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O paralelo da minha vida com o curso do Rio

“A Geomorfologia é uma área das Ciências da Terra responsável pelo estudo das formas superficiais de relevo, tanto em suas fisionomias atuais quanto em seu processo geológico e histórico de formação e transformação. Esse campo do conhecimento é visto como uma área de intersecção entre duas diferentes ciências: a Geografia e a Geologia.”

Com esta definição chegamos ao nascedouro do nosso raciocínio para falar da bacia hidrográfica dos cursos d’agua que são rios e riachos, ou seja, dos caminhos dos cursos d’agua em sua direção ao mar.

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Esse tema desperta no nordestino do semiárido um interesse especial, haja vista a irregularidade no regime de chuvas, o que nos induz a lançar o olhar curioso para uma população de 32 milhões de pessoas que vive e convive de perto com esse fenômeno, por haver nascido, crescido e ser morador do semiárido.

                                                    Bacia Hidrográfica

A figura acima expressa em imagem o nosso raciocínio mostrando toda visão da uma bacia hidrográfica de um Rio e dos seus tributários ou afluentes.

A linha pontilhada em vermelho, delimita esquematicamente a bacia hidrográfica representadas pelos divisores de água, que é a cumeada das serras que a contornam.

Dá para perceber que existe um curso d’agua mais robusto que é o Rio principal e outros mais raquíticos que são os riachos afluentes, mas é do curso principal que queremos tratar aqui.

                                     Figura – 02  -Perfil da bacia hidrográfica
Os rios sempre têm três trechos muito bem definidos pela hidrologia, que são: o curso alto, o curso médio e o curso baixo, que podem ser associados à vida animal com uma denominação peculiar comparativa com: a  infância (curso alto), a juventude (curso médio) e  a velhice (curso baixo).

Isso se deve ao relevo terrestre que é declinante a partir das partes mais íngremes até as planícies. À medida que a declividade diminui o Rio perde velocidade e força. Daí a comparação com as partes já citadas e, no alto curso ou na infância o rio é como uma criança peralta que dá saltos ornamentais espetaculares (cachoeiras) e corre velozmente como fazem as crianças.

                                   Figura 03 – Perfil  dos trechos do Rio

No curso médio já não saltam tanto e as cachoeiras deixam praticamente de existir principalmente na fase transitória entre o curso médio e baixo, já na velhice, onde nem saltam mais nem correm, e escoam em   meandros em forma de serpente.

Mesmo assim, de uma forma ou de outra, dá para perceber que no seu caminho, o rio não se deixa parar pelos obstáculos que involuntária ou até propositadamente lhe é interposto no percurso, vencendo todos eles, um a um.

Para mim o rio é um grande exemplo de tenacidade, de garra e de determinação tendo me servido de paradigma durante toda minha vida, pois igual a ele, todos nós temos os intercursos que nos surgem e que precisamos superar.

Tomarei como exemplo um rio muito conhecido da população brasileira, notadamente a do nordeste brasileiro que é o Rio São Francisco, o chamado Rio dos Currais e que tem um curso total aproximado de 2800Km cortando o território brasileiro de sul a norte até chegar ao mar, onde as suas peculiaridades ilustram  o nosso exemplo da forma mais pedagógica possível.

                                        Figura  04 – Nascente do Rio São Francisco

O rio São Francisco nasce na serra da Canastra em Minas Gerais, numa altitude média de 1200m e como toda nascente, é apenas uma surgência de água que irá percorrer aproximadamente 2800 Km até o seu encontro com o mar.

O alto São Francisco tem uma extensão aproximada de 900 Km que vai da nascente até a cidade mineira de  Pirapora e é nessa parte que ele recebe o seu maior afluente, o Rio das Velhas vindo da região de Belo Horizonte, para enfrentar o seu primeiro obstáculo artificial que é a Barragem de Três Marias.

                           Figura 05- Barragem de Três Marias em Minas, Transbordando

Exatamente nesse ponto o rio nos dá o primeiro grande exemplo de superação ao se deparar com o paredão da Barragem, tendo seu curso bloqueado pela construção, ele procurou a várzea e se estendeu nela, mas mesmo assim não encontrando  uma saída, um caminho. Por isso começou a crescer, crescer, crescer e se os construtores não tivessem colocado um dispositivo chamado  extravasor ou sangradouro, ele teria rompido o paredão para seguir em frente.

                                Figura 06-Barragem de Xingo transbordando

A partir desse primeiro obstáculo o rio vai encontrar mais 7 outros que são: 1 barragem em de Sobradinho1 barragem em Itaparica4 barragens  em Paulo Afonso, e a última barragem  em Xingó, todas elas situadas no médio São Francisco que vai de Pirapora até a cidade de  Piranhas no estado de Alagoas, numa extensão de 1500 Km.

A sua parte final, ou o baixo São Francisco, se estende desde  Piranhas até a foz, numa extensão de 300Km, drenando no total,  uma bacia hidrográfica de 641.000Km2.

Observa-se que da mesma forma do Rio, na nossa caminhada de vida com certeza iremos sempre encontrar que obstáculos que precisam serem transpostos e é aí que reside a medida da nossa grandeza e aí que se mede a nossa capacidade. Pode até ser difícil, mas com certeza  é possível .  Se o Rio consegue, sigamos o exemplo do Rio e caminhemos resolutos. É a natureza mais uma vez nos ensinando. Pense nisso!

                                           Figura 07- vencendo  obstáculos
 
 
 
 

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