Fé e gratidão

Por: Neves Couras
Está se aproximando o dia 12 de outubro, data dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Todos os caminhos que levam a Aparecida são tomados por pessoas que se dirigem àquele belíssimo lugar para agradecer à Mãe de Jesus pelas curas que lhe são atribuídas, como também para renovar seus pedidos.

É uma demonstração de como, nos momentos mais difíceis da vida, especialmente quando enfrentamos problemas de saúde, buscamos na fé a segurança e o conforto de que tanto precisamos. É quando nos sentimos mais vulneráveis que recorremos à intervenção dos santos e, principalmente, de Maria, seja como Nossa Senhora Aparecida ou qualquer uma das suas infinitas formas, confiando em sua intercessão junto a Jesus para nos ajudar a superar nossas dificuldades e alcançar a graça da cura.

Buscando algumas citações em meu livro Cirurgia Espiritual como Prática Terapêutica (2014), trago algumas que explicam melhor o que significa “fé”.

Sabemos que nenhuma civilização conhecida deixou de ter fé em um deus ou em deuses, tendo em vista que, durante milênios, a fé ocupou um lugar de destaque entre todos os povos do mundo. Quando o Ocidente começou a dividir as esferas da mente e do corpo, colocando a fé e a razão em extremidades opostas, a fé deixou de gozar do mesmo prestígio que a razão. Para alguns estudiosos, a razão é a maior inimiga da fé; ela nunca chega para auxiliar nos assuntos espirituais, mas frequentemente faz o contrário: luta contra o Verbo divino, tratando com desprezo tudo o que emana de Deus.

No entanto, como pesquisadora, tenho um olhar que me leva aos tempos de Jesus, quando as pessoas se dirigiam a Ele em busca de cura. Ou seja, a fé tem papel preponderante nesse fenômeno. Quando Mateus relata, em seu Evangelho, a cura do servo do centurião, conta que, ao entrar Jesus em Cafarnaum, um centurião veio até Ele e fez uma súplica:

“Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito”. Disse-lhe Jesus: “Eu irei e o curarei”. Mas o centurião respondeu: “Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa; dizei uma palavra, e o meu servo será curado! Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: ‘Vai’, e ele vai; e a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao servo: ‘Faze isto’, e ele o faz”. Ouvindo isso, cheio de admiração, disse Jesus: “Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém em Israel. (…) Vai, seja-te feito conforme a tua fé”. Na mesma hora, o servo ficou curado.

Vamos continuar vendo a ciência querer negar os fenômenos de cura que continuarei a chamar de curas espirituais, pois não se pode negar o que se observa nos fenômenos que acontecem em Aparecida. Quando se pergunta a algumas pessoas que estão indo pagar suas promessas, a resposta, na maioria das vezes, é: “Estava desenganada por causa de uma doença, pedi a Nossa Senhora e alcancei a graça”.

Nossa Senhora, aqui, pode ser ela mesma a intervir na cura, assim como qualquer “soldado”, como bem disse Jesus.
A fé nos abre o coração para a Divindade, sem nos direcionar a nenhuma religião específica. Mais belas ainda são as demonstrações de gratidão aos céus, não importando especificamente a quem. O Pai é o mesmo, e os soldados são muitos.

Dirijo-me a Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, rogando pela paz do mundo, pela compreensão de nosso povo e pelos doentes de espírito e de corpo. Que nossa fé aumente, pois, qualquer que seja a dificuldade pela qual estejamos passando, o Pai não nos deixará sozinhos.

 

“Entre o que pedimos e o que agradecemos, a fé nos ensina a reconhecer o amparo que recebemos pelo caminho.”

Curadoria – Gorette Wanderley

 

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