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Tristeza e Depressão I: na ótica dos sentimentos

Dando continuidade a mais uma reflexão sobre nossas emoções, quero iniciar com alguns esclarecimentos que achei importantes trazer para que não haja nenhuma dúvida quanto à finalidade destes artigos. Sob nenhuma hipótese é nosso objetivo substituir qualquer profissional de Medicina, Psicologia ou Psiquiatria.  Do ponto de vista espiritual, cada espírito é único ao longo de sua caminhada evolutiva. Somos todos criados puros e sem máculas. No entanto, a cada encarnação, que tem por objetivo nosso aprendizado, vamos contraindo débitos ou créditos que se acumulam em nosso espirito milenar. Cabe a nós, a escolha do que queremos ser e como queremos viver. Lembrando sempre do que  disse o Apóstolo Paulo “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. Nossa proposta de trazer ao público, independente da religião que se pratique, é a da busca do autoconhecimento. É verdade que sempre apresento questões relacionadas à Medicina Espiritual à luz da Doutrina Espirita, fazendo contraponto ou complementando informações à Medicina Terrena.  No entanto, como a Medicina dos Espíritos busca ver o homem como um ser integral e se dedica à causa das doenças que se alojam no corpo espiritual, jamais entrará em conflito com a Medicina praticada neste Plano, pois esta, cuida dos efeitos das doenças no corpo físico. Assim sendo, a medicina terrena, física, cuida do corpo físico, e a medicina espiritual cuida do corpo espiritual, contudo, por serem corpos interconectados, uma interfere na outra.

Hoje adentraremos em mais um tema, que dada a sua especificidade, dividiremos em duas partes. Neste, vamos conceituar cada um dos sentimentos e na próxima, nos aprofundaremos um pouco mais nas consequências e no tratamento da depressão, inclusive como se processa no idoso.

Nos acostumamos a falar de tristeza e depressão como se fossem a mesma coisa. Há quem acorde dizendo; “Hoje estou meio depressivo”. Mas há uma grande diferença. A tristeza é uma emoção natural e, se soubermos lidar com ela, pode nos trazer benefícios. Sim, benefícios. Considerando os ensinamentos da doutrina espírita, somos construtores de nosso destino e ele se desenvolve a nossa frente a partir das escolhas que fazemos a cada instante. Podemos parar, analisar, e analisando os sentimentos refazermos os caminhos que trilhamos.  Não podemos é dar força a essa tristeza, deixar que ela permaneça em nosso campo energético por muito tempo. A mente plasma (constrói) sua própria atmosfera e seus sentimentos, imprimindo a si mesma a máscara do egoísmo, do pessimismo e do terror. Ou toma a atitude de expressar-se com otimismo e alegria. Sua atitude repercute na própria evolução e no próprio desenrolar de seu meio.

A saúde humana é o resultado da ação da mente sobre os milhares e milhões de seres microscópicos que nascem, crescem, convivem e morrem diariamente na intimidade do seu corpo físico. No entanto, nosso poder mental pode acionar nossas defesas imunológicas e promover o equilíbrio do mundo orgânico e coordenar o desenvolvimento de milhões de vírus, bactérias e outras formas que se aglomeram no nosso corpo. Daí ser de suma importância estarmos em equilíbrio com nossas emoções para que, com idêntico poder, comandarmos o nosso metabolismo, transferindo para o corpo físico todos os comandos provenientes do espirito. É conhecendo a mente que se compreende melhor como, por exemplo, as pessoas pessimistas, deprimidas ou sem o devido controle das emoções podem favorecer a proliferação dos vírus e bactérias e das inúmeras enfermidades do corpo e da alma.

A depressão pode ter início em forma de tristeza, sendo ela um pouco mais teimosa. Pode apresentar-se de forma a anular nossos interesses pelas questões essenciais de nossa vida, nos deixando melancólicos, logo transformado uma simples tristeza em patologia.

Faço questão de lembrar que a depressão, assim como todas as doenças mentais, é um convite à revisão da forma como vivemos a vida, nos convidando a uma profunda reflexão de nossos atos, ressaltando que a vivencia da tristeza e da depressão é bem diferenciada.

Sinto a necessidade de introduzir o tema da tristeza e da depressão, neste artigo, em função do momento que vivemos de perdas de entes queridos e da tristeza provocada pelo luto, gerando baixa emocional e depressão.  É importante sabermos que o luto é uma reação normal e esperada em função da perda. Cada pessoa tem uma forma de sentir e viver o luto. Algumas pessoas podem apresentar sensações de tristeza, insônia, perda de apetite e de peso. Sintomas idênticos de um episódio depressivo. A pessoa enlutada pode considerar seu humor deprimido como “norma”, embora possa buscar auxilio profissional para o alivio dos sintomas. É necessário observar a duração do luto que podemos entender como “normal”, uma vez que pode variar consideravelmente entre grupos culturais. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, o diagnóstico de psicopatologia geralmente não é dado, a menos que os sintomas ainda estejam presentes oito semanas após a perda. No entanto, a presença de certos sintomas não característicos de uma reação “normal” de luto é útil para diferenciá-lo dos sintomas de uma depressão. Nestes casos, é comum o sentimento de culpa acerca de comportamentos e ações que o sobrevivente tenha realizado, ou não, à época do falecimento. A ideia de que teria que morrer com o ente falecido; experiências alucinatórias, o fato de achar que houve a voz ou vê “rapidamente” a imagem da pessoa falecida.

Independentemente do tempo, a tristeza discreta, que produz uma certa introspecção e gera fechamentos necessários no processo do luto, é parte do processo de ajustamento. A recusa, a revolta, o desgaste, o fechamento que leva ao isolamento e ao endurecimento são, entretanto, características da depressão.

Joanna de Ângelis vem contribuir com o nosso texto, lembrando que a depressão é semelhante a noite inesperada em pleno dia. “É nuvem ameaçadora que tolda o sol. É tóxico que envenena lentamente as mais belas florações do ser”.

Mas o que fazer, diante de tanto desalento que a depressão nos causa? Ainda a nossa autora recomenda: “imediatamente se deve usar a vacina da coragem e da prece. Para o ressentimento, o raciocínio lúcido, mediante o amor que não espera nada. E para a fúria, o refrigério da meditação, que recompõe as energias”.

 

Se com toda força que a Divindade nos destinou, como parte de seu amor a toda Criatura, não sejamos capazes de sair desse buraco que a depressão parece nos levar, procuremos ajuda de um profissional, não te envergonhes de parecer fraca ou fraco, pois precisamos ser bem fortes para buscar nossa cura. Lembre-se: a depressão, pode nos levar a caminhos inimagináveis. Por hoje, já temos uma boa dose de coisas para conhecer e refletir.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde!
    Cada vez um artigo melhor que o outro.
    E o mais interessante é que não cansa, ao contrário, nos instiga a querer mais. É como um bom livro, que quanto mais lemos mais queremos ler.
    Parabéns, a autora Neves Couras por nos presentear com esse conteúdo tão rico. Parabéns ao Vicente pela escolha da profissional.

    Roberta Fernandes

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