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O Padre Constituinte da Vila de São Vicente das Lavras

A Vila de São Vicente das Lavras viveu tempos áureos, sempre fez parte de importantes decisões políticas e foi palco de acontecimentos decisivos para a História do Brasil. Infelizmente, a nossa história foi mal contada, deixando de fora fatos fundamentais para o desenvolvimento de lugares pouco citados e visitados pelos seus feitos. Os maiores e mais respeitáveis acontecimentos para a construção do Brasil tiveram o Nordeste brasileiro como protagonista, mas sempre omitidos da história oficial.

Durante a nossa vida escolar estudamos a Independência do Brasil como um acontecimento pacífico e um ato heroico do Príncipe Regente – Pedro de Alcântara – herdeiro da Casa de Bragança.  Sem saber que foi o Nordeste, em especial, o Cariri cearense, os grandes responsáveis pela sua consolidação, numa guerra onde muitas vidas foram ceifadas em nome da liberdade, e essas vidas incluíam populares e não soldados treinados. Semente disseminada pelos sediciosos da Revolução de 1817. 

Com o retorno da família real para Portugal, a pressão política brasileira aumentou, e se fazia necessária à formação de uma Assembleia Constituinte e Legislativa Brasileira, para isso, um grupo de intelectuais, composto de magistrados, membros do clero, fazendeiros, senhores de engenho, altos funcionários, militares e professores foram convocados a participarem das eleições nas províncias brasileiras e escolherem seus representes.

No dia 03 de junho de 1822, foi expedido um Decreto Real onde ordenava o procedimento das Eleições de Deputados para a Assembleia Geral Legislativa e Constituinte, ela seria instalada na cidade do Rio de Janeiro, as Instruções para as eleições dos constituintes foram expedidas em 19 de junho do mesmo ano, e previam um total de 100 deputados das 14 províncias existentes no Brasil naquela época.

Tomaram assentos 84 deputados, e da Província do Ceará foram eleitos sete deputados, dos quais, dois eram padres e tiveram assentos na Assembleia Constituinte e Legislativa de 1823. Um deles foi o padre José Joaquim Xavier Sobreira, lavrense, ordenado no Seminário Nossa Senhora das Graças de Olinda, o outro, foi o cratense José Martiniano de Alencar que se manteve diácono.

O nosso nobre conterrâneo, padre José Joaquim Xavier Sobreira, foi homem de grande projeção e político atuante participou ativamente dos Movimentos Pró-Independência do Brasil. Em 1821, foi eleito procurador geral da Província do Ceará junto ao Conselho de Procuradores Gerais das Províncias do Brasil; integrou o Governo Temporário do Ceará que teve como presidente o Capitão—Mor José Pereira Filgueiras, tomando posse em Fortaleza no dia 23 de janeiro de 1823e, no dia 27 do mesmo mês foi nomeado emissário da Câmara do Cratopara explicar na Corte, ao Imperador, os motivos da criação do Governo Temporário do Icó. Presidiu o Colégio Eleitoral do Icó, sendo eleito Deputado Constituinte pela Província do Ceará, atendendo aos termos do Decreto de 03 de junho de 1822, a tumultuada eleição foi realizada no dia 16 de outubro de 1822, na Vila do Icó e contou com três colégios eleitorais: Aracati, Icó e Sobral; dentre os eleitos padre José Joaquim Xavier Sobreira foi um deles com 146 votos representando as referidas Vilas.

No dia 16 de maio de 1823, foi convocado pelo Bispo Capelão-Mor e presidente da Assembleia, D. José Caetano da Silva Coutinho para assumir seu assento na Assembleia, onde foi membro das Comissões dos Poderes, tomando posse no dia 24 de setembro do mesmo ano com a seguinte redação:

Anunciou-se que estavam á porta da sala os Srs. José Joaquim Xavier Sobreira e Manoel Ribeiro Bessa de Hollanda Cavalcanti deputados pela província do Ceará, e o Sr. Antônio Teixeira da Costa pela de Minas-Gerais; e sendo introduzidos na forma do estilo prestarão juramento, e tomarão lugar na assembleia. (Anais do Senado – Livro 5. p,220).

Padre José Joaquim Xavier Sobreira e seus dois irmãos, também sacerdotes, Francisco Xavier Gonçalves Sobreira, vigário de Marvão no Piauí, e Cosme Francisco Xavier Sobreira, vigário de São Mateus dos Inhamus, hoje, Jucás, participaram das agitações independentistas de 1822, como participaram dois anos mais tarde do Movimento Revolucionário de 1824, aderindo a Confederação do Equador.  

Teve uma vida agitada como pároco e como político, falecendo aos 50 anos de idade em sua terra natal, no dia 27 de maio de 1827, sendo sepultado na Matriz de São Vicente Ferrer. Segundo informações dos antigos moradores do Sítio Logradouro, reduto da família Xavier Sobreira, ele fora envenenado pela sua madrasta Cosma Francisca de Oliveira Banhos, cuja, conduta irregular o sacerdote abominava.

Foi um grande homem, prestigioso político e sacerdote atuante, vítima de uma trama macabra própria de famílias ricas, poderosas e prestigiosas. Comum na história da humanidade. Os detalhes dessa trama e assassinato, o nosso escafandrista Dimas Macedo, contará no seu novo livro sobre esse grande lavrense, talvez, o maior que será publicado em 2023. Aguardemos.

Fonte: www.camara.leg.br; CEARÁ. Assembleia Legislativa. Memorial Deputado Pontes Neto. Os clérigos católicos na Assembleia Provincial do Ceará: 1821-1889. Fortaleza, 2015;MACEDO, Joaryvar. Lavras da Mangabeira Primordiosa Vila. Instituto do Ceará, 1979.

 

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