A Esperança que nos move

Por: Neves Couras;

É uma segunda-feira de dezembro, aparentemente como qualquer outra. O dia 20 marca o início de uma nova etapa para nossa família: cinco pessoas — nossa mãe e nós, os quatro filhos. A mais velha tem onze anos, o mais novo, sete. Estamos deixando o sertão paraibano para buscar o sonho de uma vida melhor na Capital Federal. Nosso pai já nos espera lá. Ele partiu antes, dizendo que garantiria um emprego para depois levar a família.

A viagem de ida já traz seus desafios. Passamos cinco longos dias enfrentando lamaçais e estradas apenas aplainadas. Faz frio, a comida é pouca, mas finalmente chegamos a Brasília. A casa que nos espera é apenas um barraco em Taguatinga, uma das primeiras Cidades-Satélites.

Sendo a filha mais velha, choro de tristeza e desilusão por dois dias. Parece que já sinto o peso das dificuldades que enfrentaremos. Mas logo paro de chorar. Começamos a estudar e a encarar uma vida sem conforto, mas com muita esperança e fé. Nossa mãe nunca larga o terço. Ela pede a Deus, e aos amigos, boas escolas para nós e um emprego estável para meu pai. Contudo, devido à bebida, ele constantemente entra e sai de novos trabalhos. Ainda assim, sendo um bom profissional, consegue se recolocar com facilidade.

Após quase dois anos em Brasília, nosso pai consegue outro emprego, desta vez em Anápolis, Goiás. Lá vamos nós, levando poucos pertences em cima de um caminhão. Durante a viagem, o céu estrelado nos acompanha, e sinto que as estrelas se tornam minhas companheiras nos momentos mais difíceis.

Dois anos depois, retornamos a Brasília. As dificuldades persistem, mas nossa mãe consegue, por meio da Companhia de Habitação, uma casa. Deixamos para trás o barraco de madeira e passamos a viver em um lar mais digno. Agora, com maior idade, eu e meu irmão mais próximo começamos a trabalhar. No entanto, nosso pai decide deixar Brasília novamente.

Ele vende a casa, compra um carro, e partimos de volta para a Paraíba, começando uma nova aventura. Chegamos a João Pessoa em 23 de dezembro. Aproximamo-nos da capital paraibana em uma linda noite de estrelas. As luzes do Natal nos enchem de alegria e renovam nossa esperança. O espírito natalino traz consigo a energia de novos tempos.

As estrelas continuam belas, e o azul celeste evoca a ideia do infinito. Mas não basta contemplar; precisamos agir. Oração é fundamental, mas ela deve vir acompanhada de atitudes que possam transformar nossas vidas e a sociedade.

Apesar de todos os desafios, nossa história não é marcada apenas pelas dificuldades, mas pela força que encontramos para seguir em frente. O passado nos ensinou a valorizar a resiliência, a fé e a união familiar. Cada lágrima derramada, cada estrada esburacada e cada noite sob as estrelas nos preparou para encarar o futuro com mais coragem.

Enquanto olhamos para trás, percebemos que o que parecia uma vida cheia de desventuras era, na verdade, um caminho de aprendizado. Pombal, Brasília, Anápolis, João Pessoa — cada lugar deixou marcas profundas em nossos corações e fortaleceu nossa determinação.

Hoje, aprendemos a esperar que o futuro seja tão brilhante quanto as luzes de Natal que iluminaram nossas noites de chegada e tão vasto quanto o céu estrelado que sempre nos acompanhou. Que as estrelas continuem a nos guiar e que a esperança permaneça viva em nossos corações, lembrando-nos de que o amanhã sempre pode trazer algo melhor.

Assim, seguimos, certos de que a verdadeira força está dentro de nós e que, mesmo nos dias mais sombrios, a luz do Natal e o brilho das estrelas nos mostram que há sempre um motivo para acreditar.

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