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O ritual da Semana Santa

Por: João Vicente Machado
  A Semana Santa me transporta aos tempos idos da minha infância/adolescência na minha cidade natal, Lavras da Mangabeira no sertão do Ceará. É uma cidade tão grande que eu não sei se ela está dentro do Ceará ou se o Ceará é que está dentro dela.

  Fui nascido num lar cristão, rodeado de irmãos católicos, fui batizado e crismado na igreja monumental em estilo gótico que aparece ao lado esquerdo da fotografia que ilustra o texto, extraída dos arquivos do Google.

   Desnecessário dizer que a minha ética é cristã e que o meu ateísmo foi uma convicção que o tempo, a leitura, a reflexão e a lógica me legaram. Todavia, nunca afrontei a religiosidade de ninguém.  Respeito todas as crenças e opiniões, mesmo não concordando com elas.

   Fui ajudante do virtuoso Padre Alzir Sampaio e como coroinha participava das celebrações.   

  Adorava ouvir os sermões do Monsenhor Pedro Rocha, o maior orador sacro que conheci. Isso agradava muito à minha mãe de criação e mãe de fato, Maria Lina Machado.

   Na fase de reflexão já citada e por curiosidade histórica, decidi ler a Bíblia. Esse, a meu ver é único Livro que registrou por escrito uma parte da história ocidental, ainda que pela ótica da crença e da religiosidade.

  Li pelo menos três vezes para concluir que o antigo testamento é a historia de um povo, enquanto o novo testamento é a história de um homem.

  Descobri algumas contradições que não vou enumerar nesse espaço por pertencerem à minha idiossincrasia, porem pude entender algumas passagens parabólicas na narrativa, alem da antropologia das sucessivas gerações. Com relação ao dia a dia da semana santa, pesquisei em alguns blogs e sítios as informações que passo a relatar, começando pelo domingo de ramos, ate o domingo seguinte,  o domingo da ressurreição.

    1-Domingo de ramos: registra  a chamada “entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e é o marco inicial da também chamada semana maior.

 Os ramos, galhos de palmeiras ou outros arbustos da região, foram usados como tapete pelo povo pobre que O seguia para forra-lhe o chão por onde pisava. Óbvio que não dispunham de tapetes que à época ornava os palácios da elite de então.

  Montado no lombo de um jumentinho,  muito conhecido  nosso como o popular jegue que substituía a liteira dos poderosos e destacava a popularidade e a humildade do Cristo. 

  O cortejo revelou mais uma vez a empatia do Cristo para com os descamisados,  mas teve o condão de atrair a curiosidade de centuriões, escribas e sacerdotes que viam nele, como ainda hoje acontece, uma ameaça ao seu (deles) poder. 

  A aglomeração em torno de Jesus despertou também a curiosidade do império romano dominante, que apesar de não enxergar Nele uma ameaça como o que parece era o desejo dos zelotes  Judas e Barrabás,  assistia a tudo à distância e considerava o conflito uma briga entre judeus. 

  Ao entrar na  cidade ingressou  no templo que estava ocupado por mercadores em todo seu interior, chamados à época de vendilhões, que  comercializavam  livremente seus produtos, alimentando  a febre de consumo que já existia naquela  época.

  Tomado de uma ira sagrada, improvisou um chicote e os expulsou do templo, quebrou suas mesas, derramou o dinheiro apurado  dizendo: “A casa de meu Pai é uma casa de oração e não de negócios”.

  2-Segunda-feira Santa:  Jesus vai à Betânia visitar os amigos Lázaro, Marta e Maria, consciente do agravamento da crise e do seu desfecho.

  3-Terça-feira Santa: dia em que pressente as polêmicas traições de Pedro e Judas.

 4-Quarta-feira Santa ou de trevas: marcou o encontro entre Maria e Jesus, hoje simbolizado pela procissão do encontro da Virgem das Dores com o Senhor dos Passos, chamado encontros dolorosos celebrado na via sacra. Cremos que a referência às trevas quer fazer menção ao momento sombrio que antecedia à condenação e crucificação do Cristo

 5-Quinta-feira Santa: dia da unção dos óleos e da cerimônia do lava pés e da ceia larga que instituiu a  da eucaristia.

 Os óleos citados são aqueles usados na crisma, na catequese e na unção dos mortos, pratica do cotidiano da igreja ate os nossos dias.

 A cerimônia do lava pés é a ocasião em que o Cristo lava os pés dos apóstolos e de Madalena, como a purifica-los para a caminhada que a partir de então iriam palmilhar sozinhos.

Na ceia larga foi instituindo a  eucaristia com a partição do pão e a comunhão do cálice. Pela narrativa é  nesse instante em que Judas se afasta e vai à procura dos soldados romanos, enquanto Jesus se recolhe à meditação.

 A igreja atualmente entra em vigília eucarística, o sacrário permanece exposto, as imagens são cobertas e os sinos e campainhas são substituídos pela matraca.

 6-Sexta-feira santa ou da paixão: é o dia do julgamento, calvário, crucificação e morte de Cristo.
  
 7-Sábado de aleluia: foi dia de vigília ao sepulcro, principalmente de Maria,Marta e Maria Madalena, enquanto os apóstolos ficaram reclusos. , e finalmente,

8-Domingo Pascal ou da Ressurreição: a igreja considera o dia mais importante da semana e que Jesus vencendo a morte ressuscita.

 Finalizando devemos dizer que  a humanidade esta distante de muitos dos ensinamentos que Ele deixou. Solidariedade, altruísmo, desapego material, comunhão, pacifismo e generosidade, esta distante para muitos. 

 Mamon preside tudo e tudo gira em torno dele, a avareza cega às pessoas, inclusive muitas delas ditas Cristãs.

“Não podereis servir a Deus e ao Diabo ao mesmo tempo!”
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5 COMENTÁRIOS

  1. Agradeço os comentários e referências ao que escrevo.
    Eles me servirão de referência para errar menos.
    Procurei ser imparcial não entrando no mérito do tema, embora tenha opinião própria sobre os fatos.
    Judas e Barrabás eram zelotes, facção política que defendia a derrubada do opressor império romano e viram em Jesus a liderança capaz de arrastar as massas.

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