
Por: João Vicente Machado Sobrinho
A nossa pretensão no presente escrito é abrir um amplo debate sobre toda essa incerteza econômica que paira sobre todos os países do mundo. Principalmente os países emergentes que anseiam pum multilateralismo econômico que permita universalizar o seu desenvolvimento social e econômico. Os Estados Unidos da América do Norte-USAN, em consórcio com o Sionismo de Israel, resolveram redesenhar o mapa Mundi e estender seus tentáculos, aos países emergentes, potencialmente os mais ricos, para subjugá-los aos seus ditames e aos seus interesses econômicos.
Assim sendo, em pleno século XXI, resolveram redesenhar o Mapa Mundi através da força bruta, fazendo uso de armas de ultima geração, para impor um modo de governo submisso, em total desrespeito à soberania dos países, agredindo às convenções, os tratados e o direito internacional. Os USAN através do presidente Donald Trump, têm promovido uma remake da vetusta Doutrina Monroe, recheada pela força bruta, um legado do ultraconservador Joseph McCarthy. Jogando para a plateia interna como forma de escamotear a arrogância e a pretensão, apavorados com o declínio econômico, intervieram de forma acintosa na Venezuela, sequestrando e prendendo o presidente Nicolás Maduro. Em seguida uniram-se ao governo sionista de Benjamin Netanyahu, para atacar o Iran num projeto neocolonialista acintoso, de pilhagem da riquezas minerais e energéticas daquele país.
O nosso intuito é trazer a lume inicialmente uma abordagem dialética preliminar, para pontuar os impactos de conflitos armados sobre os mercados energéticos e as suas repercussões internas nas economias nacionais, tudo uma decorrencia da nossa incapacidade de persuasão para nos defender. Pela nossa ótica, uma necessidade premente que sirva entre outras coisas, para desestimular agressões absurdas como as que, por enquanto, estamos assistindo.

Partindo de episódios históricos como a Guerra do Yom Kanpur, que a rigor foi conflito militar entre Israel e uma coalizão de países árabes, a Revolução Iraniana, até a recente Guerra na Ucrânia. Nossa apreciação evidencia como a elevação dos preços dos combustíveis atua como vetor inflacionário doméstico e global e como as distopias violentas e despóticas como as que estamos vivenciando funcionam.
No caso brasileiro, é oportuno destacar a rigidez orçamentária do nosso país, associada ao elevado comprometimento com o serviço da dívida pública, além das chantagens de uma parte do Congresso Nacional, como revelam os dados da Auditoria Cidadã da Dívida. Ali estão expressos os elementos limitadores da capacidade estatal de responder às crises pontuais e da nossa debilidade de resposta a agressões externas. Conclui-se que a interação entre dependência energética e a restrição fiscal, aprofunda a nossa vulnerabilidade econômica e social, configurando uma crise de natureza estrutural. interna, como também e revelando a nossa incapacidade de persuasão.

O problema das contas públicas tem nome-sistema financeiro.
A dinâmica do capitalismo contemporâneo, tem revelado uma crescente interdependência entre os fatores econômicos e geopolíticos, sendo a energia — especialmente a dos combustíveis fósseis — um elemento central nessa articulação. Em contextos de guerra, essa relação torna-se ainda mais evidente, uma vez que a ruptura nas cadeias de fornecimento energético provoca efeitos sistêmicos sobre a economia global.
Historicamente, crises energéticas têm sido desencadeadas por conflitos internacionais. A Guerra do Yom Kippur marcou o primeiro grande choque do petróleo, ao passo que a Revolução Iraniana reforçou a instabilidade nos mercados energéticos. Mais recentemente, a Guerra na Ucrânia evidenciou a persistência dessa dinâmica, em pleno século XXI.
Nesse contexto, o presente artigo sustenta a tese de que o desarranjo econômico provocado pelos combustíveis não pode ser compreendido apenas como resultado de fatores externos. Ao contrário, ele se articula com limitações estruturais internas, particularmente no âmbito fiscal, onde o elevado comprometimento do orçamento público com o serviço da dívida restringe a capacidade de resposta do Estado.

A análise aqui proposta, fundamenta-se na tradição do materialismo histórico, que compreende os fenômenos econômicos como expressões de contradições estruturais. Nesse sentido, a energia não é apenas um insumo produtivo, mas uma mercadoria estratégica cuja disponibilidade condiciona a reprodução do capital.
A abordagem dialética permite compreender a crise como um processo dinâmico, resultante da interação entre múltiplas determinações. De um lado, a interdependência econômica global intensifica a propagação de choques externos; de outro, a soberania dos Estados impõe limites às respostas políticas e econômicas.
Assim, a crise energética decorrente de conflitos armados deve ser interpretada como expressão de uma contradição fundamental: a coexistência entre integração global e competição geopolítica.

Os conflitos armados, comprovadamente desempenham um papel decisivo no desarranjo dos mercados de energia. A guerra não apenas afeta diretamente a produção e o transporte de combustíveis, com também altera expectativas e estratégias de mercado, gerando volatilidade de preços.
A Guerra na Ucrânia se constitui no exemplo paradigmático mais recente desse processo. As sanções impostas à Rússia aliadas à reconfiguração de rotas energéticas, impactaram significativamente o fornecimento de gás natural e petróleo, elevando os preços internacionais e desencadeando pressões inflacionárias em diversas economias, inclusive no Brasil que é um pais potencialmente autossuficiente em petróleo.
Esse fenômeno evidencia o caráter sistêmico da crise e, embora o conflito seja regional, seus efeitos são globais, atingindo países com diferentes níveis de desenvolvimento e graus de dependência energética.
No plano interno, a elevação dos preços dos combustíveis atua como um dos principais vetores inflacionários. Seu impacto é transversal, afetando diretamente os custos de transporte e, indiretamente, o preço de bens e serviços.

Além de tudo disso, trata-se de um fenômeno regressivo, uma vez que o aumento dos combustíveis compromete de forma mais intensa a renda das camadas populares. Esse efeito amplia as desigualdades sociais e contribui para a deterioração das condições de vida da população.
Do ponto de vista produtivo, o encarecimento da energia acarreta a elevação dos custos industriais e reduz a competitividade econômica, podendo levar à retração da atividade e ao aumento do desemprego.
A capacidade de resposta do Estado frente as crises econômicas depende, em grande medida, da sua margem fiscal. No caso brasileiro, essa capacidade encontra-se significativamente limitada pelo elevado comprometimento do orçamento público com o serviço da dívida pública e o apetite incontido da maioria do Congresso Nacional.
Dados divulgados pela Auditoria Cidadã da Dívida indicam que aproximadamente 43% do orçamento federal de 2024 foram destinados ao pagamento de juros e amortizações, totalizando cerca de R$ 2 trilhões, com T de touro.
Essa estrutura orçamentária evidencia uma contradição central: enquanto a crise exige maior intervenção estatal — seja por meio de subsídios, investimentos ou políticas sociais —, o Estado encontra-se financeiramente restrito, com grande parte de seus recursos comprometidos com o setor financeiro.

A análise em tela permite identificar a convergência entre fatores externos e internos na produção do desarranjo econômico. De um lado, a guerra e a instabilidade energética geram choques inflacionários e desorganização produtiva; de outro, a rigidez fiscal limita a capacidade de resposta do Estado.
Essa dupla determinação intensifica os efeitos da crise, transformando choques conjunturais em problemas estruturais. Assim, a vulnerabilidade econômica não decorre apenas da dependência externa, mas também de limitações internas associadas à gestão do orçamento público.
Quando se diz que Energia é um recurso natural estratégico, os liberais capitalistas contestam, com o pálido argumente de que é queixume de comunistas. Anteriormente afirmamos com base em dados numéricos, ser o Brasil um pais potencialmente autossuficiente em energia fóssil, ou seja petróleo. Agora nos resta provar com dados concretos. Vejamos:
No ano de 1953, o presidente Getúlio Vargas sancionou a Lei nº 2.004, criando a Petrobras, na qual estabelecia também que o monopólio estatal sobre a exploração, produção, refino e transporte de petróleo seria do Brasil.
O monopólio começou a ser flexibilizado com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, durante o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso.
Em seguida, veio a Lei do Petróleo (Lei nº 9.478/1997), que:
. Quebrou o monopólio da Petrobras
. Permitiu a entrada de empresas privadas e estrangeiras na exploração de petróleo
. Criou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para regular o setor.
Por oportuno é necessário informar que após o fim do monopólio, a Petrobras continuou sendo a principal operadora no país — especialmente com as descobertas do pré-sal nos anos 2000.
A partir do ano de 2013 até agosto de 2022 (9 anos), a Petrobras vendeu 94 ativos (80 no Brasil e 14 no exterior), totalizando US$ 59,8 bilhões. Somente no período de governo de Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e agosto deste ano, foram vendidos 63 ativos (67% do total até aqui), no valor de US$ 33,9 bilhões, incluindo subsidiárias estratégicas, como foi o caso a BR Distribuidora, refinarias, campos de petróleo, terminais, gasodutos, termelétricas, usinas eólicas, entre outros.

O sequestro do orçamento da União em favor da banca internacional.
O ataque privatista criminoso à Petrobras, foi justificado com a história do mensalão. O governo de Bolsonaro guiado por Paulo Guedes, ao invés de punir as trombadinhas culpados, encontrou o pretexto ideal para aplicar o velho teorema do liberalismo capitalista, muito usado no Brasil-Matar a vaca para combater o carrapato. E como se deu esse ataque?
Puseram as mãos à obra e obrigaram as nossas refinarias a reduzir gradualmente o refino que, de forma decrescente caiu de 100% para 60% da capacidade. Em seguida foram paralisando algumas delas que e iam sendo desativadas e vendidas por preços aviltantes. Foi assim também com as plataformas e as refinarias:
Refinaria Landulfo Alves (RLAM): Vendida para a Acelen (Mubadala Capital), localizada na Bahia, renomeada como Refinaria de Mataripe.
Refinaria Isaac Sabbá (REMAN): Vendida para o grupo Atem, localizada no Amazonas, renomeada para Ream
Refinaria Clara Camarão RCC), localizada em Guamaré (RN), foi adquirida pela empresa 3R Petroleum (especificamente através de sua subsidiária 3R Potiguar S.A.)
BR Distribuidora e a Transportadora Associada de Gás (TAG)
“A venda de ativos da Petrobrás em 2021, no valor de R$ 25,5 bilhões, respondeu por um quarto do lucro da empresa no ano passado”, observa o economista do Dieese Cloviomar Cararine, em depoimento à FUP. ” É uma empresa sendo desmontada e transformada em dividendos para acionistas”. Em 2021, a empresa gerou dividendos recordes de R$ 101,4 bilhões para acionistas.
“Os preços da gasolina e do diesel sofreram mais um aumento no Rio Grande do Norte a partir desta quinta-feira (19). O comunicado foi feito pela Brava Energia, empresa que administra a refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, que foi vendida durante o governo de Jair Bolsonaro.
A gasolina A, que na semana passada era comercializada a R$ 3,19, passou para R$ 3,82 com o novo reajuste, uma alta de R$ 0,63 por litro. O diesel A S500 aumentou de R$ 5,07 para R$ 5,52, salto de R$ 0,45 por litro. O GLP (gás de cozinha) não sofreu reajuste.
A refinaria Clara Camarão, antes pertencente à Petrobras, foi vendida para a empresa 3R Petroleum em janeiro de 2022, no último ano da gestão Bolsonaro. O negócio foi fechado por 1,1 bilhão de dólares, cerca de R$ 5,5 bilhões, e envolveu também um conjunto de 20 concessões de campos de petróleo que compõem o chamado Polo Potiguar.”
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O desarranjo econômico provocado pelos combustíveis, em contextos de guerra, revela a profundidade das contradições do sistema econômico contemporâneo. A energia, enquanto recurso estratégico, atua como canal de transmissão de crises globais, ao passo que a estrutura fiscal dos Estados condiciona suas possibilidades de resposta.
Utilização da capacidade instalada das refinarias brasileiras em % (por operadora.

No caso brasileiro, o elevado comprometimento do orçamento com o serviço da dívida, limita a adoção de políticas capazes de mitigar os impactos da crise energética. Essa realidade evidencia a necessidade de repensar tanto a dependência de combustíveis fósseis quanto a organização das finanças públicas.
Conclui-se que a superação dessas crises exige não apenas medidas conjunturais, mas transformações estruturais que enfrentem as raízes da vulnerabilidade econômica. A primeira delas é a reestatização urgente da BR-Distribuidora para que o governo assuma na integralidade o controle dos preços que hoje é feito por distribuidores privados.

“Quando o crescimento não alcança o povo, ele deixa de ser avanço e passa a ser engrenagem.”
🎧 Ouro de Tolo – Raul Seixas
Referências:
Com interferência de Bolsonaro, Petrobras tem perda histórica de valor de mercado – BBC News Brasil;
Intervenção de Bolsonaro na Petrobras custou cerca de 400 bilhões de reais | VEJA;
Governo Bolsonaro vendeu refinaria da Petrobras abaixo do preço de mercado, aponta auditoria da CGU – CartaCapital;
Petrobras perde R$ 102,5 bi em valor de mercado após intervenção de Bolsonaro – 22/02/2021 – Mercado – Folha;
Efeito Bolsonaro: como 3 estatais perderam bilhões de reais em um dia- Gazeta do Povo;
Refinaria vendida por Bolsonaro anuncia mais um aumento de combustível no RN
Fotografias:
Crise fiscal, dívida pública e a privatização da Seguridade Social;
Materialismo Histórico – Pesquisa Google;
Estreito de Ormuz gargalo global – Pesquisa Google;
Refinarias privatizadas por Bolsonaro operam abaixo da capacidade Youtube
Gráfico do Orçamento Federal Executado (2025) – Auditoria Cidadã da Dívida;




