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Início Luiz Célio Rangel Vivência profissional pós aposentadoria (O idoso no mercado de trabalho)

Vivência profissional pós aposentadoria (O idoso no mercado de trabalho)

Nos dias atuais, tornou-se comum ver médicos, dentistas, psicólogos, advogados, engenheiros e outros profissionais, aposentados por idade e/ou tempo de serviço, exercendo suas atividades laborais em local próprio ou como empregados. 

A continuidade do exercício profissional pós aposentadoria está relacionada ao desejo de permanecer produtivo à sociedade, de ocupar o tempo ocioso de forma criativa e até mesmo como terapia ocupacional – um aporte à qualidade de vida. Dessa forma, cria-se um misto de alegações associadas ao equilíbrio socioeconômico ou como complemento dos rendimentos advindos da aposentadoria. Nesse contexto, a população brasileira está envelhecendo, um reflexo da “revolução da longevidade” – a maior conquista social do século XXI.

A longevidade saudável é, sem dúvida, um triunfo das ciências médicas – área multiprofissional relacionada à vida, à saúde e a prevenção de doenças.  Para o ano de 2050, as perspectivas de vida no Brasil, assim como em todo o mundo, é de que existirão mais idosos que crianças abaixo de 15 anos, um fenômeno nunca registrado.

A sociedade capitalista, muitas vezes, compreende o envelhecimento como um “problema”. Campanhas publicitárias subliminares disseminam estereótipos que estimulam a exclusão do profissional idoso do mercado de trabalho, às vezes grandes especialistas são banidos do exercício de sua profissão. O capitalismo selvagem impõe regras inflexíveis de produção, de agilidade e de modernidade. O idoso, por questões bio-psico-fisiológicas, pode apresentar algumas limitações ou pequenas dificuldades adaptativas, mas isso não o impossibilita de realizar seu trabalho com eficiência e eficácia. 

O envelhecimento humano não deveria ser visto apenas pela ótica da cronologia (da idade), é necessário ter a percepção de diversos outros aspectos, dentre os quais se destaca o caráter social acerca da senescência, isto é, todas as alterações que ocorrem no organismo humano ao decorrer do tempo, que não configuram doenças. Muitas pessoas têm dificuldade de vivenciar tranquilidade e harmonia na “terceira idade”, justamente por não encarar esse momento de forma realista, reconhecendo suas limitações e suas potencialidades. 

Nos países asiáticos a velhice é sinônimo de experiência e sabedoria. Via de regra, as pessoas idosas são tratadas com atenção e respeito. De modo oposto, as sociedades ocidentais contemporâneas incentivam a cultura utilitarista, a qual reduz as relações humanas como se fossem transações comerciais. O contraste entre o indivíduo como ser biológico e ser social configuram situações ambivalentes na legislação vigente, gerando entraves na modernização da legislação trabalhista, conservadora, que penaliza o idoso com plena capacidade laborativa.

O envelhecimento é um processo que deve ser vivenciado de uma forma saudável e autônoma o maior tempo possível. É recomendável que a pessoa idosa exerça a plenitude de sua cidadania, se envolva na vida econômico-social, política, cultural, religiosa, laboral e civil, para que envelheça de uma forma integrada e participativa. 

SENILIDADE E DEPRESSÃO

É importante diferenciar os termos senescência e senilidade, ainda que ambos estejam relacionados ao envelhecimento. A SENESCÊNCIA circunscreve todas as alterações presentes no organismo humano que não configuram doenças: cabelos brancos, queda de cabelo, rugas, perda do viço da pele, perda da massa muscular, etc. A SENILIDADE está ligada aos fenômenos do envelhecimento sob o olhar da geriatria, são alterações decorrentes de doenças como hipertensão, diabetes, insuficiência renal, doença pulmonar, depressão dentre outras.

Uma vida apática, improdutiva, isolada, com problemas de comunicação e conflitos familiares pode contribuir ou desencadear um processo de angústia reativa, melancolia ou mesmo depressão. 

A sintomatologia da depressão pode variar em função dos indivíduos e pode ser causada por várias outras doenças, geralmente coexistentes. Dessa forma, no momento da consulta ou acolhimento da pessoa idosa, o profissional de saúde deve estar atento para alguns sinais e sintomas que sugerem possíveis diagnósticos de Transtorno Depressivo, Transtorno de Ansiedade Generalizada ou Melancolia como: 

Fadiga matutina • Ansiedade • Retardo psicomotor • Redução da afetividade • Intranquilidade ou nervosismo • Alteração no ciclo do sono (e vigília) • Alteração do apetite (habitualmente com anorexia) • Múltiplas queixas somáticas mal sistematizadas • Falta de interesse nas coisas que antes lhe agradavam • Queixas acentuadas de anedonia (perda da capacidade de sentir prazer) • Distúrbios do comportamento, da conduta e da cognição.

Quem não gostaria de chegar à velhice apenas apresentando as mutações da senescência? 

É fato que sofremos interferências genéticas e ambientais ao longo da vida, pois assumimos escolhas que irão interferir em nosso processo de envelhecimento. 

Algumas pessoas têm dificuldade de vivenciar tranquilidade e harmonia na “terceira idade”, justamente, por não encarar este momento de forma realista, reconhecendo as suas limitações em decorrentes da senilidade. 

Algumas orientações para um estilo de vida saudável podem impactar de forma positiva no envelhecimento: 

TRABALHE SUA AUTOESTIMA: Muitos idosos, ao longo da vida, apresentam alterações no humor e/ou problemas de baixa autoestima, gerando isolamento social.

Os cuidados com o corpo e com a mente oportunizam uma visão positiva sobre a própria existência. A prática de atividades físicas associada a meditação, relaxamento guiado e/ou ao yoga, tai chi chuan, ouvir música, dançar, assistir filmes e ler com regularidade, podem ajudar a elevar a autoestima e consequentemente melhorar o humor. 

Uma vida social participativa também pode afastar os efeitos da solidão e melhorar a qualidade de vida. 

MANTENHA HÁBITOS SAUDÁVEIS: Saudáveis ou não, os hábitos, mais cedo ou mais tarde, irão refletir em nossa saúde. O tabagismo e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas são dois grandes parceiros do envelhecimento insalubre, assim como os alimentos fast-food – comida barata e de fácil preparo, mas desprovidos dos nutrientes básicos para o bom funcionamento do corpo humano. 

LIVRE-SE DOS VENENOS DA ALMA: Evite beber qualquer um dos (sete) terríveis venenos que possuem efeito lento, mas fatal: EGOÍSMO, AVAREZA, INVEJA, ORGULHO, DESAMOR, IGNORÂNCIA e FALTA DE FÉ. Além disso, evite nutrir pensamentos negativos, conduzir a vida com base em crenças limitantes, ter medo de mudanças e/ou aprender coisas novas, viver ancorado ao passado ou ao futuro e não demonstrar gratidão. 

PROCURAR ACOMPANHAMENTO TÉCNICO-ESPECIALIZADO: Apesar da Geriatria ser uma das mais jovens especialidades médicas, o acompanhamento médico especializado (geriatria, psicogeriatria e medicina ortomolecular) e psicológico do idoso é imprescindível, visto que, esse combo multiprofissional atua na prevenção, estabilização e cura das doenças da velhice.

A SOBRAE (Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento), uma sociedade sem fins lucrativos, constituída por uma equipe multiprofissional especializada em saúde do idoso, tem por objetivo entender melhor o processo de envelhecimento e as medidas preventivas possíveis para retardá-lo, de modo a preservar a qualidade de vida.

Vale a pena visitar seu site: https://www.sobrae.com.br

Ademais, se pudéssemos escolher, certamente, não passaríamos por momentos de sofrimento. Viver reclamando nada resolve. Se algo não está “de boa” em sua vida, foque em resolver essas pendências. Lembre-se: A vida é uma luta renhida que aos fracos abate e aos fortes exalta – Gonçalves Ledo.

“Levanta a cabeça, sacode a poeira, e dá a volta por cima”, vida que segue. 

                                                                                                                                                            Revisão de texto: Nilma Lima

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22 COMENTÁRIOS

  1. Ótimo texto. Só uma questão sobre a legislação trabalhista.
    Não percebi onde essa legislação atua para a situação de "descarte" pela qual os idosos passam no mercado de trabalho.
    Ainda mais diante da atual agenda de flexibilização onde a busca por retirar direitos é prioridade.

  2. Bom dia!!
    Que texto maravilhoso!
    Obrigada Luiz Célio e ao site pelos esclarecimentos tão necessários para todos, idosos e jovens, precisamos todos, nós informar para buscar qualidade de vida e longevidade saudável. Gratidão pelos aprendizados de sempre!

  3. Bom dia! Acredito que o texto não quis se referir apenas em relação a legislação trabalhista, mas, a legislação como um todo. Veja que no caso do servidor público, economia mista e outro órgãos, aos 75 anos de forma compulsória são afastados, e, na meioria das vezes em plena atividade laboral produtiva. Parabéns ao Dr.Celio Rangel pelo excelente artigo.

  4. Mais uma vez LUIZ CELIO nos parabeniza com um texto de imensa veracidade que ocorre no dia a dia do nós idosos. Eu só acrescentaria a estes comentários com maior intensidade o abandono da família " principalmente dos filhos" nesta fase da vida, mas, sobreviveremos.

  5. Parabéns Célio por mais um texto bastante esclarecedor no aspecto técnico, agradável leitura e fácil entendimento. Ressalto a inclusão de dados estatísticos como um diferencial necessário e norteador, permitindo-nos um olhar mais quantitativo da nossa realidade na terceira idade. Gratidão!

  6. Heladio Costa: é imensurável a importância da passagem de experiencia no trabalho dos mais velhos aos mais jovens. A experiência de profissionais como você Luiz, João Viente, Morgana e muitos outros que tive o prazer de trabalhar junto não podem ser descartados JAMAIS. Obrigado meu amigo por dividir conosco este lindo texto.

  7. Grande texto, Luiz Célio! Coincidentemente, estava pensando neste tema recentemente quando um colega perdeu o emprego próximo aos 60 anos em plena atividade. Vejo um preconceito com essas pessoas de idade mais avançada na recolocação profissional, mas podemos mudar isso. Particularmente, sou muito aberto a qualquer pessoa que tenha plena motivação para o trabalho.

  8. Amigo-irmão JOY ALLAN, estou muito lisonjeado em tê-lo como leitor. Gratidão!
    A questão da “exclusão” do idoso do mercado de trabalho a que me referi no texto, em meu entender, acontece. Veja o “caso dos servidores públicos, e os empregados das empresas de economia mista, aos 75 anos de forma compulsória, são obrigados a se afastarem de suas funções, muitas vezes com plena capacidade laboral e produtiva” Assim nos lembra em um comentário abaixo, o Dr. Petrônio Wanderley de Oliveira Lima – Advogado Trabalhista do quadro funcional da CAGEPA.
    Mas, tenho total respeito ao seu entendimento sobre a matéria.

  9. VANILSON – Nossa gratidão por seu comentário sobre nosso texto.
    Você tem plena razão em abordar em seu comentário, uma particularidade da vida familiar do alguns idosos.
    Nós optamos em fazer o foco do nosso texto, sobre a questão do retorno do idoso ao mercado de trabalho. Mostramos também os problemas de saúde da pessoa idosa que deixa de trabalhar ainda em plena capacidade laborativa.

  10. Minha gratidão a Drª GILMARA CAVALCANTE – Professora de Estatística do quadro efetivo funcional da Universidade Federal da Paraíba, – dado a proximidade familiar chamamos apenas GILMARINHA.
    Autoridade em estatística, seu olhar especializado logo percebeu a inclusão de dados estatísticos na publicação desta semana, como “um diferencial necessário e norteador”, possibilitando um olhar mais quantitativo sobre a realidade do idoso do mercado de trabalho.
    Fico muito lisonjeado por seus comentários, sempre muito generosos.

  11. Dr. LUIZ Célio, parabéns! Como pensar tantas Epistemologias e Contextos? A aferição do mundo à nossa volta e à nossa intimidade traze-nos um pensar e uma conduta. Se o julgamento de Nossa Percepção e a alegria em Viver lá estão naquele Continente, no Lugar do crer no melhor, sim, seremos melhores ao longo do Tempo. Parabéns Dr Luiz Célio, novamente!

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