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Mobilidade , uma necessidade urbana

 

O gênero humano sempre teve necessidade de se locomover e essa é uma realidade remanescente aos primórdios da sua existência na face da terra. Quando o Homo Sapiens desceu das árvores em direção às cavernas estabelecendo o início da sua saga, preocupou – se em se proteger da agressividade de outros animais e em encontrar alimentos que assegurasse a sobrevivência da sua espécie. Teria início também um processo milenar de adaptação que acompanharia a espécie humana vida afora, numa época em que o ser humano temia os animais e deles fugia, diferentemente dos dias atuais em  que os medos se inverteram e os humanos  é que  causam temor aos animais.

O Antigo Testamento que é a narrativa histórica de um povo, registra a mobilidade de várias etnias, muitas delas enfrentando grandes distancias a pé e em diversas regiões do oriente médio. Destacamos a história do profeta Jacob e seus filhos, em busca do trigo produzido no Egito, para o alimento da família e dos escravos em anos de graves secas previstas nos sonhos da fascinante história de José e seus irmãos, desde Ruben o mais velho, até Benjamim o mais novo, que foram progenitores das doze tribos e as suas numerosas descendências.

A Mobilidade de Moisés

A mais famosa de todas as mobilidades da história humana antiga, foi sem dúvidas a fuga de Moisés para o Egito, desafiando o poderio do Faraó, assumindo a condução do seu povo para a terra prometida. Em que pese a idade já avançada, o trajeto que durou 40 anos na travessia do deserto do Sinai não lhe permitiu alcançar o seu destino e, por escolha divina ele foi sucedido por Josué, que abriu caminho à fio de espada para chegar ao local apontado pela divindade, a Terra de Canaã.

A Mobilidade de Antônio Conselheiro

Outras movimentações de multidões humanas ocorreram ao longo dos milênios e uma delas ocorreu no nordeste brasileiro. Foram os caminhos percorridos por Antônio Conselheiro com mais de 600 Km de extensão, o que comprova que a mobilidade das pessoas não é nenhuma novidade e está cada vez mais presente nos dias atuais, passando a ser uma grande preocupação do mundo moderno.

A mobilidade foi crescendo na medida que surgiam e cresciam os aglomerados urbanos cada vez mais adensados e mais numerosos. Hoje em dia transformou – se numa preocupação de maior magnitude no interior das cidades e vem sendo tratada como uma política pública que ocupa lugar de destaque nas preocupações coletivas, exigindo a cada ano mais atenção e mais investimentos.

Podemos definir a Mobilidade Urbana como a condição criada através de diversos modais de transporte, para permitir que as pessoas se desloquem no menor espaço de tempo entre as diferentes zonas e bairros de uma cidade com objetivos e propósitos diversos.
Essa movimentação  têm motivação diversa e geralmente ocorrem quando da necessidade de deslocamentos, seja para o trabalho, para a escola, para reuniões diversas, para prática de esportes e até para o lazer etc.

As distancias é que definem os modais de transporte que deverão atender às necessidades dos deslocamentos dos transeuntes, podendo variar desde o translado pura e simplesmente feito a pé, até o uso de transportes individuais e coletivos, motorizados ou não.
Nos dias atuais os automóveis particulares e os transportes públicos são os meios de transporte mais usados nos deslocamentos das pessoas, notadamente nos grandes centros urbanos e nas grandes metrópoles, constituídas de vários municípios populosos na sua área metropolitana, como por exemplo as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

A superpopulação automotiva nas cidades e o inchaço nas estradas, têm ocasionado engarrafamentos quilométricos, exigindo um planejamento adequado do translado, com a adoção de frota de veículos apropriadas, de forma a minimizar os congestionamentos e reduzir o tempo do percurso. Tanto nas questões atinentes à mobilidade urbana como na prática do futebol existem treinadores em todas as esquinas a propor soluções miraculosas, a maioria delas bem intencionadas  mas tecnicamente  inexequíveis.

As opiniões são as mais diversas e as mais corriqueiras são no sentido de alargar as ruas para comportar um maior volume de tráfego ou construir viadutos e pontes em número exagerado e muitas vezes até desnecessários, muito mais para embelezamento da paisagem urbana do que para solucionar o problema.
Na Paraíba o mais marcante exemplo é a pequena cidade de Bananeiras que experimenta um crescente afluxo turístico atraído por motivação ecológica e contemplativa, com um número cada vez mais crescente de pessoas que procuram uma vida mais sossegada e mais pacata, fugindo da vida agitada das cidades. Pelas informações que conseguimos de pessoas da própria cidade, Bananeiras possui hoje em dia mais de 20 empreendimentos autorizados entre Condomínios e Loteamentos, além de 16 em construção. Isso sem nenhum indicativo de uma criteriosa ocupação, que leve em conta a saturação de toda infraestrutura urbana da cidade, inclusive a mobilidade urbana.

Vista Panorâmica de Bananeiras

Hoje em dia, o número de condomínios de Bananeiras é desproporcional ao pequeno porte da bela, agradável e bucólica cidade. Os sítios e fazendas circunvizinhas vêm sendo transformados em médios e grandes empreendimentos imobiliários, sem levar em conta a infraestrutura urbana existente como já enfatizamos.

A feição urbana da cidade com o seu aspecto arquitetônico colonial, não aconselha nenhuma intervenção que venha macular a sua arquitetura e o traçado urbanístico original que é um dos cartões postais da cidade, sem correr o risco de descaracterizar o que a cidade tem de mais belo a oferecer.
Além do mais, todo novo habitante de Bananeiras, seja ele temporário ou definitivo, chega trazendo consigo, no mínimo dois veículos automotores, que serão incorporados à frota da cidade passando a compor o cenário urbano e complicando ainda mais o já congestionado trânsito da pequena, pacata e bela cidade.

A última festa junina ocorrida de forma presencial em junho de 2019, antes do início da pandemia do Covid 19, foi o maior exemplo de caos urbano ocorrido na cidade. Uma amiga da minha companheira Gorette, editora deste sitio, é professora e mora aqui na Parahyba. Tanto ela como o esposo são de Guarabira e para lá sempre se deslocam em visita frequente aos pais. Lá estando na véspera do São João, resolveram ir em família até Bananeiras, a uma distância de 38 Km, com o propósito de presenciar os festejos juninos, os quais incluem um belo e ambientalmente perigoso espetáculo pirotécnico que ocorre por volta de meia noite e  em seguida iniciaram  o retorno à Guarabira.
Pois bem, do centro da cidade até o distrito de Roma, a apenas 12Km de distância, gastaram em torno de 4 horas. Precisa dizer mais?

Feitas essas considerações e reconhecendo a nossa limitação sobre o tema mobilidade urbana, temos o propósito de elencar algumas sugestões que não são conclusivas, mas que são transversais à vida de qualquer cidade e aos seus problemas estruturais.
Muitas vezes se ressentem da falta de um plano diretor abrangente que possa harmonizar as políticas públicas urbanas dos diversos municípios circunvizinhos, tais como: abastecimento de água, coleta e tratamento dos esgotos sanitários, drenagem urbana, coleta e destinação dos resíduos sólidos, além da própria política de mobilidade urbana.

No nosso modesto entendimento o problema da mobilidade urbana não será resolvido apenas alargando ruas e construindo pontes e viadutos, abrindo espaços para mais e mais veículos particulares, pois se assim o fosse e mal comparando, poderíamos resolver o problema da obesidade apenas afrouxando o cinturão.
É prudente que haja um controle no número e na circulação desses veículos e um investimento maciço no modal de transportes de massa, principalmente os trens suburbanos e trens metropolitanos, preferencialmente de superfície, quando tratar-se de cidades de porte médio ou grande, como é o caso da nossa capital.

Certa vez nos encontrávamos de passagem na estação da Sé do metrô de São Paulo e paramos um pouco para contemplar o movimento de passageiros, que pela intensa movimentação mais se assemelha a um formigueiro humano. Na ocasião nos veio à mente uma interrogação silenciosa feita a nós mesmos: se esta cidade não tivesse construído a malha viária de trens metropolitanos, mesmo que  ainda insuficiente, como estariam as suas ruas? Com certeza completamente travadas e intransitáveis e apinhadas de veículos individuais e em condições muito piores do que as atuais.

Agora voltemos o nosso olhar para a nossa capital Parahyba em que os problemas de tráfego são de menor magnitude  mas presentes, e para ela  enxergamos uma solução bem mais simples e bem menos onerosa que seria transformar os trens da CBTU já existentes, em trens metropolitanos com um investimento provável de metade do preço. De forma resumida e simples, a ideia seria usar a via férrea já existente entre Santa Rita e Cabedelo, sem nenhum custo adicional com desapropriações, já que o leito e o azimute do trajeto já estão definidos e em uso.

É verdade que seria necessário melhorar e alargar um pouco a via férrea existente, alargar a bitola dos trilhos adotando o valor padrão internacional de 1435 mm (1,435m) para que o rebaixamento do centro de gravidade dos vagões permitisse maiores velocidades sem risco de descarrilhamentos; estender a rede elétrica para alimentar as locomotivas ao longo de todo trajeto das linhas evitando assim o uso de combustíveis fósseis, preservando a atmosfera do lançamento do monóxido de carbono, uma das causas do efeito estufa; traçar um plano de integração entre os modais ferroviário e rodoviário, feito por VLTs ou Trólebus permitindo a capilaridade da cobertura, estendendo o serviço aos ramais secundários elegendo o complexo rodo ferroviário do varadouro como o grande centro de operação dos trens.

VLTs atualmente em uso.

Construir um novo terminal rodoviário interestadual em ponto estratégico, devidamente integrado ao sistema. Todo esse complexo não invalidaria em nenhuma hipótese o incentivo à construção de ciclovias para uso da bicicleta como uma alternativa de transporte, que além de ecologicamente correta, permite um exercício físico aeróbico excelente aos ciclistas, que também podem ser integradas.

Ciclovia na Av. Beira Rio JP

Com a reforma, construção e adaptação das estações ferroviárias existentes conferindo-lhes conforto mínimo aos passageiros, estaria pronta e em condições de tráfego a linha Santa Rita Cabedelo que seria a linha mestra, com perspectiva de ampliação futura para Cruz do Espírito Santo, Sapé, Mari e até Guarabira, de forma sustentável.

Como na zona Sul está a perspectiva de expansão horizontal da cidade, abrigando hoje em dia quase a metade da população da cidade, seria necessário ampliar as linhas para proporcionar o atendimento de um grande contingente populacional, de modo incorpora-los ao novo modal de transporte de massa, construído quase 100% de forma superficial, evitando desapropriações, reduzindo os custos e perseguindo a otimização do binômio custo x benefício.
Eis aí uma pauta para ser debatida pelos governos: federal, estadual e municipal, além do parlamento que no exercício do seu mister iria atuar com propostas de captação de recursos para financiar o projeto e não nos venham com o velho bordão de falta de recursos.
Basta retirar um quantum do vultosíssimo volume de recursos destinado ao pagamento do serviço da dívida, que representa um percentual de 53% do orçamento da união e reservar para investimento em obras destinadas ao bem estar da nação, afinal o governo existe para isso.

O artigo de hoje foi em atenção a um leitor/internauta que não se identificou mas nos merece toda a atenção. Esperamos ter correspondido à sua espectativa.

Alea Jacta Est! ou seja, a Sorte Está Lançada!

 

 

Conteudo: brasilescola

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Fotografias :www.filhosdeezequiel.com/livro-de-êxodo;

O que foi a Guerra de Canudos?

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