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Início Cristina Couto TAQUARI DO ENGENHO: a história de família

TAQUARI DO ENGENHO: a história de família

O engenho vinha sendo para mim um campo de recreio nas férias do colégio e da universidade. Fizera-me um homem entre gente estranha, nos exames, nos estudos, em casas de pensão. (José Lins do Rego).

No último sábado o Sitio Taquari foi uma verdadeira academia a céu aberto. A calçada da casa grande do saudoso Zé Cândido foi palco onde Batista de Lima homenageou seus ancestrais, lançou um livro e acendeu o fogo morto do velho engenho da sua infância, impregnando o ar com o cheiro do mel e do melaço e na sonoridade da rima, da prosa e da poesia fez todo o povo delirar.  Naquela noite todo o ambiente foi contaminado de letras e de cultura.

A grandiosidade poética de Batista de Lima arrastou uma boa quantidade de parentes, amigos e admiradores para ouvir histórias cambitadas da sua memória que passadas nas moendas das lembranças tibornou crônicas, revivendo doces momentos, rememorando as novenas, procissões e folguedos, presenteando os convidados com recordações dos antigos costumes e brincadeiras inocentes de outrora vividas por todos que ali estavam. As paredes da sua memória foram transferidas e eternizadas nas páginas de sua obra.

Na rapaduridade da sua poesia, a maturidade do poeta fez homenagens em forma de poesias a todos que viveram por longos anos o cotidiano do engenho nas terras do Taquari.  O canavial ganhou letras, as caldeiras ganharam rimas e dentro dessa engrenagem até as fornalhas acenderam outra vez seu fogo movido à poesia, crônicas e histórias que seu autor jamais esqueceu.

O despertar das silenciosas madrugadas nos velhos tempos do Taquari eram rompidas  pela sonoridade do engenho que aos primeiros raios de sol iam se misturando ao som da passarada, dos chocalhos dos bois, do cantar do galo numa miscelânea musical aos sons polifônicos das moendas descompassadas pelos ritmos das batidas das colheres de pau no fundo dos tachos.  A cadência das pisadas dos burros e dos cambiteiros no bagaço de cana iam compondo um animado xaxado, deslizando os pés e os corpos tangendo os burros em direção ao engenho. Era sempre o mesmo som e as mesmas pisadas: potocó-potocó-potocó e tcha-tcha,tcha…

A algazarra dos trabalhadores, a alegria da meninada e o vai e vem das mulheres de braços fortes e mãos habilidosas puxavam o alfenim transformando as puxas em enormes cachos de rosas brancas, espalhadas num pano tão alvo como as nuvens do céu e tão cândido como o sobrenome do seu proprietário.

Foi na tibornada da vida, na batida do coração e no puxa-puxa das lembranças que o Batista de Lima trabalhou no engenho, ministrou aulas, fez discurso e poesia baseada na história que ficou gravada na sua memória esbanjando talento mundo afora.

Foram nas noites enluaradas, nas brincadeiras animadas e na poesia rimada que o poeta se inspirava e o homem se apaixonava. Fez da arte seu estandarte e da caneta seu bacamarte. Uma geração se foi, outra geração chegou, mas a terra permaneceu lá, sólida, firme e árida.

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