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O poeta maior

Leandro Gomes de Barros

Por: João Vicente Machado


    Se chegarmos numa escola pública ou privada, ou até mesmo na universidade, e perguntarmos quem foi Leandro Gomes de Barros, poucos saberão responder. Afinal, ele nasceu no século XIX, quando a comunicação entre as pessoas era precária. Como cordelista, talvez o maior deles, juntamente com os cantadores de viola, terminou sendo um cronista do cotidiano e sem nenhum exagero, o maior cordelista da história desse gênero no Brasil e a sua data natalícia foi escolhida como o dia nacional do cordel.

  Nascido no sítio Melancia, município de Pombal, em 19 de novembro de 1865, foi levado pelos pais para a cidade de Teixeira, epicentro mundial da poesia e do repente, onde conviveu com vultos da envergadura de Inácio da Catingueira, Romano de Mãe D’água, Bernardo Nogueira e Ugulino Nunes da Costa.

   Por lá viveu até os 15 anos, mudando-se depois para  a cidade do Recife.

  Chegando ao Leão do Norte, cujo espaço territorial a época era maior, viveu em Vitória de Santo Antão e Jaboatão, que ainda não eram cidades e integravam a área do município do Recife e com a venda de folhetos, sustentou uma numerosa família.

 Teve o reconhecimento público de expoentes como Câmara Cascudo, que afirmava ser Leandro, “fecundo e sempre novo, original e espirituoso, responsável por 80% da glória dos cantadores atuais”.

 Dele também falou o imenso Carlos Drumond de Andrade, afirmando que Leandro “não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão e do Brasil em estado puro”.

   Horácio de Almeida, paraibano como ele, mas de brejo de Areia, motivado pelo entusiasmo telúrico, declarou: “Leandro Gomes de Barros não foi apenas o primeiro, foi o maior de todos os poetas populares do Brasil”.

  Na sua obra foi um poeta plural, fazendo poemas no tema heroico sobre cangaceiros, quando narrou a saga de Antônio Silvino; no tema novelesco como: o Boi Misterioso, o Soldado Jogador (vê aí Anita e Luiz Machado), o Pavão Misterioso, a Peleja de Manoel Riachão com o Diabo; no tema social: como a narrativa O Retirante, O Dez- Réis do Governo, O Aumento dos Impostos entre outras inúmeras obras de sua fecunda lavra.

 Seria impossível enquadrar nesse espaço toda obra de Leandro Gomes de Barros, mas pelo menos uma amostra da sua (dele) genialidade é pertinente.
 Se eu conversasse com Deus

   Iria lhe perguntar:

   Porque nós sofremos tanto

  Quando viemos pra cá?

  Que dívida tamanha é essa

  Que morremos pra pagar?

  Perguntaria também

  Como é que ele   é feito.

  Que não dorme que não come

  E vive assim satisfeito.

  Porque foi que ele não fez

  A gente do mesmo jeito?


  Porque existe uns felizes

  E outros que sofrem tanto?

  Nascemos do mesmo jeito,

  Moramos no mesmo canto.

  Quem foi temperar o choro

  E acabou salgando o pranto?”

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3 COMENTÁRIOS

  1. O cancioneiro popular foi a imprensa nos rincões nordestinoos dos tempos de outrora,eram através dos cordéis e das cantorias que as notícias e histórias das mais diversas natureza chegavam ao povão.
    Fatos, guerras, desavenças e política eram temas versados, cantados e declamados em feiras, praças públicas, quermesses, e, em ponto de encontro nas pequenas cidades nordestinas. No Ceará o mais famoso e mais conhecido por receber visitas do porte de Cego Aderaldo, Luiz Dantas Quezado, Napoleão Menezes, Jacó Passarinho, Bernardo Cintura dentre outros foi o BOTEQUIM DA VELHA CHICA. Situado ao lado esquerdo da Praça da Estação Ferroviária, na cidade de Lavras da Mangabeira, realizou grandes cantorias, alegrando e tornando a pequena urbe o maior ponto de encontro dos cantares e cordelistas do Cariri cearense, do Sertão da Paraíba, Pernambuco e até Alagoas.
    Com o advento da cultura de massa a representação da cultura genuinamente nordestina ficou restrita aqueles que reconhecem o valor desses grandes artistas.

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