Envelhecer versus amadurecer

Por: Mirtzi Lima Ribeiro;

Envelhecer é um grande privilégio e ainda bem que muitos experimentam esse processo, alcançando a longevidade. Entretanto, amadurecer é uma distinção muito maior que poderá estar envolvida ou não nesse encadeamento.

Certa vez alguém me disse que um determinado indivíduo agiu com descontrole emocional em uma situação despropositada, porque ainda não havia amadurecido. Eu sabia que a idade da pessoa em questão era em torno de quarenta e poucos anos.

Pela situação trágica e cômica gerada, eu perguntei com ares zombeteiros: e você acha que ele vai amadurecer quando completar cem anos? O fato poderia ter sido evitado no nascedouro, mas, por arroubos e impulsos, se agravou. Para mim a situação era delicada porque eu estava sendo demandada para solucionar o problema que, inadvertidamente, desembocou em vias policiais e na sequência, judiciais.

 

Nem sempre imaturidades chegam a esse nível, mas, atrapalham muito, reduzem possibilidades, ameaçam o sossego, minam e entorpecem as emoções, desnecessariamente embaralham situações e vidas.

Embora em alguns indivíduos isso possa esbarrar em imaturidades, orgulhos e egos inflados, o caminho mais óbvio e sábio sempre será o emprego da serenidade, da civilidade e da sensatez ao se tentar resolver quaisquer impasses ou em equacionar interesses difusos.

Não há nem serventia e nem inteligência ao se levantar o tom de voz, ao se fazer ameaças, ao emprego de violência verbal ou física, ao uso de deboches ou menosprezos, ou também, agir com frieza e distanciamento para que o outro fique falando sozinho ou sem respostas. Esta lista citada é reflexo nítido de imaturidade.

Em todos os casos que conseguimos observar ao nosso redor e em manchetes noticiadas, é lamentável constatar que muitos não aprenderam a lidar com seu íntimo e que por esse motivo criam situações difíceis, apesar de terem ultrapassado meio século em idade.

 

E ainda há agravantes, como o caso de gente que parece se alimentar de contendas, de mexericos inconvenientes e de arquitetar ciladas para os outros. E tudo isso vem compor quadros deploráveis e desnecessários.

Lidar com o comportamento consigo e com o outro requer cuidados, tato e tranquilidade, elementos que podem ser trabalhados e construídos visando ao bem viver.

Somos gregários por natureza, portanto, o zelo uns com os outros deve ser preponderante. A compreensão precisa ser acionada, a cognição deve vir acompanhada de discernimento, da capacidade de considerar cenários e circunstâncias.

Tudo pode e deve ser ponderado antes de qualquer ação. E para tal, é fundamental o trabalho sobre si mesmo, de modo a conseguir lidar com todos desafios e alegrias da vida em comum na rotina diária.

Comentários Sociais

Mais Lidas

Arquivo