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MOTE: “Palhaço que ri e chora”

   Lourival Batista
I
Pinta o rosto, arruma palma
Dentre os néscios e os sábios
O riso aflora-lhe os lábios
A dor tortura-lhe a alma
Suporta com toda calma
Desgostos a qualquer hora
Quando  quer bem, vai embora
Vive num eterno drama
Pensa, sonha, sofre e ama
Palhaço que ri e chora.

II
Se ama alguém com desvelo
Deixá-lo é martírio enorme
Se vai deitar-se não dorme
Se dorme, tem pesadelo
Sentindo um bloco de gelo
Lhe esfriando dentro e fora
Desperta, medita e cora
Sente a fortuna distante
Julga-se um “judeu errante”
Palhaço que ri e chora

III
Pelo destino grosseiro
A vida jamais lhe agrada
Se sente a alma picada
Tem que ir ao picadeiro
Não pode ser altaneiro
Não tem repouso uma hora
Chagas dentro, rosas fora
Guarda espinhos, mostra a flor
Misto de alegria e dor
Palhaço que ri e chora.


IV
Palhaço tem paciência
Que da planície ao pináculo
Este mundo é um espetáculo
Todos nós, a assistência
A falta de inteligência
Gargalhamos qualquer hora
Choramos sem ter demora
Sem ânimo, coragem e fé
Porque todo mundo é
Palhaço que ri e chora.
                                                             

                     Lourival Batista

Por:JoãoVicente Machado
                

      Lourival Batista Patriota, o Louro do Pajeú, nasceu na hoje cidade de Itapetim, então distrito de São José do Egito no estado de Pernambuco, em 06 de janeiro de 1915 e faleceu em 05 de dezembro de 1992.


De uma família de cantadores de viola, destacou-se desde cedo dos demais, pela agilidade de raciocínio que  era peculiar aos bons  repentistas, dos quais fazem parte  uma casta de excepcionais cantadores dentre os quais se consagrou como o Rei do Trocadilho.


Da sua geração e mais ou menos da mesma época, destacamos como bons  repentistas,  entre outros nomes: Pinto do Monteiro, a cascavel do repente, Manoel Xudu do Pilar, Canhotinho, Diniz Vitorino e João Furíba, que foram  sucedidos por Louro Branco, Valdir Teles, Sebastião da Silva, Rogério Menezes, Pedro Bandeira que faleceu essa semana e, Geraldo Amâncio Pereira hoje o maior repentista vivo do Brasil.


Essa sucessão de genialidade é uma mostra de que, em que pese a modernização decorrente do passar dos anos, a cantoria de viola continua sobrevivendo, enlevando e produzindo novos quadros  de repentistas mais jovens como Jonas Bezerra do Iguatu e Raul Sá de Lavras da Mangabeira.


A poesia de abertura desse texto é da lavra do grande Lourival Batista e espelha o seu talento não somente no verso improvisado como na construção de poemas tão profundos como o que lhes trazemos hoje. 

  


“Louro, o mais velho dos três,
 Poeta e naturalista,
 Na arte de repentista,
 Ninguém faz o que ele fez.
“Rimava com rapidez,
       Sem nunca perder o trilho,
Sempre deu o maior brilho
Para o verso improvisado,
Por isso é considerado
Como o rei do trocadilho”

            Pinto do Monteiro- A Cascavel do Repente
Para enriquecer musicalmente o cenário poético, fechamos o texto com um poema cantado, de autoria do genial Antônio Marcos, na voz de Vanusa, chamado Sonho de um Palhaço  (Clique Aqui)




Referências:/https://averdade.org.br/
Foto: Lourival Batista


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