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Colonização Americana

 

    Por: João Vicente Machado

   Quando o gentílico  Americano é usado para designar o povo estadunidense, confere ao verbete uma exclusividade injusta para com os povos das três Américas, também americanos: do norte, central e do sul.

 Talvez pelo espírito neocolonialista que incorporaram de há muito e em decorrência do poderio econômico que construíram e ainda  detêm, chancelaram os USA como América e para consolidar essa crença, criaram até uma doutrina, a famosa Doutrina Monroe, numa referência ao seu autor, o presidente da república James Monroe, que em mensagem ao congresso no ano de 1823 resumiu esse arrogante pensamento de posse: “A América para os Americanos”. 

  Aí talvez esteja a raiz daquilo que o pernambucano Nelson Rodrigues classificou como complexo de vira lata, o qual contaminou o restante do continente e o mundo.

 O general Viana Moog, depois de um exaustivo estudo, lançou um livro em 1954, cujo título é Bandeirantes e Pioneiros, em que ele traça um paralelo entre os processos de colonização de dois países americanos, e o processo distinto de ocupação europeia pelo qual passaram. Por um lado o Brasil, colônia Portuguesa que teve os Bandeirantes como personagens no processo exploratório, com práticas violentas, preconceituosas e predatórias, sem o mínimo respeito à cultura das nações preexistentes, e sem a mínima intenção de fixação definitiva  nas áreas desbravadas.

  Por outro lado os Estados Unidos com os colonos pioneiros, não menos violentos, mas movidos pelo desejo de construir um projeto de vida duradouro para si e para a família.

   A leitura do livro é interessante e reveladora e ajuda a desmistificar vários conceitos seculares, revestidos de assertivas ingênuas e de preconceitos arraigados que, de forma maniqueísta, vão da submissão ao ódio. 

                                             

    Destruição do  quilombo dos palmares

                                             

                           Colonos Pioneiros                          

   Tanto a Inglaterra quanto Portugal, lançaram seus navios e galeras ao mar navegando em direção ao oeste, encontrando os Estados Unidos no hemisfério norte através dos britânicos e o Brasil no hemisfério sul, através dos portugueses. A Inglaterra tem uma identidade de origem com os USA, pelo fato de ambos pertencerem ao hemisfério norte, de clima temperado, enquanto os portugueses se depararam com o hemisfério sul de clima tropical desconhecido. 

   O nosso Brasil, por exemplo, é cortado pelos Trópicos de Câncer e  Capricórnio, divididos ao meio pela linha do Equador, com uma região semiárida de 1.128.697Km2 de área,  o que representa 13,25% do território brasileiro. 

  Os Estados Unidos, que haviam comprado a Luisiana da França, O Alasca da Rússia e a Florida dos Espanhóis, ganharam a guerra da independência e se apossaram das treze colônias britânicas. 

  No século XIX, trataram de ocupar as terras do meio oeste, localizadas entre os Montes Apalaches e as Cordilheiras Ocidentais, iniciando a marcha para o Oeste, tão bem mostrada nos filmes de faroeste e massacrando em sua marcha, as nações  indígenas que oferecessem resistência.

 Nunca foram nem são comedidos, ou amistosos nas suas ambições, pois anexaram o Texas ao território estadunidense em 1845, num conflito armado liderado por Samuel Houston e depois de uma guerra com o México,  em 1850 e através de uma cessão duvidosa, se apossaram da Califórnia e do que é hoje os estados de  Utah,  Nevada e do Arizona.  

 Em que pese o evidente apetite expansionista, ainda hoje presente, podemos observar que os colonos pioneiros que chegavam ao país vindos da Inglaterra, na sua imensa maioria evangélicos, tinham em mente um projeto de fixação para si e para a família.

 Já os Bandeirantes eram mazombos, como definiu Machado de Assis e viviam à cata de riquezas diversas, com o olhar voltado para  corte Portuguesa, onde iriam usufruir a féria da pilhagem dos bens acumulados no Brasil.

 Um exemplo clássico desse personagem era o Chalaça, eminência parda que acompanhava  de D. Pedro I nas suas esbórnias e aventuras amorosas nas noites cariocas.


   Diante de tudo que foi dito, é um equívoco creditar o nosso atraso socioeconômico a fatores étnicos e raciais da nossa miscigenação e ao país colonizador. Essa é uma visão míope que tenta esconder a incapacidade da classe dominante.

  Estamos cansados de ouvir que pagamos alto  preço por termos na nossa origem genéticas, portugueses, índios e negros. Isso é um absurdo inominável, pois a Austrália está aí a provar que não, pois foi colonizada por degredados e conseguiu atingir um grau satisfatório de desenvolvimento.

    O tema não pode ser resumido num artigo, e nós iremos gravar um vídeo onde detalharemos melhor a questão em tela,  estabelecendo um comparativo com a nossa região nordestina.

Fontes: Bandeirantes e pioneiros de Viana Moog, 14° edição de 1983; 

Fotografias: socialistamorena.com.br; 

https://history.uol.com.br/        

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2 COMENTÁRIOS

  1. Isso mesmo Dr João. Essa forma de pensar míope que nossos problemas sociais são dados pela miscelânea dos povos é um equívoco. Tantas análises mais substanciais podem ser feitas a partir da leitura das tomadas de decisão praticadas pela classe dominante brasileira, desde o Brasil Colônia, passando pelo Império até nossa república.

  2. Isso mesmo Dr João. Essa forma de pensar míope que nossos problemas sociais são dados pela miscelânea dos povos é um equívoco. Tantas análises mais substanciais podem ser feitas a partir da leitura das tomadas de decisão praticadas pela classe dominante brasileira, desde o Brasil Colônia, passando pelo Império até nossa república.

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