Um torpor que ganha vulto

Por:Mirtzi Lima Ribeiro

Há décadas eu acompanho as eleições em nosso país, porque há muitos anos venho sendo convocada para o momento em que as urnas estão prontas para a apuração dos votos nelas inseridos eletronicamente. Na época do voto em papel, ficávamos como escrutinadores durante toda a noite, muitas vezes esse trabalho ia até a madrugada, com a mesa rodeada de fiscais, delegados e advogados de partidos. Era um embate constante, uma vez que alguns eleitores não escreviam corretamente o nome de seu candidato, faltando uma letra ou pela troca de um “s” por cedilha (ç), por exemplo.

Comecei muito cedo a trabalhar na apuração dos votos e isso coincide do tempo em que me tornei eleitora, pelo fato de ter completado a idade para exercer esse direito, que à época era de 18 anos. De lá para a época atual, se vão quatro décadas. É um tempo considerável.

Confesso que na fase de debates entre candidatos, eu tenho saudades dos antigos embates de ideias, do confronto entre adversários e não de inimigos, entre propostas de governo avaliadas entre oponentes que se respeitavam e não com os atuais xingamentos vis e danosos, slogans genéricos para enganar os trouxas. Naquela época, não havia as atuais mentiras deslavadas nos mais recentes pleitos e havia uma total ausência de ódios desenfreados, beligerâncias e afrontas criminosas, com acusações no viés de recortes de tabloides como se fossem fatos.

O agravante, é que atualmente existem alterações e ingerência externa de robôs eletrônicos nas eleições de inúmeros países, além de algoritmos maliciosamente programados para ressaltar postagens e manchetes da extrema-direita, porque os donos do Vale do Silício servem a esses manipuladores há um bom tempo. Querem o lucro pelo lucro, e pior, querem induzir pessoas com um propósito escuso: alcançar o poder e poder explorar os países que possuem grandes reservas de petróleo e de terras raras, que são metais que servem à estrutura do mundo eletrônico e internético.

“O Dilema das Redes”, documentário lançado em 2020, que está na plataforma Netflix, expõe essa tramoia internacional, que tem por objetivo manipular, levar informações falsas, causar insegurança e desinformação, levar contrainformação e informação deformada a um número cada vez maior de usuários nos domínios da web, nas localidades em que eles desejam dominar.

Como um câncer, os propagadores desse caos, se imiscuem nos países que possuem riquezas, a exemplo desses minérios assim como também do petróleo, movendo várias peças do tabuleiro do xadrez, exatamente para se apoderarem do poder e através do poder que conseguem, usurpar as riquezas de outros países. Têm feito isso em várias localidades. Muitos inocentes úteis abraçam as mentiras implantadas como lavagem cerebral. Infelizmente, esse é o quadro.

A mais recente nação invadida foi a Venezuela, com seu gestor capturado e sequestrado, com vistas a ter um país subjugado ao poderio daquela massa já em falência que são os States. Sim, eles estão no limiar de uma derrocada avassaladora, por isso sua gana, sua extravagante estratégia em se apoderar do que é dos outros enquanto não sucumbem de vez. São vampiros que querem mais sangue para ter sobrevida.

Há um motivo atual muito poderoso que está tirando o sono dos que extorquem os países em desenvolvimento e os mais pobres. Que motivo é esse, além de tentarem se apoderar do poder para botar suas mãos peçonhentas em nossas riquezas?

O motivo é que o dólar vem perdendo a hegemonia e os países já não querem se submeter a esse império. O comércio no Sul Global, por exemplo, tem alçado o Brasil como intermediário e centro das transações financeiras através de duas frentes tecnológicas e geopolíticas: o sistema “BRICS Pay” que utiliza uma infraestrutura em blockchain e o “Drex” que está despontando como a futura Moeda Digital de Banco Central do Brasil — CBDC.

Essas duas novas estruturas financeiras estão trazendo prejuízo às antigas negociações e comércio externo, que obrigatoriamente passavam pelos States, através dos sistemas da bandeira VISA e MASTERCARD, principalmente no varejo, no e-commerce e no turismo.

Qual a razão disso? Essas duas empresas até então, detinham o monopólio global da infraestrutura de comunicação e liquidação financeira transfronteiriça. Elas não funcionam como bancos, mas sim porque fornecem a estrutura tecnológica invisível que une instituições financeiras de países diferentes de modo instantâneo, a altas taxas cobradas por essa intermediação.

Com o Sul Global utilizando os sistemas veiculados pelo BRICS e pelo Brasil, o dólar sai do cenário e essas empresas norte-americanas perdem a exclusividade na interface das transações comerciais, que efetuam com altas taxas de câmbio e juros.

E o melhor dessa questão, é que os sistemas do BRICS Pay, assim como o “Drex” brasileiro, não possuem taxas obrigatórias que oneram ou encarecem as transações efetuadas. Ao contrário, enquanto as duas empresas norte-americanas cobram altas taxas, os dois sistemas, do BRICS e do Brasil, foram projetados com a finalidade de reduzir custos operacionais aos países que operam no comércio internacional, especialmente o Sul Global.

Então, há várias razões muito fortes para que esse país estrangeiro exerça uma pressão extrema nos bastidores através das empresas do Vale do Silício, com artifícios ocultos e escusos, disseminando o caos nos países alvo em períodos eleitorais, com vistas a eleger prepostos, políticos subservientes que vendem a alma para enriquecer, sem se importar em ser marionetes nas mãos desses elementos estrangeiros, e pior, sem se importar com a miséria que causarão ao seu país. E isso é necropolítica, que se utiliza da manipulação da população inconsciente, nos níveis mais baixos, soterrando ética e hombridade.

Quando os States estão diante de uma derrocada internacional de sua moeda, que até o momento era hegemônica para todas as transações internacionais, ao perder recursos significativos por vários países optarem por outros sistemas menos onerosos, eles são capazes de vender sua alma ao diabo, incendiar e bombardear países, sequestrar seus dirigentes e implantar regimes totalitários, cujos governantes escolhidos para serem seus vassalos, os obedecem incondicionalmente.

Esses vendilhões do templo subservientes, enricam, vivem nababescamente, entre orgias e sangrias de dinheiro, sem nenhum pudor e nenhuma dor na consciência, às custas da soberania abdicada em relação ao seu país e à vida miserável que passam a implementar sobre toda a população, que um dia se arrependerá de ter sido manobrada, enganada e vilipendiada.

Mas, ainda há tempo de reverter esse quadro dantesco, surreal, de extrema distopia e inadmissível racionalmente: votando pela democracia, em um democrata consagrado e respeitado mundialmente, que já demonstrou o quanto alavancou nosso país, que é Lula (13 – para reeleição)

 

“Despertar é perceber que o futuro também está sendo decidido enquanto permanecemos de olhos fechados.”

Curadoria  – Gorette Wanderley

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