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O que há de novo no reino da Dinamarca?

Por: João Vicente Machado
O fim de semana passado foi pródigo em interrogações a respeito dos rumos possíveis do governo exangue do Messias que não foi o prometido.

Essa novela remonta ao ano de 2014 após a mais acirrada disputa eleitoral desde 1989, quando Dilma Roussef venceu Aécio Neves no segundo turno das eleições, obtendo 51,64% dos votos válidos, contra 48,36%, numa diferença percentual apertada de apenas 3,2% de votos.  

Finda a apuração o Nordeste Brasileiro, beneficiário maior das políticas sociais do governo Lula, revelou-se como a região do país responsável pela vitória mais expressiva de Dilma Roussef e por essa rebeldia contra o candidato do baronato, ainda hoje é vítima da má vontade e da descriminação dos governos Themer/Bolsonaro e de todo staff  ministerial. 

Ficou célebre o discurso colérico proferido por Aécio Neves na tribuna do senado, em que além de desdenhar da vitória de Dilma, ameaçou de viva voz;
“Vamos obstruir todos os trabalhos até o país quebrar e a Presidente Dilma ficar incapacitada de governar, sem apoio parlamentar. Aí reergueremos o país que nós queremos, independente dos acontecimentos que envolvam o ex-presidente Lula e as ações do Judiciário. Sem o poder legislativo nenhum governo se sustenta (sic)”. 

Já naquela época e num vaticínio futurologista ele apontava para prováveis fatos: “independente dos acontecimentos que envolvam o presidente Lula (sic)”

Essa era a senha daquilo que estava reservado para o potencial adversário com capacidade de derrotar o projeto neoliberal em gestação.

O governo Dilma já houvera recebido um recado cifrado das ruas em abril do ano anterior, onde um movimento surgido, aparentemente do nada, sem propostas concretas, sem vanguarda e sem direção visível, já trazendo no seu ventre os mecanismos de destruição e desgaste futuro do governo Dilma, fato constatado a posteriore e que viria a se consumar em 31/08/2016.

Aquelas “infantis” e inesperadas manifestações foram subestimadas pelos partidos políticos ditos de esquerda, que não fizeram a leitura correta dos fatos, inclusive o próprio PT, partido da presidenta Dilma. 

Com a primeira eleição de Lula em outubro de 2002, houve a ilusão de que a classe operaria tinha chegado ao paraíso. 

Os movimentos sociais foram postos em stand bay e passamos a formar consumidores ao invés de cidadãos.  Esse foi um erro crasso que nos custou muito caro e que eu espero que não se repita na caminhada futura.

Recordo que antes mesmo da posse de Lula para o primeiro mandato, a companheira Giucélia Figueirêdo organizou no Sindicato dos Engenheiros, uma reunião com a presença de Frei Beto recém-nomeado para o programa Fome Zero.  Dizia ele naquela ocasião, que: “o programa era de grande amplitude e não contemplaria apenas a falta de alimentos, tratando a fome de forma transversal de modo a atender: à fome de educação, à fome de saúde, à fome de moradia, à fome de habitação, à fome de saneamento básico e à fome de dignidade. 

Não adiantaria o cidadão poder adquirir a linha branca completa, um carro, e continuar morando num barraco sem água, sem esgotos, sem energia, sem calçamento, enfim,  sem dignidade.”

Infelizmente, o presidencialismo de coalizão, pratica comum no modelo de política liberal, não permitiu a Lula resistir à pressão dos Prefeitos Municipais que insistiam em gerir o programa por motivos óbvios.  

O resultado todos nós conhecemos: o programa virou Bolsa Família, encolheu e passou a mitigar a fome dos miseráveis que mais e mais passaram a raciocinar com o estômago.
Voltando ao governo Dilma, começaram a surgir organizações contestatórias, tendo como carro chefe, pasmem, o aumento das passagens de ônibus urbanos, de estrita responsabilidade dos municípios. 

Uma delas foi o Movimento Brasil Livre – MBL, capitaneado por Kim Kataguiri que viraria deputado federal, Fernando  Holiday que viraria vereador e Renan Santos. Alem dessa, outras organizações  surgiram, suspeitas de recebimento de financiamento externo, inclusive do bilionário David Koock dos Estados UNIDOS, um dos financiadores de Donald Trump.

Sergio Moro, um Juiz anônimo lá do Paraná e ate então desconhecido, foi designado como receptador de todas as denuncias de uma tal de operação lava jato que surgia “para banir da face da terra de toda corrupção,”, mas que no fundo no fundo, tinha a missão de afastar do páreo o único candidato capaz de derrotar Bolsonaro que era Luis Inácio da Silva.
Foi constituída a república do Paraná, da qual fizeram parte como protagonistas, além de Sérgio Moro, o procurador federal Deltan Dallaganol. 
Ato contínuo começaria a construção e entronização do “mito” Jair Bolsonaro, um militar reformado que houvera sido afastado  (dizem que expulso) do exército por indisciplina.  Depois foi  eleito Deputado Federal pelo Rio de Janeiro por 30 anos seguidos e revelou-se um parlamentar de  precaríssima capacidade e desempenhou um pífio mandato. Foi entronizado como paladino da moral e da justiça, armou uma pantomima e fez da bravata o seu plano de governo, no qual muita gente embarcou. 

Sergio Moro por sua vez, integrou-se informalmente ao processo de eleição de Bolsonaro, sendo uma das personagens que agia nas sombras e nos bastidores.
Dizem que tinha e tem relações com a CIA e essa suspeita se fortalecia quando vez por outra viajava para os Estados Unidos e segundo se informa visitava a sede daquela agência de inteligência.
Coincidência ou não, nesse mesmo período, Eduardo Bolsonaro dava uma declaração à revista Época do sistema Globo, em que confessa que Steve Bannon, marqueteiro político da discutível vitória de Donald Trump, “seria um conselheiro” eventual da campanha e daria palpites na eleição de Jair Bolsonaro” como já acontecera nos USA.
Simultaneamente entrou em cena um exercito de robôs que disparavam milhares de mensagens por dia,  chamadas Fake News,  com o propósito de  divulgar toda sorte de noticia falsa, desconstruindo os adversários e deificando Bolsonaro que começou a crescer inexplicavelmente nas pesquisas de opinião pública. 

Como não sabia falar, recebeu recomendações dos mentores para se afastar de microfones. Houve até uma facada misteriosa para justificar sua ausência de palanques e debates  até o fim da campanha.

Uma vez eleito Bolsonaro, chegara a hora do acerto de contas e na partilha ele nomeou Moro ministro da Justiça e ao que se informa, com a promessa de ser nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal-STF. 

Renunciou à carreira de Juiz Federal, passou por cima da ética e estranhamente aceitou o convite, sendo guindado à condição de Xerife. Lá ele permaneceu até a semana passada, já sem controle aparente da Policia Federal, que passou a investigar o entorno de Bolsonaro e a apontar indícios de envolvimento do entourage do Palácio do Planalto nas mais diversas tropelias, principalmente as dos filhos do presidente. 

A trajetória de Sergio Moro e Deltan Dallaganol além de fecunda, foi pedagógica e contagiante, servindo de escola e espalhando tentáculos por todo país, conferindo ao judiciário e ao ministério público um poder e legitimidade que a constituição não lhes confere.

  A operação Lava Jato transformou-se em um palanque político, privilegiando e beneficiando um segmento em detrimento de outro(s), condenando sumariamente sem provas documentais e entronizando a delação premiada como presunção de crimes com julgamento condenatório em segunda instância, sem trânsito em julgado e sem o amplo direito de defesa como manda a constituição federal. 

O engenho de moer reputações passou a funcionar cercado de uma espetacularização midiática prévia que acompanhava e ainda acompanha  as buscas feitas de forma autoritária e espalhafatosa, na maioria das vezes sem denuncia formal e sem sequer a citação do indiciado. 

Mandados de busca e apreensões e prisões preventivas são expedidos em profusão e são sempre acompanhados de cobertura ao vivo por parte da imprensa oficial e da milícia midiática. 

Esse foi o enredo do que transcorreu até aqui e eu, pessoalmente, enxergo esse antagonismo interna corporis que grassa nos arraiais do governo, como um mero jogo de cena para camuflar uma alucinada procura de outro “mito” confiável para o lugar de Bolsonaro que passou a incomodar os reais donos do poder.

Pode ser Moro, pode ser Mandetta ou até outro que venha surgir no horizonte como “mito”. Todavia não contem com a saída de Bolsonaro sem que esse pré-requisito se materialize. O estabilishment vai levá-lo na maca até onde for possível e só fará o descarte com segurança e a certeza de que o status quo jamais vire quid pro quo. 

Não escrevi esse texto para os bolsominions fundamentalistas por considerá-los incuráveis. Escrevo para os nossos, que pensam como nós e até para aqueles que, por falta de informação se equivocaram. Esses sim, não podem se enganar com miragens!

Por tudo isso não é demais lembrar que NÃO HÁ NADA DE NOVO NO REINO DA DINAMARCA.
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