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A diminuição do poder aquisitivo dos agricultores e o desuso do botijão de gás

É amplamente conhecido o aumento constante do valor Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), também conhecido como “Gás de Cozinha”, o qual, em linhas gerais, é uma mistura dos gases condensáveis propano (C3H8) e butano (C4H10) – presentes no gás natural ou dissolvidos no petróleo bruto (Crude Oil) a partir da separação durante o processo de refinamento.

Para o Banco Mundial, o tipo de combustível utilizado na preparação de alimentos é um dos critérios utilizados para avaliar os níveis de renda da população mundial.

Em 2016, o Brasil possuía, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios contínua anual (PNAD), cerca de 68.899.000 milhões de unidades domiciliares em que residiam cerca de 204.532.000 milhões de brasileiros. Desse universo, cerca de 36.273.000 milhões de brasileiros utilizavam lenha ou carvão como combustível na preparação dos seus alimentos, ou seja, cerca de 17,7% dos moradores em domicílios. Em 2019, o Brasil atingiu a cifra de 209.496.000 milhões de habitantes, dos quais cerca de 21,2% da população utilizava a lenha ou carvão como combustíveis na preparação dos alimentos. Esse aumento de 3,5% em relação a 2016 no consumo de lenha ou carvão corresponde a cerca de 44.442.000 milhões de habitantes. Isso quer dizer que uma em cada cinco famílias brasileiras se utiliza da lenha ou carvão para preparar seus alimentos.


Para se ter uma comparação, no último mês de Governo do PT da presidenta Dilma Rousseff (PT), em maio de 2016, o valor do gás (GLP) em botijões de 13 kg equivalia, em média, a R$ 53,38, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no preço final ao consumidor, isto é, na revenda a varejo. Em fevereiro de 2021, já no Governo de Bolsonaro (ex PSL), segundo a mesma Instituição, no Brasil, o preço médio do gás (GLP) em botijões de 13 kg atingiu R$ 83,34, podendo ser encontrado em diversas regiões do país a R$ 110,00. Quando se trata de compras realizadas a credito ou em crédito parcelado pelo cliente, esses valores podem aumentar consideravelmente dependendo da região.

Segundo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado em 12 de janeiro deste ano pelo IBGE, a alta do gás (GLP) em botijões de 13 kg correspondeu a 9,24%, ou seja, mais que o dobro da inflação anual de 2020, que foi de 4,52%. É importante fazermos um paralelo com os indicadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) no que se refere à estratificação da Inflação por Faixa de Renda, na qual se observa que a população residente em domicílios de renda muito baixa (que ganha menos que R$ 1.601,18) foi uma das mais atingidas pela inflação de 2020, já que a mesma correspondeu para essa parcela da população um percentual de 5,33%.

É notório o fato de nas comunidades rurais dos municípios interioranos estarmos vivenciando a substituição da matriz energética de preparação de alimentos entre o gás (GLP) em botijões de 13 kg e o uso da lenha ou carvão – combustível sólido. Ao passar em vários municípios paraibanos nos confrontamos diariamente com pilhas e mais pilhas de madeira nativa cortada e estocada nos quintais das residências, fato esse não vislumbrado em anos anteriores.

O método rudimentar de preparar alimentos no fogareiro – fogões rústicos – das residências nas comunidades rurais já está se consolidando novamente de forma mais acentuada devido aos sucessivos aumentos do gás (GLP) em botijões de 13 kg, após anos em queda devido ao consumo crescente de derivados de petróleo e gás natural.

Todos sabemos que é tradição nas residências do interior a preparação de alimentos em fogareiro utilizando lenha ou carvão, no entanto, há consequências à saúde, porque, nos ambientes onde estão instalados esses equipamentos, a ventilação é pouca, o que expõe o indivíduo aos poluentes advindos da queima do combustível sólido. 

Outro fator negativo para o uso de lenha ou carvão no preparo dos alimentos é que o material lenhoso é proveniente de fontes não renováveis, portanto, o uso desse combustível nas atividades culinárias contribui significativamente para o impacto no aquecimento global e o aumento da emissão de gases de efeito estufa.

A maior preocupação de todas é o fato de que economistas apontam que o uso da lenha e carvão na preparação de alimentos é um reflexo direto do empobrecimento da população brasileira, principalmente diante da diminuição do poder aquisitivo financeiro das famílias brasileiras que ganham abaixo de R$ 1.601,18, desencadeado pela inflação, desemprego e a pandemia do COVID-19. 

Foto divulgação: Um quinto das famílias brasileiras já usa lenha ou carvão para cozinhar.

Fonte: https://flaviochaves.com.br/2019/05/23/um-quinto-das-familias-brasileiras-ja-usa-lenha-ou-carvao-para-cozinhar/. Data: 23/05/2019. 

Foto divulgação: Gás de cozinha sobe mais que o dobro da inflação em 2020.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-01/gas-de-cozinha-sobe-mais-que-o-dobro-da-inflacao-em-2020. Data: 12/01/2021. 

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3 COMENTÁRIOS

  1. Cada dia temos o prazer de nos deleitarmos com este site que nos proporciona uma boa formação seja
    no campo da politica,da economia, da cultura, saúde, musica,arte etc.
    Hoje nos adverte sobre o nosso empobrecimento acarretado pela questão do PETRÓLEO sobre o qual quero acrescentar: o uso da lenha ou do carvão para cozinhar também está acontecendo ña periferia das grandes cidades

  2. Esta é uma triste realidade para o homem do campo, mas também das comunidades dentro dos centros urbanos, trazendo um eminente risco de incêndio, que se agrava devido a natureza dessas habitações , que muitas vezes são conglomerados construídos de materiais inflamáveis.

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