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Entenda por que os sinos dobram

 

 

Ernest Hemingway, o famosíssimo escritor estadunidense, autor de algumas obras notáveis como o livro O Velho e o Mar pelo qual recebeu o prêmio Pulitzer, foi correspondente de guerra na Espanha durante o período da guerra civil, na década de 1930 do século passado. 

No período citado lhe coube a incumbência  de acompanhar e narrar o conflito armado entre às denominadas falanges espanholas de extrema direita, lideradas pelo general entreguista Francisco Franco, com o apoio de Hitler e Mussolini.   O conflito  foi travado contra as forças democráticas representadas pelos nacionalistas espanhóis, os quais tinham a simpatia e o apoio das forças populares e progressistas do mundo democrático e enxergavam em Franco a negação de tudo isso. Num exemplo de solidariedade internacional prática e    voluntaria, receberam importantes apoios em que o maior exemplo foi o do   escritor católico inglês, Georg Orwell que decidiu pegar em armas e se incorporar à luta contra o totalitarismo que rondava o mundo.

No plano interno contou com o apoio de lideranças da envergadura de Dolores Ibárruri, codinome la Pasionaria, líder política e militante revolucionária de origem Basca, e a luta era de fato, contra o conservadorismo reacionário e ultradireitista do general Francisco Franco, aliado de Hitler e Mussolini, militarmente apoiado por eles como já dissemos.  Como   prêmio pelo apoio ao caudilho espanhol, teriam direito ao uso do território nacional como campo de experimentos de testes da máquina de guerra nazifascista, que em seguida deflagraria a II guerra mundial com a invasão da Polônia em 1939.

A Espanha de Franco foi o laboratório das atrocidades nazifascistas, que depois se voltaram contra a humanidade e no decorrer do conflito, Hemingway escreveu aquela que talvez tenha sido a sua maior obra, que tinha o sugestivo título: “Por Quem Os Sinos Dobram,” película vivida nas telas do cinema num filme estadunidense de 1943, estrelado por Gary Cooper e Ingrid Bergman, sob a direção de Sam Wood. 

No livro, ele narra o desenrolar de toda guerra civil espanhola e registra o morticínio praticado contra a população civil desarmada, o que foi também mostrado na famosa tela do maior pintor espanhol de todos os tempos, Pablo Picasso, a conhecidíssima  Guernica, nome da sua cidade natal que fora bombardeada.

Tela de Pablo Picasso – Guernica

No Introito do livro, ele faz uma citação que passou à história, de autoria do poeta inglês John Donne, que diz o seguinte:

“Nenhum homem é uma ilha, isolada em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso nunca pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti” (John Donne)

Os morticínios mundiais diversos ocorridos ao longo do tempo, foi o tema abordado pelo indefectível Frei Beto, em que ele compara o balanço trágico de mortes neles ocorridas com o número de mortes  da pandemia da covid 19 que assumiu no nosso país uma proporção alarmante, mesmo dispondo de um dos melhores sistemas de saúde pública do mundo que é o SUS. As mortes contabilizadas até o presente momento, suplantam os números registrados em várias guerras e até o somatório delas e  até mesmo o número de mortes por catástrofes naturais ou provocadas, o que nos coloca em posição nada confortável.

Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Beto filósofo, teólogo da libertação, jornalista, escritor, cronista e palestrante inigualável, para nós o melhor do Brasil atual, produziu mais um artigo da sua fecunda lavra, dedicado ao falecido ator Paulo Gustavo, publicado na quarta-feira, 12 de maio de 2021.

O artigo tem um título interrogativo: Resta-me Humanidade? em que ele estabelece uma correlação entre o número de mortos pela atual pandemia e algumas conflagrações bélicas mundiais, sobre as quais vale uma reflexão de todos nós.

Guerra Civil Espanhola

Em primeiro lugar ele faz referência às perdas de vidas humanas na guerra do Paraguai, uma mancha vergonhosa na nossa história, pelo fato do Brasil ter sido usado pela Inglaterra, em consórcio com a Argentina e o Uruguai, para sufocar um país que procurava a auto sustentação e construía a sua soberania.

O Paraguai tinha um futuro promissor e estava com os silos cheios de alimentos e, no campo industrial já produzia navios de grande porte Isso causava insônia à coroa inglesa, o gigante imperialista da época, que desfechou  um ataque  por motivos banais, sendo ao fim da guerra que se seguiu,  praticamente riscado do mapa, liquidando seu futuro como país emergente.

Com toda desvantagem resistiu heroicamente até os últimos homens adultos, restando-lhe como saldo, uma população de anciãos inválidos e crianças órfãs, além de parte da população nativa que sobrou do massacre colonialista espanhol. O escritor paulista Júlio Jose Chiavenato, no seu famoso livro O Genocídio Americano, reescreveu a história oficial da guerra do Paraguai que até então era contada unilateralmente pelos vencedores.

Ao fim da guerra genocida, o saldo macabro de mortos do conflito que durou   06 anos foi o seguinte:

01 – Uruguai

3,120 mortos

02 – Argentina

18.000 mortos

03 – Brasil

50.00 mortos

04 – Paraguai

200.00 mortos

Total

271,120 mil mortes

Arraial de Canudos – A luta heroica do Sertanejo
  • Se acrescermos a esse total o saldo macabro da guerra de Canudos, onde morreram 25.000 pessoas pobres do campo, teríamos um total de 296.120 pessoas.
  • Um outro conflito citado foi a guerra do Afeganistão que durou 14 anos e teve 149 mil mortes.
  • As bombas lançadas pelos Estados Unidos no Japão, primeiro sobre Hiroshima que matou 140.000 pessoas, depois sobre Nagasaki resultando em 74.000 mortes, totalizaram 214 mil mortes. 
  • Agora, no Brasil, durante a pandemia que perdura desde 12/03/2020, os registros oficiais contabilizam 439 mil mortes e cientistas da FIOCRUZ têm informado que esse número é maior.
Naufrágio do Titanic

A pandemia da covid 19 comparada ao naufrágio do Titanic onde viajavam 1,5 mil passageiros, corresponde ao total de pessoas presentes em 266 navios. Se a comparação for com as torres gêmeas de Nova York onde morreram 2,996 mil pessoas, o número de mortes corresponderia à soma de 134 torres gêmeas.

Será que alguém, em sã consciência acha isso normal? 

Será que se Bolsonaro fosse presidente de um outro país ainda estaria impune?

Ataque ás Torres gemes de Nova York

 

Quando afirmamos que a responsabilidade é do presidente Jair Bolsonaro, é por entendermos que cabe   ao presidente da república, a responsabilidade pela formulação de políticas públicas que poderão ser executadas diretamente pelo governo central, ou em parceria com estados e municípios  atendendo a um direito inalienável do cidadão e cumprindo  com uma obrigação indeclinável   do  presidente da república. 

Resumindo: ao governo federal compete a elaboração e definição das políticas públicas de saúde além do provisionamento orçamentário correspondente para a prestação direta ou em parceria com as instancias estadual e municipal, ponto.

Portanto esse bordão repetido como um mantra de que a responsabilidade é de A ou B, não pode justificar a alegativa de que o problema existe, mas o presidente da república é apenas uma parte dele. Isso é ignorar que Jair Bolsonaro não é parte do problema mas sim  o próprio problema.

Desde o anuncio de que uma pandemia grave rondava o Brasil, o atual presidente numa das suas alucinações cometeu diversos  atos de imprudência passando a adotar  a adotar a cada mês, a cada semana, a cada dia, uma prática negacionista recheada de tiradas irônicas e, do alto da sua ignorância cientifica, chegar a prescrever medicações ditas preventivas, ignorando por completo dois princípios básicos de epidemiologia que é a quebra da propagação através do isolamento e a vacinação em massa como forma de imunização, ponto.

Bolsonaro, abraçado com a sua ignorância de origem, operou contra os dois princípios epidemiológicos citados e ainda desperdiçou recursos públicos com a fabricação de vermífugos para “tratamento preventivo” para tratamento de uma virose, (pasmem) contribuindo para a incidência de problemas cardiovasculares que resultou em várias mortes.

Ora, não é preciso ser especialista para saber que   vermífugos devem ser prescritos em dose única e uma vez por ano. Por inspiração equivocada ou de má fé nos desvarios bolsonaristas, alguns profissionais de saúde passaram a prescreve-los por cumplicidade, exigindo que o paciente assinasse um termo de responsabilidade, provavelmente para salvaguarda jurídica futura, o que por si só já evidencia indício de má fé.

 A grande vítima de toda essa incúria é o povo brasileiro, submetido ao fogo cruzado de interesses diversos e continua morrendo em números crescentes e por tudo isso foi que Frei Beto fez a provocação ao perguntar:

Resta-me humanidade?

Consultas: Instituto Humanistas Unisinos 

Fotografias: outraspalavras.net; www.pstu.org.br;  bbc.com GETTY IMAGENS;

 www.plenonews;  folhadaregiao.com.br

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