Por: Rui Leitão;
A data de hoje registra o 71º. aniversário do suicídio de Getúlio Vargas. Antes de cometer o ato que lhe tirou a vida, ele escreveu uma “carta testamento” que tem provocado, até hoje, muita polêmica. Ao que se tem conhecimento existem duas versões do documento histórico: uma manuscrita, mais concisa, e outra com maior conteúdo, datilografada, distribuída à imprensa como a mensagem oficial ao povo brasileiro. Em ambas, deixa claro que estava sofrendo pressões de grupos internacionais e nacionais contrários ao trabalhismo, o que teria motivado a decisão de suicidar-se.
Alguns historiadores atribuem o estilo oficial das cartas ao jornalista José Soares Maciel Filho, que era o redator dos discursos de Vargas. Porém, ele confirmou à família que apenas teria datilografado a carta entregue à imprensa. Tanto na Carta Testamento, quanto na Carta Despedida, Getúlio se apresentava como defensor do povo e líder martirizado, justamente porque mantinha uma luta contra a espoliação do povo brasileiro.
No dia 13 de agosto, seu ajudante de ordens, o major da Aeronáutica Herman Fittipaldi, encontrou sobre a mesa de trabalho no gabinete presidencial um bilhete escrito à lápis, hoje conhecido como a Carta de Despedida, contendo a seguinte afirmação: “À Sanha dos meus inimigos deixo o legado da minha morte. Levo a mágoa de não ter podido fazer pelos humildes tudo o que desejava”. Era um prenúncio do que estava decidido a fazer, como forma de enfrentar a ameaça do golpe militar que estava em curso e uma guerra civil no país. Em 24 de agosto cometeu suicídio com um tiro no coração em seu quarto. Acreditava que sua morte teria impacto significativo na história do Brasil e que seu sacrifício seria lembrado como um ato de resistência.
Trechos de sua Carta Testamento demonstram isso. Principalmente a famosa frase: “Saio da vida para entrar para a História”. “Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto”. E ainda; “Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco”
É inquestionável que Getúlio deixou um legado político de grande importância, especialmente na área trabalhista, cujos avanços foram diversos e estruturantes para o futuro do país. Realizou profundas mudanças na economia brasileira, antes dominada pelas oligarquias paulista e mineira, conhecida como “política do café com leite”, submissas às companhias estrangeiras instaladas no Brasil. Denunciou a pressão interna e externa da UDN e dos EUA. Pode ser considerado o fundador do Brasil Moderno, o construtor da identidade, da consciência e da unidade nacionais.