobres e miseráveis, os quais não têm consciência nem da exploração a que estão submetidos nem da força da sua condição de maioria.

Como esses extratos sociais não são fechados ou estanques, haverá sempre a miscigenação social fronteiriça, ligando uns aos outros. A miragem econômica que muitas vezes atraem principalmente os párias, irá transforma – los em capatazes ou feitores da exploração, o serviço sujo terceirizado pela burguesia.

No dizer do laureado professor da USP Alysson Mascaro, “eles não são os donos do porrete, mas se tornam amigos dos donos do porrete para não apanhar” segue ele: “eles não apanham, mas em compensação batem. Batem para agradar ao dono do porrete, mesmo sem ser por vingança, apenas por medo de apanhar dele.”

Diante dos números e considerando o modus operandis do capital, é possível correlacionar a inércia governamental de alguns países, principalmente do Brasil, com o elevado número de vítimas da pandemia do Covid 19. Será que a morte evitável de 600 mil pessoas teria sido proposital?

A insistência na teoria de imunização de rebanho, onde a morte é aceitável até 70% dos infectados, os obstáculos à certificação das vacinas que iam surgindo, a adoção insistente do tratamento preventivo com prescrição medicamentos inadequados, nos remete no mínimo ao exercício da dúvida.

Como se tudo isso não bastasse, o fato de colocar todo tipo de óbice ao isolamento necessário para o controle de expansão do contágio da virose, aliada a burocracia exagerada na certificação de vacinas pela ANVISA é outra atitude suspeita.

Até a falta de suprimento do Ingrediente Farmacêutico Ativo – IFA reclamado pelos laboratórios nacionais para a fabricação da vacina, evidencia a falta de uma decisão política de enfrentamento da crise sanitária. Até mesmo a sabotagem ao programa de vacinação, da qual é acusado o próprio presidente da república. Qual será a intenção de fundo?

Tudo isso teria acontecido apenas por ignorância, por pirraça, por fundamentalismo, ou tudo isso faz parte de um projeto macabro de extermínio? Os números da pirâmide assustam o capital pelo que a burguesia tem a perder e assusta muito mais o trabalhador, por não ter mais o que perder e por saber que a fome que lhe ameaça é má conselheira!

Essa pode ser a lógica macabra deles por nos enxergar como um peso, como um estorvo.

Mas finalmente, qual será a alternativa que resta aos 92% de pobres e miseráveis?
Primeiramente precisamos ter consciência de classe! Precisamos entender de uma vez por todas que, qualquer que seja o salário que percebamos sempre seremos pobres. Se o salário, por mais alto que seja faltar por três meses seguidos, rapidamente chegaremos ao estágio de passar por privações econômicas inclusive alimentares. Para sermos considerados ricos, jamais será pela via  do salário. Precisaremos nos tornar donos dos mecanismos que produzem a riqueza e multipliquem o capital através da nossa mão de obra. Ou seja, precisaremos ser os donos dos meios de produção para passarmos de explorados a exploradores mudando de classe.

Em segundo lugar, precisamos nos redimir. Nos redimir através do estudo para entender os mecanismos de exploração. Estudar, estudar e estudar para decifrar o enigma da pirâmide que foi mostrado, evitando sermos devorados por ela.

Aos religiosos, rezar sempre para “nos livrar da maldade de gente boa”, como nos ensina o lúcido e imenso Chico César.


Em terceiro lugar “é preciso um método que nunca separe a teoria da prática, o raciocínio da vida. Ora, esse método está contido na filosofia do materialismo dialético.”

Trabalhador e operário estudando filosofia? Isso é um sacrilégio ao olhar do burguês e os manuais que eles escrevem só inspiram desânimo pela dificuldade de assimilação. São escritos para isso.

Essa dificuldade de entendimento  foi superada e desmistificada por Georges Politzer no seu livro Princípios Elementares da Filosofia, leitura que recomendamos.
Devemos lutar para vencer essa investida que o governo Bolsonaro e seus conselheiros tentam nos impor, com a receita do mágico autodenominado filósofo Olavo de Carvalho. Eles sugeriram e aprovaram uma grande mudança pedagógica na grade escolar do ensino médio, tornando opcionais os estudos das ciências sociais, principalmente da Sociologia e Filosofia, com os aplausos de alguns dos nossos.
É preciso que o trabalhador aprenda a escutar o canto da Sereia sem se jogar ao mar e que tenha sempre presente que o capital não existe para fazer filantropia e sim para gerar e acumular lucro.

Paulo Freire, que implantou um método de alfabetização que tem o sugestivo nome de Pedagogia do Oprimido nos ensina que:

Recordemos o que diz o Dr. Alysson Mascaro, professor laureado da USP:

“Eles não são os donos do porrete, mas se tornam amigos do dono do porrete para não apanhar. Eles não apanham, mas em compensação batem. E batem mesmo sem ser por vingança, apenas para agradar ao dono do porrete.”

Uma frase atribuída a Thomas Jeferson que diz:

“O Preço da Liberdade é a Eterna Vigilância”, pense sempre nisso!

 

Consulta: https: //docero.com.br; Princípios Elementares de Filosofia – Georges Politzer; Ideologia Alemã – Karl Marx; O Capital e A Miséria da Filosofia – Karl Marx;

Fotografias e gráficos https://fernandonogueiracosta.wordpress.comhttps://br.pinterest.com;Classes sociais (slideshare.net);

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