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O privado sumiu

Por: João Vicente Machado
   Um órgão informativo impresso, de nome Congresso em Foco, edição do dia 22/04/2020, veicula uma noticia  em manchete nos seguintes termos:

     “Governo adia privatizações e admite que não haverá mais negociações em 2020”

A declaração é atribuída a Salim Mattar, fundador, sócio majoritário e dono da LOCALIZA HERTZ, atual ocupante de uma secretaria de governo vinculada ao Ministério da Economia, portanto um órgão vinculado ao ministro  Paulo Guedes, um neoliberal ortodoxo vinculado ao sistema financeiro.

Salim, que dirige a Secretaria de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, foi alem ao afirmar que:

“O governo não vai cumprir a meta de privatização para 2020” e acrescenta: “Tenho afirmado que este ano nós acreditamos que não haverá possibilidade de venda de ativos, porque  o preço  está muito depreciado e não se justifica que façamos venda com o mercado tão baixo como está neste momento”. Entenderam o porquê do titulo desse texto?


Na esteira desse arrefecimento é bom informar que a meta de privatização da Eletrobrás que era iminente passou para o segundo trimestre de 2021. Enquanto isso os Correios e a EBC foram empurradas para 2022, ano de eleição presidencial.
Salim nos sugere uma receita que para ele não foi válida como um investidor privado oportunista que usufrui das benesses do estado para manter a atividade real do seu negocio.

Ele tem na locação o pano de fundo da venda de veículos, adquiridos à preço generoso diretamente  das montadoras.

A Localiza de Salim,  além das demais locadoras de veículos conseguiu uma facilidade legal para aquisição diretamente nas montadoras, com preços subsidiados entre 30% a 35% de descontos, alem de isenção do ICMS que incide também nos preços. Entre 15 e 18 meses de uso, as locadoras expõem os veículos à venda por preço de mercado.

 Exemplo: ele compra hoje um veiculo novo que custa R$ 100.000,00 por R$ 68.000,00, com uma diferença que lhe é favorável de R$ 32.000,00. Alem disso ele ainda  se beneficia  da redução do ICMS que pode deixar o carro no valor de compra  de R$ 65.000,00.

Se ele coloca o veículo à venda pelo preço de mercado e o carro sofre uma depreciação de 30%, terá ganhado R$ 2.000,00 com a venda, fora a receita de dois anos de aluguel. Perceberam? Ele faz cortesia com o chapéu do governo, ou seja, com o nosso chapéu.

 Fica claro que o  benefício concedido às locadoras é maior do que aquele concedido a quaisquer pessoa com necessidades especiais.

Já escrevi neste blog e fora dele, que o capital não existe para fazer filantropia e sim para gerar e reproduzir lucro. Alem disso o burguês não vai em bola dividida (olha aí Marinaldo!)  para não  machucar o pezinho! E o pé do burguês, o lugar que dói nele, todos sabemos que  é o bolso.

Para o investidor privado, sempre existe um desde que:

Desde que tenha segurança jurídica; desde que se faça uma reforma da previdência; desde que se faça uma reforma trabalhista; desde que se faça uma reforma tributária; desde que não se dificulte a remessa de lucros para o exterior; desde que haja uma anistia de débitos pretéritos; desde que não seja cobrada indenização de ativos; desde que, desde que e desde que o estado, faça tudo em favor dele, burguês, que estufa o peito e se auto-rotula “investidor”.

 Terminado o rito de garantias, desregulamentação, desindexação e após conseguir alterar no congresso  toda legislação, ele faz beiçinho e diz cinicamente: “não é atrativo ao setor privado,   chamem o estado para que ele invista”!

É por essas e outras razões é que quase todo processo de privatização de ativos estratégicos ou não, realizados no mundo tem sido mal sucedido e acaba voltando ao controle do estado.

Nos últimos dias que antecederam à pandemia de pré covid19, nós assistimos o cúmulo da ousadia neoliberal investindo com sofreguidão contra o setor de saneamento básico, tentando passar no congresso um projeto de lei draconiano que ainda está lá, voltado para o beneficio amplo do setor privado em detrimento do setor público, tentando transformar a água, um recurso natural insubstituível em mercadoria.

O discurso neoliberal manjado e insidioso que impossibilita o acesso ao crédito para o setor público estabelece condições impossíveis de sobrevivência ao atual modelo de subsídios cruzados, que mesmo sofrendo a crônica falta de recursos da união, conseguiu avanços consideráveis, alem de formar um corpo de profissionais de alta capacidade de gestão, que hoje é o maior capital das empresas estatais de saneamento.

Agora, diante da crise que se afigura como uma das piores da nossa história, muito mais econômica do que sanitária, estão clamando desesperados pela presença do estado para tirar a economia da crise em que foi metida por eles próprios.

Revelam nesse choro convulsivo, toda sua incapacidade de produzir e gerar riqueza por estarem acostumados à usura. Contudo, afirmar que eles vão desistir é ilusório. Vão se encolher, se abrigar da tempestade, reformular a estratégia neoliberal, maquiá-la e voltar à carga. É assim que caminha o capitalismo!

Aguardemos, mas apertemos o cinto, porque o piloto privado sumiu.

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