
Por: Rui Leitão
Não há dúvida de que o candidato do PL tem apresentado posições que levantam uma questão central para o futuro do Brasil: qual é o lugar que ele pretende que o país ocupe no mundo e, particularmente, qual será a relação do Brasil com os Estados Unidos? Ao que se observa, seu propósito não é se tornar presidente de uma República, é ser administrador de uma colônia norte-americana.
Essa não é uma questão surgida agora, durante a campanha eleitoral. Ao longo dos últimos meses, integrantes de seu grupo político mantiveram uma intensa articulação nos Estados Unidos, incluindo contatos com autoridades e setores da direita norte-americana. Entre os personagens envolvidos nessas articulações está Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, que tem assumido papel importante na política externa do governo Trump para a América Latina.

O próprio candidato esteve diversas vezes nos Estados Unidos e tornou públicas suas posições favoráveis a uma aproximação muito estreita com o governo norte-americano, numa explícita disposição de subordinar interesses brasileiros aos interesses de Washington.
Mas há fatos que merecem ser examinados pelos eleitores.
Em reuniões e manifestações públicas, foram discutidas posições relacionadas à exploração de recursos estratégicos brasileiros, inclusive as chamadas terras raras. Também foram divulgadas propostas envolvendo a participação de representantes estrangeiros no processo de transição de governo, caso o candidato seja eleito. São questões que dizem respeito diretamente à soberania nacional e, por isso, não podem ser tratadas como simples detalhes de uma campanha eleitoral.

Há ainda um aspecto simbólico que não pode ser ignorado. Em manifestações públicas de seus aliados, a bandeira dos Estados Unidos aparece com destaque, enquanto figuras importantes desse campo político demonstraram publicamente sua identificação com Donald Trump e com a política externa norte-americana. Jair Bolsonaro, por exemplo, já declarou publicamente sua admiração pelo presidente norte-americano.
É diante desse conjunto de fatos que o eleitor precisa fazer uma pergunta simples, mas fundamental: que tipo de relação queremos estabelecer com os Estados Unidos e que grau de autonomia estamos dispostos a preservar nas decisões sobre o futuro do Brasil?
O Brasil possui território, riquezas naturais, recursos estratégicos, mercado consumidor e uma posição geopolítica que lhe permitem defender seus próprios interesses. A exploração desses recursos, especialmente aqueles fundamentais para as tecnologias do futuro, precisa atender prioritariamente aos interesses brasileiros e ser decidida pelo Estado brasileiro.

O Brasil pode e deve ter parceiros no mundo. Mas o Brasil precisa continuar pertencendo aos brasileiros.
É por isso que estes próximos vinte dias não podem ser tratados como mais uma etapa de uma disputa eleitoral. O que estará em discussão é também o projeto de país que cada candidatura apresenta aos brasileiros.
Porque o Brasil não pode ser projeto de nenhuma potência estrangeira. O Brasil tem de ser projeto dos brasileiros. E soberania não se terceiriza.

“Que nenhuma voz de fora fale mais alto que o direito do povo brasileiro de escrever sua própria história.”
Curadoria – Gorette Wanderley




