fbpx
28.1 C
João Pessoa
Início Cristina Couto Marchar é preciso, cantar é motivo canta Fagner

Marchar é preciso, cantar é motivo canta Fagner

 

Quando Raimundo Fagner leu Cecilia Meireles descobriu MOTIVO para musicar e popularizar seus poemas, e cantou porque o instante existiu e não viu tristeza e nem alegria na sua vida, viu poesia e se descobriu poeta.

O poeta se irmana com as coisas que escapam com rapidez, com as coisas fugidias da vida, porque, o poeta sente tudo, passa por tudo intensamente. Em algum momento ele é inteiro, em outros é metade, e, ainda em outros se faz pedaços; quando necessário se mostra claro e quando não obscuro, ele é semelhante ao instante que passa, ele passa com a sutileza de um felino, a discrição de uma serpente, voa alto como uma águia e se protege dentro da sua couraça como uma tartaruga. O poeta é único e outras vezes muitos.

Descobre no seu cantar a totalidade das coisas e da vida, a musicalidade corre nas suas veias, é sangue, e sangue é vida, vida é inspiração que possibilita o artista voar em asas ritmadas, voar através do pensamento e da imaginação, pensar naquilo que já se foi como naquilo que está sendo, porque, a vida passa e quando chega o momento da sua partida (morte), a voz do poeta cala, emudece e mais nada. E nesse momento a sua vida está completa. Não precisa ser alegre e nem ser triste, basta ser poeta.

Fagner continuou acompanhando a MARCHA que Cecilia puxou, sentindo saudades buscou novos caminhos e neles encontrou tudo menos a felicidade, tentando a todo custo encontrá-la correu para o violão e dedilhou versos inventados para aclamar e encontrar sentido na vida e dar vida aos sentimentos, mesmo assim, nada lhe trouxe contentamento, quem sabe se tivesse da natureza o gosto azedo e delicado da framboesa e através do seu perfume e beleza conseguisse esconder toda sua tristeza. Mas que bobagem! Moço não tem tristeza, e tomando emprestado o verso do contemporâneo Belchior grita em voz alta, assim como hino de exaltação a juventude: “Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza e deixemos de coisa, cuidemos da vida, pois se não chega à morte ou coisa parecida, e nos arrasta moço sem ter visto a vida.” (Belchior, 1971).

E, na ânsia de reencontrar consigo mesmo e com a vida, sair daquele marasmo e trazer novo sentido para seu viver recorre ao compositor Tom Jobim que num momento de tristeza e sem ver saída compôs a música Águas de Março e viu um fio de esperança nos versos: “É pau, é pedra, é o fim do caminho é um resto de toco, é um pouco sozinho […. ] São as águas de março fechando o verão. É promessa de vida em nosso coração.” Assim como as águas banham o solo, banham também a alma e renova a vida, fechando o verão e fechando o inverno do nosso coração.

Relacionados

Julgar é fácil, difícil é ser

Como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave...

Trinta Navios de Dimas Macedo

Navegar, mergulhar e voltar à tona sempre foi um desafio na vida de Dimas Macedo. Os Navios construídos por ele navegaram do Rio Salgado...

Ainda vai levar um tempo

A vida passa lentamente E a gente vai tão de repente Tão de repente que não sente Saudades do que já passou. (Nelson Mota, 1981). Depois de 20...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas

Um beijo para o gordo

Sempre me pareceu um pouco tolo a emoção que muitas pessoas demonstram quando algum famoso morre. São famosas as cenas, como nos funerais de...

Medo e Liberdade

Tenho refletido muito, talvez pelo momento político, a respeito de liberdade em seu sentido mais amplo. Mas o que é liberdade? Segundo o dicionário...

Esqueceram o Marquês

A passagem de efemérides, como a do segundo centenário da nossa Independência, faz com que algumas figuras históricas daquele momento sejam rememoradas (em regra,...

Lula-lá: Sem Medo de Ser Feliz

Desde a minha infância vivida na minha cidade natal, Lavras da Mangabeira CE, me habituei a ouvir modinhas e parodias usadas no período de...

Mais Lidas

OS 11 princípios de Joseph Goebbels

Texto originalmente publicado em 08/01/2020    Joseph Goebbels, para os que não têm a informação, foi ministro da propaganda de Adolf Hitler e comandou a...

Tudo Passa Sobre a Terra

   Não foram poucas as vezes   que fizemos uso da famosa frase do escritor cearense José de Alencar, usada por ele ao finalizar o...

Medo e Liberdade

Tenho refletido muito, talvez pelo momento político, a respeito de liberdade em seu sentido mais amplo. Mas o que é liberdade? Segundo o dicionário...

Asas que voam

Pelas frestas da janela, essas lembranças invadem o quarto sombrio daquele tempo escorrido nas noites do passado. Uma vez, recordo bem, reservara a mim...