Presidência exige preparo, não provocações

Por:Rui Leitão

O que deveria ser um debate decisivo antes do segundo turno da eleição presidencial transformou-se em um espetáculo deprimente. Um encontro que deveria oferecer aos brasileiros a oportunidade de conhecer os projetos de governo dos candidatos acabou marcado, na minha avaliação, por ataques, deboches e provocações.

Flávio Bolsonaro, que, segundo a interpretação de seu comportamento, adotou uma estratégia de confronto associada ao estilo de Pablo Marçal, contribuiu para desvirtuar a finalidade do debate promovido pela Band.

Não foi um confronto de ideias, propostas e visões de país. O que assistimos, com um sentimento de vergonha alheia, foi um festival de achincalhes e atitudes incompatíveis com a seriedade que se espera de quem pretende governar o Brasil.

Lula já disputou seis eleições presidenciais e acumulou décadas de experiência em debates políticos, no Brasil e no exterior. Ainda assim, raramente se viu um confronto tão marcado, na minha percepção, pelo desrespeito pessoal. Diante dos questionamentos do atual presidente, Flávio Bolsonaro preferiu recorrer a ataques e acusações difundidos no ambiente da extrema direita, em vez de concentrar o confronto na apresentação de propostas concretas para o país.

Quando faltam respostas consistentes, a tentação é desqualificar o adversário. Foi essa a impressão deixada pelo comportamento do candidato oposicionista. O debate de ideias cedeu espaço à tentativa de atingir a imagem de Lula, um presidente que construiu uma trajetória política de projeção internacional.

O Brasil precisa refletir seriamente sobre o que espera de seu próximo presidente. Como se comportaria um governante que transformasse o confronto político em permanente espetáculo de provocações diante de chefes de Estado e em negociações internacionais? O país precisa de uma liderança capaz de representar sua população com dignidade, defender sua soberania e preservar o Estado Democrático de Direito.

Lula possui uma longa trajetória política e experiência acumulada no exercício da Presidência. Sua atuação internacional e suas políticas sociais constituem parte importante do legado que seus eleitores reconhecem e defendem. É legítimo, portanto, que os brasileiros avaliem essa experiência, seus resultados e as alternativas apresentadas pela oposição antes de tomar sua decisão nas urnas.

O eleitor verdadeiramente comprometido com o Brasil deve olhar para além dos sobrenomes, das provocações e das encenações eleitorais. Deve examinar as biografias, as propostas e os compromissos de cada candidato com a democracia, a soberania nacional e a redução das desigualdades sociais.

A Presidência da República não é herança familiar, propriedade de uma dinastia política, nem espaço para quem confunde poder com privilégio. O cargo exige responsabilidade diante de milhões de brasileiros, sobretudo daqueles que mais dependem das políticas públicas para viver com dignidade.

É essa a reflexão que o debate da Band deveria provocar: que Brasil queremos construir e que tipo de liderança estamos dispostos a escolher para governá-lo?

No dia 25 de outubro, cada eleitor terá a oportunidade de responder a essa pergunta nas urnas. Que o faça com consciência, memória histórica e compromisso com o futuro do país.

 

“Escolher quem governa é também cuidar de quem viverá as consequências da nossa escolha.”

Curadoria – Gorette Wanderley

 

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