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Início Flavio Ramalho de Brito O Poeta que eternizou o seu Bairro

O Poeta que eternizou o seu Bairro

Quando se diz “o Poeta da Vila”, mesmo sem identificar que “Poeta” e que “Vila” seriam, muitas pessoas, de pronto, já vinculam o qualificativo ao nome de Noel Rosa e ao bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ao que parece ninguém conseguiu, pelo menos no Brasil, ligar mais o seu nome ao pequeno espaço de um bairro de uma cidade do que o grande compositor carioca.

Casa onde nasceu Noel Rosa

Noel Rosa nasceu, em dezembro de 1910, em um chalé localizado na Rua Teodoro Silva, em Vila Isabel, e morreu e foi velado, em maio de 1937, na casa onde nasceu. Durante toda a sua vida, mesmo durante o curto período em que foi casado, a residência de Noel foi a casa da sua família na Rua Teodoro Silva, em Vila Isabel. O chalé onde nasceu o Poeta da Vila, anos depois da sua morte, foi demolido e, no local, foi construído um edifício que, acertadamente, tem o nome de Noel Rosa.

Um ano após a sua morte, Noel Rosa foi homenageado, não em logradouros na área central do Rio de Janeiro, mas em Vila Isabel. Foi em uma praça, no bairro, que foi colocada uma coluna com o perfil do compositor.

Embora tenha o seu nome indelevelmente ligado a Vila Isabel, Noel Rosa fez poucas canções com menções ao seu bairro. Na mais rigorosa biografia existente de Noel Rosa, que foi feita por João Máximo e Carlos Didier, restrita a uma única edição, publicada, em 1990, pela editora da Universidade de Brasília, foram levantadas 259 músicas com a participação autoral de Noel Rosa. Desse total, apenas quatro ou cinco canções falam do bairro de Vila Isabel. Um delas, apenas indireta e ocultamente, menciona o local: “Três Apitos”. A “fábrica de tecidos” que Noel se refere na letra da música ficava em Vila Isabel.

“Quando o apito

Da fábrica de tecidos

Vem ferir os meus ouvidos

Eu me lembro de você”

Teresa Cristina – “Três Apitos”

 

Quando de uma polêmica musical que Noel se envolveu com o compositor Wilson Batista, que fez dois sambas (“Mocinho da Vila e “Frankenstein da Vila”) ironizando o poeta, Noel replicou com o clássico “Palpite Infeliz”, que traduzia o sentimento dos compositores da Vila Isabel sobre o assunto: “ A Vila não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz samba também”

Arlindo Cruz – “Palpite Infeliz”

Mas, a música que eternizou, definitivamente, o nome de Noel Rosa, vinculando-o ao bairro de Vila Isabel, foi “Feitiço da Vila”, em que Noel colocou os seus versos na melodia de Vadico. “Feitiço da Vila” é, aqui, mostrada numa interpretação magistral de outro grande compositor da Vila Isabel, Martinho da Vila.

                                            Feitiço da Vila – Martinho da Vila
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos
Do arvoredo e faz a lua
Nascer mais cedo
Lá, em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba
São Paulo dá café
Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba
A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora
Sol, pelo amor de Deus
Não vem agora
Que as morenas
Vão logo embora
Eu sei por onde passo
Sei tudo o que faço
Paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer
Modéstia à parte
Meus senhores
Eu sou da Vila!
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