Por: Mirtzi Lima Ribeiro;
Durante milênios a mulher foi tutelada pelo homem. Alguns lugares se mostraram uma exceção e atualmente os reflexos em sua educação e sociedade local são visíveis e palpáveis: as mulheres são mais independentes e muitos clichês impostos em outras nacionalidades, naturalmente não existem por lá.
Exemplo? Onde viveram os vikings nos séculos VIII e XI, os celtas que foram da Idade do Bronze, a Idade do Ferro até e era Romana, e os Minoicos em Creta, na Idade do Bronze. Nesses lugares a mulher tinha relevância e exercia papéis tão importantes quanto os homens, escolhiam com quem queriam se casar, eram independentes, respeitadas como seres humanos tanto quanto os homens e participavam ativamente da vida social e econômica.
Por que então na maioria das localidades do planeta foi o homem a ter hegemonia e ditar as regras sobre o comportamento das mulheres?
No Brasil, as leis balizaram alguns avanços tardios. O voto feminino foi possível a partir de 1932, mas ainda hoje a mulher é minoria no legislativo municipal, estadual e federal, assim como em mandatos nos principais cargos eletivos do Poder Executivo (prefeita, governadora e presidente da república).
Apenas depois do ano de 1962, a mulher pôde trabalhar sem ter que pedir permissão por escrito ao pai ou ao marido cujo documento tinha que constar na sua ficha cadastral do emprego, ter conta bancária e cartão de crédito (antes era proibido). Só a partir deste ano, através de lei, em caso do marido pedir o então “desquite” ela passou a ter direito de pedir a guarda dos filhos (antes disso era impossível, os filhos ficavam com o homem).
Em 1988, com a Constituição Federal a mulher foi equiparada pela primeira vez no Brasil ao homem, com direito a ter direitos iguais, mas até hoje luta para ter isso garantido porque o preconceito estrutural ainda impera.
Apenas a partir do ano de 2021 (há pouquíssimo tempo!), por decisão do Supremo Tribunal Federal, passou a ser proibido usar no Tribunal do Júri em caso do homem assassinar a mulher, o uso da tal figura da “legítima defesa da honra masculina” como atenuante. Mas, infelizmente, feminicídios ainda são volumosos em nosso país.
E aí ficam as perguntas: e se fosse o inverso em relação aos homens? Se eles tivessem que engravidar e partejar? Que fossem obrigados a seguir um padrão de comportamento? E tivessem que ser tutelados pelas mulheres?
E se eles recebessem o carimbo de sexo frágil e não tivessem direitos como os que possuem hoje? E além dos direitos, culturalmente predominam como detentores de poder de mando e de referência.
Mas, se eles tivessem que abrir mão ou de se subjugar? Ganhar remuneração menor que a mulher exercendo o mesmo cargo e mesmas atribuições laborais que a colega mulher (em igual empresa e nomenclatura da função)?
E se secularmente eles tivessem sido obrigados a ser controlados, tutelados, vigiados, estereotipados, limitados e lhes fosse negado a se desenvolver e a viver? E se quando vivessem sozinhos fossem menosprezados ou carimbados como “fácil” e um perigo aos que possuem relacionamentos formais? E se após cinquenta anos fossem desconsiderados pela idade? E se tudo deles fosse mais difícil de conseguir por causa de um preconceito estrutural?
São perguntas pertinentes, embora fortes. No filme francês de 2018, “Eu não sou um homem fácil” (Je Ne Suis Pas Un Homme Facile), se explora o tema do lado reverso ao que ocorre com a mulher. Nele, um machista e “pegador” inveterado prova de seu próprio veneno ao acordar em um mundo dominado por mulheres, onde os homens são o sexo frágil porque não geram e não dão à luz bebês (ato próprio do sexo forte que são as mulheres), as mulheres traem e a desculpa são seus hormônios. Este homem entra em conflito com uma poderosa escritora que usa sexualmente os homens sem nenhum remorso ou peso na consciência. Quando ela o chama para uma transa casual, ela o rejeita porque ele não está devidamente depilado para o ato.
Vocês homens já se imaginaram estando em um mundo reverso como o do referido filme?
Colocar-se no lugar da mulher pode gerar reflexões importantes. O certo é igualdade de direitos apesar das diferenças anatômicas e de gênero, respeito mútuo, interações respeitosas, engrandecedoras e frutíferas.