
Por: Neves Couras
Quando pequenos e, depois, mais jovens, pedíamos autorização aos nossos pais para irmos a algum lugar. Em nossa casa, mais tarde, aconteceu comigo: meus filhos pediam para ir a algum lugar e, quando a “antena de mãe” dava o sinal, eu dizia: “Acho melhor não ir”. Muitas vezes, já adultos, chegavam e diziam: “Mamãe, bem que a senhora disse para não irmos”. Lá vinha o “Eu não disse?”. Isso, quando acontecia comigo e meus irmãos, pois sempre andávamos juntos, e nossa mãe falava essa frase, era o mesmo que apanhar.
Hoje, meus filhos dizem: “Mãe, nós vamos a tal lugar”. E, se eu disser que não, eles caem na risada e dizem: “É melhor ficar. Quando mamãe fala, é melhor obedecer”. Mas, como mãe, eu sei que nem sempre adianta avisar.

Essa introdução serve apenas para lembrarmos os tempos de juventude. Estou usando essa lembrança para falar dos eleitores de um certo candidato. Quantas vezes ouvimos a frase: “Se Lula ganhar, irei para o Paraguai”, como se o nosso vizinho fosse uma ilha de justiça e prosperidade na América do Sul. Não adiantava dizermos por A mais B que isso não resolveria nada, que o nosso vizinho não era essa terra de maná que os influenciadores da direita diziam.
O primeiro a debandar foi o candidato que perdeu. Tenho até pena dele. Menino malcriado e mimado, aprendeu a enganar, assim como toda a família. Seus seguidores diziam que iriam se mudar para o Paraguai. E muitos assim o fizeram. Que pena! Olhem bem as notícias de hoje, dia em que estou escrevendo este pequeno texto.

O Paraguai enfrenta uma grave crise bancária após o fechamento do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, que deixou quase três milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro, incluindo milhares de aposentados. A instituição, que também administrava cerca de 800 milhões de dólares em recursos públicos, foi considerada insolvente pelo Banco Central, em meio a suspeitas de fraudes contábeis, empréstimos irregulares e desvio de recursos. O escândalo provocou protestos populares, a prisão de dirigentes do banco e uma crise política que atingiu o presidente Santiago Peña, antigo sócio de empresas ligadas à instituição. Enquanto isso, milhares de famílias aguardam a devolução de suas economias.
“Em mensagem de renúncia, Peña pede desculpas e diz que ‘nenhuma pessoa está acima do Paraguai’.”
“Mais cedo, o Congresso do país havia dado os primeiros passos para votar um impeachment contra Santiago Peña e seu vice. A crise começou após o banco digital Ueno fechar as portas e deixar milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Peña foi acionista do banco.” [i]

O brasileiro, habitante deste orbe, tem o maior coração que existe. Ao Brasil foram encaminhadas as pessoas mais difíceis que Portugal, éramos o destino dos degredados. Aqui encontraram povos que tinham seus costumes e culturas e, apesar das dores e mortes, houve uma primeira miscigenação. Depois vieram os africanos, que infelizmente sofreram e ainda sofrem as piores injustiças deste país. Vieram, ainda, povos de quase todas as nações, que aqui são bem-vindos e respeitados.
O brasileiro é o povo mais pacífico e alegre do mundo. É perfeito? Não. Não existe perfeição. Já tivemos momentos políticos que envergonharam nossa nação, mas, graças a esse povo, voltamos à democracia, e é por ela que precisamos lutar para preservá-la.

Sabemos a causa de parte do Brasil ter votado no candidato que abandonou a tropa sorrateiramente, principalmente a classe empresarial, que contava com a possibilidade de derrubar leis que beneficiam os pobres deste país. Entretanto, credito tudo isso à ganância. Muitos desses empresários já estiveram lá embaixo na pirâmide social, mas, incrivelmente, se esqueceram disso. Muitos outros, beneficiados por todos os programas sociais, votaram no menino mimado, pois, assim como acreditam em alguns milagres impossíveis, acreditaram nele.
Portanto, estamos novamente esperando que nossa democracia se fortaleça e que aqueles que costumam levar para casa o que não é seu possam ir para os lugares que merecem.

“Pequena Memória para um Tempo sem Memória”, com Gonzaguinha, encerra esta leitura lembrando que preservar a democracia também é honrar quem lutou para que hoje tivéssemos voz.
Curadoria – Gorette Wanderley
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Fonte: [i] https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/11/05




