fbpx
25.1 C
João Pessoa
Início O Sabiá e o Gavião
Array

O Sabiá e o Gavião

Eu nunca falei a toa

Sou um cabôco rocêro,

Que sempre das coisa boa

Eu  tive um certo tempero.

Não falo mal de ninguém,

Mas vejo que o mundo tem,

Gente que não sabe amá,

Não sabe fazê carinho,

Não qué bem a passarinho,

Não gosta dos animá.

Já eu sou bem deferente,

A coisa mió que eu acho

É num dia muito quente

Eu ia me sentá debaixo

De um copado juazêro,

prá escutá prazentêro

Os passarinho cantá,

Pois aquela poesia

Tem até a melodia

Dos anjo celestiá.

Não há frauta nem piston

Das banda ricas e granfina

Prá ser sonoroso e bom

Como o galo de campina,

Quando começa a cantá

Com sua voz naturá,

Onde a inocença se encerra,

Cantando na mesma hora

Que aparece a linda orora

Bejando o rosto da terra. 

O sofreu e a patativa

Com o canaro e o campina

Tem canto que me cativa,

Tem musga que me domina,

E inda mais o sabiá,

Que tem premêro lugá.

É o chefe dos serestêro,

Passo nenhum lhe condena,

Ele é dos musgo da pena 

O maió do mundo intêro.

Eu escuto aquilo tudo,

Com grande amô, com carinho,

Ma, as vez, fico sisudo,

Pruquê cronta os passarinho

Tem o gavião maldito,

Que, além de munto esquisito,

Como igual eu nunca vi,

Esse monstro miserave

É o assassino das ave

Que canta prá gente uvì.

Muntas vez, jogando o bote,

Mais pió do que a serpente,

leva dos ninho os fiote

Tão lindo e tão inocente.

Eu comparo o gavião

Com esses farso cristão,

Do instinto crué e feio,

Que sem liga gente pobre

Qué fazê papé de nobre

Chupando o suó alêio.

(…)

Quando eu era pequenino,

Saí um dia a vagá

Pelos mato sem destino,

Cheio de vida a iscutá

A mais subrime beleza

Das musga da natureza

E bem no pé d um serrote

Achei num pé de juá

Um ninho de sabiá

Com dois mimoso fiote.

(…)

Eu mesmo não sei dizê

O quanto eu tava contente

Não me cansava de vê

Aqueles dois inocente.

Quanto mais dia passava,

Mais bonito eles ficava,

Mais maió e mais sabido,

Pos não tava mais pelado,

Os seus corpinho rosado

Já tava tudo vestido.

Mais tudo na vida passa,

Amanheceu certo dia

O mundo todo sem graça,

Sem graça e sem poesia.

(…)

Na copa dos arvoredo,

 Passarinho não cantava 

Naquele dia bem cedo,

Somente a coâ mandava

Sua cantiga medonha.

A manhã tava tristonha

como casa de viúva,

Sem prazê, sem alegria

E de quando em vez caia

um sereninho de chuva.

(…)

Mas porém, eu satisfeito,

Sem com nada me importá,

Saí correndo aos pinote,

E fui repará os fiote

No ninho do sabiá.

(…)

Quage que eu dava um desmaio,

Naquele pé de juá 

E lá da ponta da de um gaio,

Os dois véio sabiá

Mostrava no triste canto

Uma mistura de pranto,

Num tom penoso e funéro,

Parecendo mãe e pai,

Na hora que o fio vai,

Se interrá no cimitéro.

Assistindo aquela cena,

Eu juro pelo Evangéio

Como solucei com pena

Dos dois passarinho véio

E ajudando aquelas ave,

Nesse ato desagradave,

Chorei fora do comum;

Tão grande desgosto tive,

Que o meu coração sensive

Omentou seus baticum.

E eu com o maió respeito

E com a suspiração perra,

As mão posta sobre o peito

E os dois juêio na terra,

Com uma dó que consome,

Pedi logo em santo nome

Do nosso Deus Verdadeiro,

Que tudo ajuda e castiga:

Espingarda te preciga,

Gavião arruacêro!

(..)

 Daquele dia azalado,

Quando eu sai animado

E andei bem meia légua

Prá beijá meus passarinho

E incrontei vazio o ninho!

Gavião fi duma égua!


Por: João Vicente Machado
    Neste dia 05/06/2020 acontece a celebração  do Dia Mundial do Meio Ambiente e eu, tendo exercido o meu oficio à frente do órgão estadual de meio ambiente do estado  à frente da  SUDEMA, não poderia deixar de saudar a todos os trabalhadores em meio ambiente da Paraíba e do Brasil.

   A função dos que militam nesse segmento é uma  das mais nobres que possamos imaginar e paradoxalmente uma das mais incompreendidas.
   
Ultimamente o meio ambiente  tem assistido pasmo, a negação da sua importância e o desprestigio acintoso que lhe vem sendo dispensado pelo governo federal. O Brasil como signatário de tratados internacionais e detentor de uma riqueza ambiental incalculável, vem transgredindo a legislação para atender a interesses  econômicos de empresários ávidos por lucro fácil.

Muitos imaginam que os trabalhadores em meio ambiente são entraves e inimigos do progresso e não percebem   que  são eles, de fato, os guardiões do futuro das próximas gerações.

O tema meio ambiente é de uma amplitude tal que não pode ser enquadrado num simples texto que o espaço impõe  sucinto e nesse sentido tive de me conter e entregar a saudação à verve de Patativa do Assaré.

Já proferi várias palestras sobre o tema e participei de debates diversos, mas a minha intenção hoje  é saudar a mãe natureza e seus dedicados zeladores que militam no dia a dia, me valendo do talento e a arte do mestre Patativa, que descreve uma orquestra natural. 

Tenhamos paciência na certeza que nada é eterno e  tudo isso vai passar  como dizia o romancista  José de Alencar: 
“ Tudo passa sobre a terra!”


                                                    

Artigo anteriorDesassossego Democrático
Próximo artigoO Ovo da Serpente
Relacionados

Lula-lá: Sem Medo de Ser Feliz

Desde a minha infância vivida na minha cidade natal, Lavras da Mangabeira CE, me habituei a ouvir modinhas e parodias usadas no período de...

Asas que voam

Pelas frestas da janela, essas lembranças invadem o quarto sombrio daquele tempo escorrido nas noites do passado. Uma vez, recordo bem, reservara a mim...

Julgar é fácil, difícil é ser

Como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave...

2 COMENTÁRIOS

  1. Bela homenagem ao dia do Meio Ambiente, no momento em que está atravessando a pior fase no nosso país Quero parabenizá-lo pela excelente entrevista a TV DIARIO DO SERTAO,sobre o tema profundo conhecimento sobre tema aliado ao amor a causa

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas

Lula-lá: Sem Medo de Ser Feliz

Desde a minha infância vivida na minha cidade natal, Lavras da Mangabeira CE, me habituei a ouvir modinhas e parodias usadas no período de...

Asas que voam

Pelas frestas da janela, essas lembranças invadem o quarto sombrio daquele tempo escorrido nas noites do passado. Uma vez, recordo bem, reservara a mim...

Julgar é fácil, difícil é ser

Como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave...

Tudo Passa Sobre a Terra

   Não foram poucas as vezes   que fizemos uso da famosa frase do escritor cearense José de Alencar, usada por ele ao finalizar o...

Mais Lidas

OS 11 princípios de Joseph Goebbels

Texto originalmente publicado em 08/01/2020    Joseph Goebbels, para os que não têm a informação, foi ministro da propaganda de Adolf Hitler e comandou a...

Você não é todo mundo

Hoje eu me reservo o direito de usar essa máxima usada por mães mundo afora para falar da minha mãe. Se tem uma coisa...

Um pequeno fragmento da história da Paraíba

  Não poderia deixar passar em branco em nossa coluna, o aniversário de nossa querida Parayba . Não vou entrar em detalhes ou contestar nada...

A esperança voltou!

  A semana que antecedeu as convenções partidárias foi muito movimentada, notadamente pela visita à Paraíba do presidente Luiz Inácio da Silva- Lula. A festa...