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O milagre do verde


Por: João Vicente Machado

    Dom Helder Câmara, o João de Barro da Favela, escreveu um livro cujo título é: O Deserto é Fértil. A rigor, é uma metáfora que usou pelo resto da vida, pregando a verdadeira doutrina cristã que hoje muitos ditos cristãos, renegam.


    Ainda jovem, a imagem que eu sempre tive do deserto foi de uma terra calcinada e inútil, onde só existia sol e areia. Isso até ler um livro de autoria do inglês Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, de título: “Os Sete Pilares da Sabedoria”.



    Na narrativa ele, que era representante da coroa inglesa para articular o alinhamento do povo árabe aos aliados que enfrentavam a Alemanha no front da guerra, descreve em detalhes sua (dele) participação na 1ª Guerra Mundial com o propósito de impedir a Turquia de ingressar no conflito em apoio à Alemanha, uma leitura que nos dá aula de antropologia e que eu recomendo como enriquecedora leitura.

    O preâmbulo se fez necessário para que eu pudesse desenhar o figurino do semiárido nordestino, de cujo ventre nasci, e se apresenta com uma beleza singular por ocasião da quadra chuvosa se revelando tão generosamente belo como mostra a fotografia que ilustra o texto.

    O Rio da foto não é e nem tem o encanto do “Rio da Minha Aldeia”, mas já foi cantado em verso e prosa pelo poeta Zé Dantas, na voz inconfundível de Luiz  Gonzaga, o eterno Rei do Baião. 

    Trata-se do Rio Pajeú, que banha entre outras, a cidade de Flores, daí o pomposo nome de Pajeú das Flores, berço dos mais talentosos poetas e repentistas da cantoria de viola, a exemplo dos irmãos Batista, Diniz Vitorino e Rogaciano Leite, além do inigualável Severino Pinto, o Pinto do Monteiro, a cascavel do repente, pelo lado da Paraíba.  

    A proximidade de todo Vale do Pajeú com a cidade de Teixeira, na Paraíba, que eu considero o epicentro da poesia e da viola, agraciou o lado pernambucano na transmissão dessa arte por osmose.

    Val Patriota, poeta, cantor e animador cultural e filho de Lourival Batista, o Louro do Pajeú, tem um verso da sua (dele) lavra onde diz  mais ou menos assim:

Eu sou do tempo 
  Que o Pajeú tinha água,
  Que mulher usava anágua
  Pra sustentar o vestido.

  E se o sujeito,
  Olhasse pra uma donzela, 
  Era arriscado o pai dela
  Quebrar o seu peduvido.”
    
    “O Pajeú tinha água” é o grito de protesto de Val pelo que fizeram com o Rio Pajeú, matando as suas nascentes, devastando as matas que lhe protege as margens, jogando esgoto bruto no seu leito, igualzinho ao que fizeram com o “Rio da Minha Aldeia”, o Rio Salgado, que banha a mãe Lavras da Mangabeira e sobre o qual  já  escrevi (clique aqui para ler) e voltarei a fazê-lo.

    Ou os humanos acordam para a sustentabilidade ou vão ser vítimas da vingança implacável da mãe natureza!

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