
Por: Neves couras
Estou aqui novamente para falar da democracia e da nossa obrigação, como brasileiros, de termos responsabilidade para, através do nosso voto, garantirmos a democracia. Acredito que alguns brasileiros, envolvidos por certo desconhecimento no que diz respeito à democracia, estão publicando que votarão em um determinado candidato.
Votar é um ato que nos dá o poder de decidir. Se não estivéssemos vivendo numa democracia, nossa voz não poderia ser exercida. Eu e tantos outros escritores, jornalistas e cidadãos em geral não poderíamos ter voz, pois seríamos presos, nossas famílias perseguidas e nossas casas revistadas.
De qualquer forma, encontrariam qualquer coisa que nos levaria à prisão, e teria grande possibilidade de nunca mais sermos vistos.
Sei que, por menor que seja o seu conhecimento, você já viu na TV a UNICEF pedindo doações para comprar alimentos.

Só para relembrar o que já escrevi e talvez não tenha sido lido, o Brasil já foi recebedor de alimentos. Países como México, Estados Unidos e Austrália enviavam alimentos para que fossem distribuídos entre as famílias que hoje recebem o Bolsa Família. No governo de Fernando Henrique Cardoso, iniciaram-se programas como o Vale-Gás e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, além do Programa Saúde da Família. Todos esses programas foram sabiamente aperfeiçoados por Lula, até chegarmos a um dos maiores programas de distribuição de renda, que chama a atenção de outros países.
Se esses programas forem extintos, não serão apenas os pobres que irão sofrer, mas os empresários que tem nos beneficiários desses programas de transferência de renda os seus clientes, são donos de mercados, padarias, lojas de bairro e pequenos comércios que também sofrerão.

Vi, em um discurso do candidato de direita, que ele irá garantir que o homem que cometer estupro seja, em palavras mais fáceis de entender, castrado quimicamente. Ao ouvir isso, me arrepiei. Não porque ache que esses homens não mereçam um castigo maior. No entanto, todas as vezes que esse tipo de lei é anunciado, penso na quantidade de homens que, por engano, são levados aos presídios. São casos que vemos rotineiramente. Quem garante que nossas polícias têm equipamentos que assegurem que aqueles que forem para a cadeia sejam realmente os que praticaram os crimes? Como já é costume em nosso país, são os pretos e pobres que pagarão por esses erros.
Fico triste de verdade quando vejo uma mulher pobre dizendo que votará nesse candidato. O pai dele, em pleno plenário, disse a uma deputada que não a estupraria porque ela era feia.

A quem devemos dar o poder e a autorização para entregar nosso país nas mãos de outras nações?
Como o narcotráfico será extinto em nosso país quando nossa polícia não consegue nem entrar em certas comunidades? Digo isso por experiência própria. Qualquer agente de saúde sabe que só entra em certas comunidades para fazer seu trabalho se o “chefe” permitir.
Quando entramos em algumas comunidades, precisamos baixar os vidros dos carros para que nos vejam e nos reconheçam. Os motociclistas, se não forem da comunidade, terão que entrar sem capacete.

Estou falando da Paraíba. E em estados como São Paulo e Rio de Janeiro? Se fosse fácil resolver essa questão, já teria sido resolvida. Mas essa questão envolve países vizinhos e exige do Estado preparação para realizar tais trabalhos.
Este é um trabalho de esclarecimento de uma mulher que já trabalhou enfrentando as dificuldades que aqui relato.
Votar é um ato sério. Não é uma brincadeira de festa de quermesse, em que resolvemos ficar na barraquinha azul ou na vermelha.
Pense em todos, não só em você.
Vote bem!

“Que a nossa voz nas urnas seja também um compromisso com quem nunca teve espaço para ser ouvido.”
Curadoria – Gorette Wanderley




